Encontro entre Rússia, Irã, Brasil, China e Índia acontece em meio à escalada dos conflitos no Golfo e à instabilidade do mercado global de energia.
Uma nova rodada de negociações diplomáticas do Brics acontece nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, em Nova Délhi, na Índia, em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio e aos efeitos da crise internacional do petróleo.
Além disso, o encontro reúne ministros das Relações Exteriores de países como Brasil, Rússia, China, Irã e África do Sul, ampliando a relevância geopolítica da reunião em um dos momentos mais tensos do cenário global recente.
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também participa das discussões, que ocorrem enquanto crescem as preocupações internacionais com a segurança energética e com a estabilidade das rotas marítimas do Golfo Pérsico.
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Conforme autoridades diplomáticas acompanham, o avanço dos conflitos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã elevou a pressão sobre o mercado internacional de energia e aumentou o temor de impactos econômicos globais.
Bloqueio do Estreito de Ormuz amplia preocupação internacional
Atualmente, uma das maiores preocupações discutidas no encontro envolve o Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Além disso, a instabilidade na região elevou a volatilidade nos preços do petróleo e do gás, pressionando economias dependentes da importação de energia.
A Índia, por exemplo, obtém quase metade do petróleo bruto que consome por meio dessa rota estratégica.
Da mesma forma, o país asiático também depende do corredor marítimo para importar fertilizantes, fator considerado essencial para sua economia e segurança alimentar.
Segundo o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, o cenário internacional atravessa um período de “considerável transformação”.
Conforme declarou antes das reuniões fechadas, os conflitos em andamento, as incertezas econômicas e os desafios ligados ao comércio, clima e tecnologia estão remodelando o equilíbrio global.
Expansão do Brics aumenta divisões internas entre os membros
Criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brics surgiu como um fórum de articulação entre grandes economias emergentes.
Posteriormente, o grupo ampliou sua composição e passou a incluir países como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
No entanto, essa expansão também aumentou divergências políticas e diplomáticas dentro do próprio bloco.
Irã e Arábia Saudita, por exemplo, ocupam posições opostas em questões ligadas ao Oriente Médio, cenário que dificulta a construção de consensos entre os integrantes.
Diante disso, diplomatas avaliam que a reunião pode terminar sem uma declaração conjunta oficial do Brics.
Lavrov e Abbas Araghchi reforçam peso diplomático da reunião
Entre os participantes do encontro estão o chanceler russo, Sergei Lavrov, e o ministro iraniano, Abbas Araghchi.
Além disso, a presença de representantes de países diretamente envolvidos nas tensões regionais amplia o peso político e estratégico da reunião realizada na Índia.
Enquanto isso, integrantes do bloco defendem que o Brics atue de forma “construtiva e estabilizadora”, sobretudo entre países emergentes e em desenvolvimento.
Ainda assim, as divisões internas e os impactos econômicos da crise energética colocam desafios adicionais para o grupo.
Crise energética coloca Brics diante de novo teste geopolítico
Com o aumento das tensões no Golfo, o Brics enfrenta um dos momentos diplomáticos mais delicados desde sua criação.
Além disso, o avanço da crise do petróleo, combinado às disputas geopolíticas no Oriente Médio, amplia a pressão sobre os países integrantes.
Por isso, o encontro em Nova Délhi se transforma em uma importante vitrine para medir a capacidade do bloco de manter diálogo e coordenação em meio à instabilidade internacional.
Diante desse cenário, o Brics conseguirá encontrar uma posição comum sobre a crise no Oriente Médio e os impactos da guerra sobre o mercado global de energia?

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