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Rússia leva armas nucleares para Belarus, coloca submarinos, caças e mísseis gigantes em cena e transforma um exercício militar em um recado pesado para a Otan

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 21/05/2026 às 22:42
Atualizado em 21/05/2026 às 22:44
Militares russos posicionam míssil estratégico durante exercício nuclear em Belarus em meio à escalada de tensão entre Rússia e Otan.
Militares participam de operação com míssil estratégico durante exercício nuclear russo realizado em Belarus, em meio ao aumento da tensão geopolítica com a Otan.
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Manobra nuclear russa mobiliza 64 mil pessoas, envolve Belarus, ativa sistemas Iskander-M e aumenta o alerta estratégico no Báltico

A Rússia enviou munições nucleares para instalações de campo em Belarus nesta quinta-feira, durante um dos maiores exercícios nucleares de Moscou nos últimos anos.

Segundo o Ministério da Defesa russo, a operação mobiliza 64 mil pessoas e treina forças para preparação e uso de capacidades nucleares em caso de agressão.

O movimento ocorre em meio ao aumento da tensão entre Moscou e países europeus da Otan, especialmente por causa da guerra na Ucrânia e da atividade de drones no Báltico.

Exercício nuclear russo amplia alerta militar em Belarus

A operação começou na terça-feira e ocorre simultaneamente em território russo e em Belarus, segundo informações divulgadas por Moscou.

Durante a manobra, a Rússia exibiu parte de suas forças nucleares estratégicas, incluindo um submarino nuclear da classe Borei e uma aeronave anti-submarina Il-38.

A lista também inclui um caça MiG-31 armado com míssil hipersônico Kinzhal e mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, as munições nucleares foram entregues a áreas de armazenamento de campo ligadas a uma brigada de mísseis em Belarus.

Sistema Iskander-M entra no centro da operação

Uma unidade de mísseis em Belarus realiza treinamento para receber munições especiais destinadas ao sistema tático móvel Iskander-M.

Segundo Moscou, o procedimento inclui o carregamento dessas munições em veículos lançadores, dentro da programação do exercício nuclear.

Exercícios nucleares russos normalmente utilizam ogivas fictícias, embora o peso simbólico da movimentação tenha ampliado o alerta estratégico.

Vídeos divulgados pelo Ministério da Defesa russo mostraram caminhões militares cobertos por lona, submarinos nucleares, aeronaves e navios de guerra.

Forças estratégicas russas participam da manobra

O exercício envolve as Forças de Mísseis Estratégicos, as frotas do Norte e do Pacífico, a aviação de longo alcance e unidades dos distritos militares de Leningrado e Central.

Moscou busca demonstrar capacidade de coordenação entre diferentes áreas de sua estrutura militar durante o treinamento nuclear.

A mobilização também reforça o discurso russo de que o país enfrenta uma luta existencial contra o Ocidente por causa da Ucrânia.

Desde o início da guerra, o presidente Vladimir Putin tem citado o poder nuclear russo como alerta aos países ocidentais que apoiam Kiev.

Tensão com a Otan cresce no Báltico

Moscou acusou países bálticos de permitir que a Ucrânia usasse seus territórios para atacar o norte da Rússia.

A Otan negou a acusação feita pelo governo russo.

Países bálticos afirmam que a Rússia estaria redirecionando drones ucranianos para seus espaços aéreos.

Esse cruzamento de acusações elevou a pressão diplomática em uma das regiões mais sensíveis da Europa.

Kaliningrado volta ao centro da crise militar

Na quarta-feira, o Kremlin criticou declarações do ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys.

Budrys afirmou que a Otan precisava mostrar a Moscou capacidade de penetrar no enclave russo de Kaliningrado.

Em resposta, o Kremlin classificou os comentários como declarações que estavam “beirando a insanidade”.

Kaliningrado fica entre a Lituânia e a Polônia, ambos membros da Otan na costa do Báltico.

O enclave tem cerca de um milhão de habitantes, é fortemente militarizado e abriga a Frota Báltica da Rússia.

O que o novo gesto militar indica para a Europa?

A movimentação nuclear russa em Belarus ocorre em um momento de forte tensão geopolítica.

A exibição de submarinos, caças, mísseis hipersônicos e sistemas estratégicos reforça o recado militar de Moscou ao Ocidente.

A Ucrânia e alguns líderes ocidentais tratam essas demonstrações como uma fanfarronice irresponsável.

O envio de munições nucleares a instalações de campo em Belarus amplia o peso simbólico da crise.

Diante desse cenário, até onde a tensão entre Rússia e Otan pode avançar sem transformar exercícios militares em uma nova escalada real na Europa?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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