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Robô dado como desaparecido reaparece sob o gelo da Antártida e revela dados inéditos sobre plataformas glaciais, correntes oceânicas e riscos ao nível do mar

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 15/12/2025 às 18:52
Plataforma de gelo da Antártida vista na linha d’água, área estudada por robô submerso que coletou dados inéditos sob o gelo.
Imagem mostra uma plataforma de gelo antártica semelhante às regiões de Denman e Shackleton, onde um robô submerso coletou dados inéditos sob o gelo.
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Boia robótica percorreu mais de 300 quilômetros sob plataformas de gelo, sumiu por meses e retornou com medições inéditas que ajudam a compreender a estabilidade das geleiras antárticas

Uma missão científica de grande relevância climática chamou atenção internacional ao revelar novos dados sobre regiões até então inacessíveis da Antártida. Uma boia robótica do tipo Argo, equipada com sensores oceanográficos, percorreu mais de 300 quilômetros sob o gelo antártico ao longo de cerca de dois anos, coletando informações essenciais sobre o comportamento das plataformas glaciais. Durante o trajeto, o equipamento atravessou as plataformas Denman e Shackleton, registrando quase 200 perfis oceânicos completos, do fundo do mar até a base do gelo.

Normalmente, robôs desse tipo operam em mar aberto. No entanto, neste caso, o projeto foi adaptado para uma missão inédita. A boia foi desenvolvida para navegar de forma autônoma sob plataformas de gelo, áreas onde navios e submarinos tripulados não conseguem atuar. Assim, o equipamento acessou regiões marcadas por escuridão total, água extremamente fria e geografia pouco conhecida, consideradas algumas das mais inacessíveis do planeta.

Boia robótica utilizada para estudar as geleiras da Antártida.

O desaparecimento inesperado do robô durante a missão

Durante a operação, ocorreu um episódio inesperado. O robô desapareceu por cerca de oito meses, o que levou os pesquisadores a suspeitarem que o equipamento tivesse ficado preso ou se perdido entre as geleiras. Segundo o estudo publicado na revista Science Advances, essa hipótese foi considerada plausível diante das condições extremas da região. Ainda assim, o monitoramento foi mantido, aguardando qualquer sinal de atividade.

Contra todas as expectativas, o flutuador reapareceu e permaneceu funcional. Além disso, continuou transmitindo dados regularmente, com registros oceânicos realizados a cada cinco dias. De acordo com o oceanógrafo Dr. Steve Rintoul, da CSIRO, agência científica nacional da Austrália, as observações obtidas são inéditas e ampliam o entendimento sobre a vulnerabilidade das plataformas de gelo antárticas.

Descobertas revelam contrastes entre plataformas da Antártida Oriental

A análise dos dados trouxe conclusões importantes. Em primeiro lugar, as medições indicaram que a plataforma de gelo Shackleton não está, no momento, exposta a águas quentes suficientes para provocar derretimento acelerado por baixo. Dessa forma, atualmente, essa região apresenta menor vulnerabilidade em comparação com outras áreas da Antártida Oriental.

Em contraste, a situação da geleira Denman mostrou-se mais preocupante. Os registros apontaram que correntes de água mais quente já alcançam a base da plataforma, o que pode acelerar o derretimento basal. Pequenas mudanças nessa camada inferior podem desencadear um recuo instável do gelo, elevando riscos associados à perda de massa glacial.

Impactos potenciais sobre o nível global do mar

Com base nas informações coletadas, os especialistas concluíram que a plataforma analisada contém gelo suficiente para elevar o nível global do mar em até 1,5 metro, caso ocorra um derretimento completo. Segundo a pesquisadora Delphine Lannuzel, do Programa Antártico Australiano, um instrumento relativamente pequeno conseguiu gerar um volume de dados considerado inestimável, mesmo operando em condições extremas.

Essas descobertas são relevantes porque as plataformas de gelo funcionam como barreiras naturais, segurando grandes geleiras continentais. Quando essas estruturas afinam ou colapsam, o gelo continental passa a deslizar mais rapidamente para o oceano, contribuindo diretamente para a elevação do nível do mar.

Dados inéditos desafiam modelos climáticos atuais

Pela primeira vez, um robô confirmou que correntes oceânicas mais quentes do que o esperado circulam sob as plataformas Denman e Shackleton. Portanto, esse comportamento indica que os modelos climáticos atuais podem subestimar a taxa real de derretimento nessas regiões. Assim, os dados obtidos tornam-se essenciais para aprimorar previsões sobre o aumento do nível dos oceanos.

Mesmo diante da escuridão prolongada, do isolamento extremo e das temperaturas severas, o flutuador robótico resistiu e retornou com um dos conjuntos de dados mais valiosos já obtidos na Antártida. Diante desse cenário, até que ponto novas tecnologias submersas podem redefinir a forma como o mundo avalia os riscos climáticos globais?

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Saferreira
Saferreira
20/12/2025 07:58

O risco do degelo e notório, dada a elevação das temperaturas em terra(onde estou), porém precisamos se este gelo não está se está se formando em outras regiões que não haviam.

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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