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Restos de forte romano com cerca de 2.000 anos são encontrados sob quintais residenciais na Escócia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 15/03/2026 às 12:23
Forte romano de cerca de 2.000 anos é descoberto sob quintais na Escócia e revela novos detalhes sobre a Muralha de Antonino.
Forte romano de cerca de 2.000 anos é descoberto sob quintais na Escócia e revela novos detalhes sobre a Muralha de Antonino.
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Descoberta de forte romano com cerca de 2.000 anos sob quintais residenciais em Bearsden, na Escócia, revela novas evidências sobre a Muralha de Antonino, fronteira de 60 quilômetros do Império Romano que dividiu o território escocês e funcionou como sistema defensivo estratégico no norte da Britânia

Um forte romano de aproximadamente 2.000 anos foi descoberto sob quintais residenciais na Escócia durante investigações arqueológicas realizadas em 2017 antes de um projeto de construção, revelando novas evidências ligadas à Muralha de Antonino.

A descoberta ocorreu quando uma equipe da Guard Archaeology conduzia um levantamento arqueológico de rotina em três quintais residenciais.

Durante as escavações, os pesquisadores encontraram os alicerces de pedra de um talude de grama pertencente a um pequeno forte romano até então desconhecido.

O local investigado fica em Bearsden, na Boclair Road, área situada ao sul da Muralha de Antonino. A estrutura identificada fazia parte do sistema defensivo da fronteira romana na Grã-Bretanha, construída há aproximadamente dois mil anos.

Levantamento arqueológico revelou novo forte

A descoberta do forte romano ocorreu durante um levantamento arqueológico realizado antes de obras de construção planejadas na área residencial.

O trabalho foi considerado significativo pela Historic Environment Scotland, pois permitiu ampliar o conhecimento sobre a região próxima ao sítio da Muralha de Antonino.

Diante dos achados iniciais, novas investigações foram encomendadas para compreender melhor a extensão das estruturas. As pesquisas revelaram fragmentos remanescentes da antiga fronteira romana britânica, além de evidências de seus métodos de construção e da configuração da paisagem histórica.

A Muralha de Antonino possuía cerca de 60 quilômetros de extensão e funcionava como a fronteira norte do Império Romano. Há aproximadamente dois mil anos, essa estrutura dividia o território da Escócia em duas partes distintas.

Pequeno forte funcionava como apoio defensivo aos fortes maiores

Arqueólogos explicaram que estruturas como esse forte romano eram construídas ao longo da muralha defensiva para apoiar fortalezas maiores localizadas nas proximidades. Esses pequenos postos funcionavam como destacamentos militares responsáveis por ampliar a vigilância na fronteira.

Segundo os pesquisadores, o sistema defensivo incluía não apenas fortes e pequenos postos avançados, mas também acampamentos e termas integrados à linha da muralha. Esse conjunto fazia parte da organização militar romana destinada a controlar a região.

O forte identificado em Bearsden ficava próximo ao forte romano de Bearsden, situado em uma área de terreno mais baixo. A posição do novo achado em um ponto mais elevado permitia uma visão ampla da paisagem ao norte da muralha.

Forte romano foi construído em terreno elevado para monitorar territórios fora do controle romano

De acordo com os arqueólogos, os romanos escolheram o terreno mais alto junto à muralha para instalar o forte romano recém-descoberto. A elevação natural oferecia vistas panorâmicas da paisagem ao norte, região que permanecia fora do controle do Império Romano.

Esse território era habitado pelos chamados “britânicos livres”, comunidades locais que não estavam sob domínio romano. A posição estratégica do forte permitia aos soldados observar e monitorar constantemente essa área.

Os arqueólogos afirmaram que a localização da estrutura sugere que o pequeno forte era parte integrante das defesas da Muralha de Antonino. A instalação funcionaria como um ponto avançado de vigilância dentro do sistema militar romano.

Estruturas de pedra e fosso paralelo

Um levantamento geofísico realizado no local identificou estruturas de pedra que provavelmente correspondem a fragmentos remanescentes da própria Muralha de Antonino. As escavações posteriores também revelaram a presença de um fosso paralelo às fundações descobertas.

Segundo os arqueólogos, tanto a base de pedra com borda quanto o fosso paralelo estavam posicionados perpendicularmente à linha da muralha que atravessa aquela parte de Bearsden. Essa configuração ajudou a confirmar a ligação direta do forte romano com o sistema defensivo da fronteira.

Essas estruturas indicam que o local fazia parte de um conjunto arquitetônico mais amplo relacionado à proteção da muralha. O fosso identificado representava uma seção do perímetro defensivo do forte.

Forte era cercado por três muralhas e construído com turfa sobre base de pedra

Ao contrário da Muralha de Adriano, que foi construída em pedra, a Muralha de Antonino foi erguida com turfa assentada sobre uma base de pedra. Esse método de construção permitia que a estrutura se integrasse visualmente à paisagem.

A análise das estruturas indicou que o forte romano originalmente era cercado por três muralhas defensivas. O fosso identificado durante as escavações fazia parte desse sistema de proteção ao redor da instalação militar.

A datação do forte foi possível graças à análise da madeira encontrada no fundo da vala. Evidências botânicas e fósseis de besouros também ajudaram os arqueólogos a estabelecer o período de ocupação.

Os estudos indicam que o forte esteve ativo entre os anos 127 e 247 d.C. A análise ambiental revelou que os soldados romanos observavam uma paisagem composta por pastagens abertas e bosques desmatados.

Essas áreas eram formadas principalmente por amieiros, aveleiras e salgueiros, com menor presença de carvalhos e bétulas. A partir desse ponto elevado, os soldados mantinham vigilância constante sobre os territórios ao norte da muralha.

A Muralha de Antonino teve existência relativamente curta dentro da estratégia militar romana na região. Cerca de 20 anos após sua construção, os romanos recuaram para a Muralha de Adriano e o local foi abandonado.

O pequeno forte permaneceu enterrado até ser redescoberto nos três quintais investigados pela Guard Archaeology. A descoberta reforça a importância das pesquisas arqueológicas realizadas antes de projetos de construção em áreas historicamente sensíveis

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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