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Pesquisadores transformam restos de peixe em material ultraleve capaz de capturar CO₂, tecnologia reaproveita lixo da pesca e pode ajudar a reduzir a poluição na construção civil

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 07/04/2026 às 16:24
Pesquisadores transformam restos de peixe em material ultraleve capaz de capturar CO₂, tecnologia reaproveita lixo da pesca e pode ajudar a reduzir a poluição na construção civil
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Projeto português AERO2cycle transforma resíduos da pesca em material inovador capaz de capturar CO₂, unindo economia circular e sustentabilidade para reduzir emissões e gerar valor industrial a partir de descartes orgânicos.

Em 2023, um consórcio científico liderado por instituições como a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Évora, em Portugal, deu início ao desenvolvimento de uma tecnologia que conecta dois problemas globais: o excesso de resíduos da indústria pesqueira e o aumento das emissões de dióxido de carbono. O projeto, conhecido como AERO2cycle, é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e foi divulgado por iniciativas ligadas à economia azul e sustentabilidade, como a plataforma Blue Economy News.

A proposta é direta: transformar restos de peixe que seriam descartados em um material altamente tecnológico capaz de capturar CO₂ e integrá-lo a cadeias produtivas, especialmente aquelas ligadas à construção e à indústria. O que torna essa pesquisa relevante não é apenas o material em si, mas a lógica por trás dele: resíduos orgânicos passam a ser utilizados como base para um material funcional que atua diretamente na redução de emissões.

Aerogéis são materiais ultraleves e altamente porosos usados em tecnologia avançada

O material desenvolvido no projeto pertence a uma classe chamada aerogéis, conhecidos por serem alguns dos sólidos mais leves já criados. Esses materiais possuem uma estrutura altamente porosa, podendo conter até 99% de ar em sua composição, o que lhes confere características únicas.

Aerogéis já são utilizados em aplicações avançadas, incluindo isolamento térmico de alto desempenho, indústria aeroespacial, equipamentos industriais e tecnologias energéticas. No caso do projeto português, o diferencial está na origem do material e na função adicional: além de leve e isolante, ele é projetado para capturar moléculas de dióxido de carbono.

Processo transforma restos de peixe em material rico em carbono por meio de tratamento térmico

A base do material começa com resíduos da indústria pesqueira, como ossos, pele e partes descartadas do processamento de pescado. Esses resíduos passam por um processo conhecido como pirólise, que consiste no aquecimento em ambiente sem oxigênio.

Esse processo gera um material chamado biochar, que é rico em carbono e possui uma estrutura porosa. Esse biochar é então combinado com compostos químicos específicos que aumentam sua capacidade de interação com o dióxido de carbono.

O resultado final é um aerogel híbrido que mantém a leveza característica dessa classe de materiais, mas com a capacidade adicional de capturar e reter CO₂ de forma eficiente.

Material foi projetado para capturar CO₂ em ambientes industriais e reduzir emissões

O principal objetivo do material não é estrutural, mas funcional. Ele atua como um meio de captura de carbono, podendo ser aplicado em ambientes onde há emissão significativa de CO₂, como indústrias e sistemas energéticos.

Quando o dióxido de carbono entra em contato com o aerogel, ele é absorvido pela estrutura porosa do material, ficando retido. Esse carbono pode então ser direcionado para processos de reaproveitamento.

Essa abordagem se conecta a uma das principais estratégias globais de combate às mudanças climáticas: capturar emissões antes que elas cheguem à atmosfera e reintegrá-las em ciclos produtivos.

Tecnologia conecta resíduos da pesca à economia circular e à construção sustentável

Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa é a integração entre diferentes setores. O projeto transforma resíduos da pesca, que normalmente seriam descartados, em um insumo para uma tecnologia avançada. Esse modelo segue o conceito de economia circular, onde materiais não são simplesmente descartados, mas reinseridos em novos ciclos produtivos.

No contexto da construção civil, o material pode ser utilizado como componente de sistemas de isolamento ou em soluções voltadas à eficiência energética. Embora não substitua concreto ou materiais estruturais, ele pode contribuir para reduzir o impacto ambiental de edificações.

Construção civil é um dos setores mais impactados pelas emissões de carbono

A relevância dessa tecnologia se amplia quando se observa o papel da construção civil nas emissões globais. A produção de cimento, por exemplo, é responsável por uma parcela significativa do CO₂ liberado na atmosfera. Nesse cenário, materiais que possam contribuir para a redução de emissões, para a melhoria da eficiência energética e para a captura de carbono ganham importância estratégica.

O aerogel desenvolvido em Portugal se encaixa exatamente nesse contexto, atuando como um elemento que pode ajudar a mitigar impactos ambientais dentro de sistemas maiores.

Projeto prevê evolução até 2028 com foco em aplicações industriais

O AERO2cycle não é um experimento isolado. Ele possui cronograma de desenvolvimento que se estende até 2028, com foco em ampliar a escala da tecnologia e integrá-la a sistemas reais. Entre os objetivos do projeto estão:

  • Adaptação do material para uso industrial;
  • Integração com processos de captura de carbono em larga escala;
  • Desenvolvimento de aplicações práticas em setores produtivos.

Esse horizonte indica que a tecnologia ainda está em fase de evolução, mas com direcionamento claro para aplicação prática.

Uso de impressão 3D pode acelerar produção de sistemas baseados no material

Outro ponto relevante é o uso de tecnologias complementares, como a impressão 3D, para desenvolver estruturas capazes de utilizar o aerogel de forma eficiente. Essa abordagem permite criar formatos otimizados para maximizar a captura de carbono, além de facilitar a integração do material em sistemas industriais existentes.

A combinação entre materiais inovadores e técnicas modernas de fabricação amplia o potencial de aplicação da tecnologia.

Inovação transforma problema ambiental em solução tecnológica com múltiplos impactos

O projeto português se destaca por transformar um problema ambiental em solução tecnológica. Resíduos da pesca, que representam um desafio logístico e ambiental, passam a ser utilizados como base para um material de alto valor agregado.

Ao mesmo tempo, o material atua sobre outro problema global, que é o excesso de CO₂ na atmosfera. Essa convergência de soluções torna a pesquisa especialmente relevante. O modelo mostra que é possível conectar diferentes áreas — como alimentação, indústria e construção — dentro de uma lógica integrada de sustentabilidade.

Desenvolvimento de novos materiais aponta para mudanças na forma de construir e produzir

A criação de materiais como esse indica uma tendência mais ampla na engenharia e na indústria. A busca por alternativas sustentáveis está levando ao desenvolvimento de soluções que combinam desempenho técnico com menor impacto ambiental.

Essas mudanças podem influenciar não apenas a construção civil, mas também setores como energia, transporte e manufatura. A ideia de que resíduos podem se transformar em materiais avançados deixa de ser conceito e passa a ser aplicada em projetos concretos.

Diante disso, surge o debate: materiais criados a partir de resíduos, capazes de capturar carbono, podem se tornar parte comum das obras e indústrias no futuro? Deixe sua opinião nos comentários.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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