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Respira fora d’água, anda em terra por dias e domina rios inteiros: o peixe-cabeça-de-cobra virou uma praga biológica capaz de devastar ecossistemas aquáticos em dois continentes

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/01/2026 às 13:55
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Capaz de respirar ar, ‘caminhar’ em terra e sobreviver dias fora d’água, o peixe-cabeça-de-cobra se espalha por rios da Ásia e América do Norte e ameaça ecossistemas inteiros.

Poucos animais modernos causam tanto espanto entre biólogos, gestores ambientais e autoridades quanto o peixe-cabeça-de-cobra, do gênero Channa. À primeira vista, ele parece apenas mais um peixe alongado e musculoso, mas sua fisiologia o coloca em uma categoria completamente diferente da maioria das espécies aquáticas conhecidas. Ele respira oxigênio atmosférico, sobrevive fora da água por vários dias e se desloca por terra firme, usando o próprio corpo para “rastejar” entre lagos, rios e áreas alagadas.

Essas características, que parecem saídas de um filme de ficção científica, são reais e amplamente documentadas por instituições como o US Geological Survey (USGS) e por artigos publicados em revistas científicas de alto impacto, como Nature Ecology & Evolution. O problema é que, fora de sua área nativa, essas mesmas habilidades transformaram o peixe-cabeça-de-cobra em uma das espécies invasoras mais perigosas do mundo.

Como o peixe-cabeça-de-cobra consegue respirar fora da água

O segredo está em um órgão respiratório especial conhecido como órgão suprabranquial, uma estrutura altamente vascularizada localizada acima das brânquias. Esse sistema permite que o peixe absorva oxigênio diretamente do ar, funcionando de forma semelhante a um pulmão primitivo.

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Graças a essa adaptação, o peixe-cabeça-de-cobra consegue:

• sobreviver até vários dias fora da água, desde que o ambiente esteja minimamente úmido
• atravessar trechos de terra para alcançar novos corpos d’água
• resistir a condições extremas de baixo oxigênio, onde outros peixes morrem rapidamente

Essa vantagem biológica explica por que a espécie prospera em ambientes degradados, poluídos ou com baixa qualidade da água, onde predadores naturais e competidores não conseguem sobreviver.

Um predador dominante sem freios naturais

Além da respiração aérea, o peixe-cabeça-de-cobra é um predador de topo extremamente agressivo. Ele se alimenta de praticamente tudo o que encontra:

• peixes nativos
• anfíbios
• crustáceos
• insetos aquáticos
• pequenos répteis
• até aves aquáticas jovens, em casos registrados

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Estudos do USGS mostram que, em ambientes invadidos, a introdução do peixe-cabeça-de-cobra pode levar a quedas abruptas na diversidade de peixes nativos, alterando toda a cadeia alimentar. Em alguns rios e lagos, a presença da espécie resultou em reduções superiores a 50% na biomassa de peixes locais em poucos anos.

O problema se agrava porque a espécie se reproduz rapidamente, com fêmeas capazes de liberar dezenas de milhares de ovos por ciclo reprodutivo, e os adultos demonstram comportamento de cuidado parental, protegendo agressivamente os filhotes.

De peixe regional a ameaça global

Originalmente, espécies do gênero Channa são nativas da Ásia, especialmente do Sudeste Asiático, Índia, China e partes da Rússia oriental. Nessas regiões, o peixe-cabeça-de-cobra faz parte do equilíbrio ecológico natural, com predadores e competidores que limitam sua expansão.

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O problema começou quando a espécie foi levada para outros países, principalmente por três vias:

• comércio de peixes vivos para consumo alimentar
• aquarismo e aquários ornamentais
• solturas ilegais ou acidentais em ambientes naturais

Na América do Norte, os primeiros registros confirmados ocorreram no início dos anos 2000, nos Estados Unidos. Desde então, populações estabelecidas já foram identificadas em diversos estados, incluindo Maryland, Virgínia, Nova York, Pensilvânia e Arkansas.

A capacidade de “andar” em terra e colonizar novos rios

Um dos aspectos mais alarmantes do peixe-cabeça-de-cobra é sua habilidade de se deslocar por terra firme. Diferentemente de outros peixes que apenas se debatem fora da água, essa espécie usa movimentos ondulatórios do corpo e das nadadeiras para avançar lentamente sobre superfícies úmidas, lama ou vegetação.

Isso significa que:

• barreiras naturais entre rios nem sempre impedem sua expansão
• lagos isolados podem ser colonizados sem intervenção humana direta
• sistemas hídricos inteiros podem ser invadidos em cadeia

Biólogos alertam que essa capacidade torna o controle da espécie extremamente complexo, já que não basta isolar corpos d’água com barragens ou redes.

Impactos ecológicos e econômicos

A disseminação do peixe-cabeça-de-cobra não representa apenas um problema ambiental, mas também um risco econômico significativo. Em regiões afetadas, foram observados:

• prejuízos à pesca comercial e recreativa
• colapso de populações de peixes nativos de valor econômico
• custos elevados com programas de controle e monitoramento
• desequilíbrio em áreas úmidas e zonas de proteção ambiental

Segundo análises do USGS, espécies invasoras aquáticas já causam bilhões de dólares em danos anuais nos Estados Unidos, e o peixe-cabeça-de-cobra está entre aquelas com maior potencial de impacto a longo prazo.

Tentativas de controle e alertas das autoridades

Diante da ameaça, autoridades ambientais adotaram medidas rigorosas. Em vários estados americanos, por exemplo, é ilegal transportar, vender ou soltar peixe-cabeça-de-cobra vivo. Em alguns locais, pescadores são orientados a matar o animal imediatamente após a captura, justamente para impedir sua devolução à água.

Campanhas educativas alertam que a liberação de espécies exóticas em rios e lagos pode gerar consequências irreversíveis.

Ainda assim, o avanço do peixe-cabeça-de-cobra continua sendo monitorado com preocupação por cientistas e órgãos ambientais.

O caso do peixe-cabeça-de-cobra é um exemplo extremo de como uma única espécie, dotada de adaptações biológicas excepcionais, pode redefinir ecossistemas inteiros quando introduzida fora de seu ambiente natural.

Respirar ar, andar em terra e dominar rios não são apenas curiosidades científicas — são os fatores que transformaram esse peixe em um dos maiores símbolos do risco das invasões biológicas no mundo moderno.

A pergunta que permanece é até onde essa expansão pode chegar — e se os sistemas naturais conseguirão se recuperar antes que o dano se torne permanente.

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Emílio Emori
Emílio Emori
14/01/2026 00:30

No Brasil já tem o bagre africano, um sabor desagradável, sem predadores,, uma espécie invasora que está dizimando espécies nativa, imagina se essa espécie chega também!!!

Manel
Manel
Em resposta a  Emílio Emori
09/02/2026 08:05

Emilio, te cuento lo mismo que al autor de este desastre de artículo. Los humanos somos el cáncer maligno de todos los ecosistemas, el terror del planeta, y sin embargo, te centras en despotricar al bagre. Eres patético.

freddy
freddy
13/01/2026 02:05

sería bueno encontrarle utilidad como materia prima para alimentar otras especies ya que abundan , lo que se podría hacer también con la carpa o el pez diablo

Manel
Manel
Em resposta a  freddy
09/02/2026 08:09

Cierto, pero para eso hace falta sustituir a todos nuestros gobernantes por personas capacitadas y resolutivas.

Shneyder Correa
Shneyder Correa
10/01/2026 13:04

Este artículo es falso, miren nomás los errores ortográficos que tiene, además si no estoy mal Schinus no es un género de peces, sino un género de árboles.

Minty
Minty
Em resposta a  Shneyder Correa
11/01/2026 00:21

Não mano parece tar tudo certo, o gênero channa realmente existe e é coerente com o que foi dito

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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