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Resíduo que vira recurso: pesquisadores canadenses usam larvas da mosca-soldado-negra para transformar fezes de ganso em proteína e fertilizante

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/04/2026 às 20:21
Atualizado em 27/04/2026 às 20:41
Larvas da mosca-soldado-negra convertem fezes de ganso em proteína e fertilizante com ganho de 32% em plantas aquáticas.
Larvas da mosca-soldado-negra convertem fezes de ganso em proteína e fertilizante com ganho de 32% em plantas aquáticas.
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O resíduo que vira recurso saiu de parques e áreas verdes urbanas para um sistema de bioconversão com larvas da mosca-soldado-negra, capaz de transformar excrementos de ganso em biomassa rica em proteínas e frass, fertilizante orgânico que elevou em 32% a produção de lentilha-d’água.

Pesquisadores canadenses demonstraram que excrementos de ganso podem ser transformados em proteína e fertilizante com o uso de larvas da mosca-soldado-negra, em um processo que converte um problema urbano em insumo biológico. O trabalho mostrou que o subproduto gerado pelas larvas, conhecido como frass, aumentou em 32% a produção de plantas aquáticas usadas em sistemas de tratamento, captura de nutrientes e biomassa animal.

A proposta parte de um incômodo comum em parques, gramados e áreas verdes durante a primavera. A presença de gansos deixa grande volume de resíduos no ambiente, gera desconforto para a população e adiciona nutrientes que podem afetar solos e águas próximas.

O resíduo que vira recurso muda a lógica tradicional de limpeza e retirada dos dejetos. Em vez de tratar o material apenas como descarte, a pesquisa explora sua conversão em biomassa rica em proteínas e em fertilizante natural, dentro de um modelo de economia circular aplicado a espaços urbanos.

Mosca-soldado-negra atua como aliada na bioconversão

A mosca-soldado-negra, de nome científico Hermetia illucens, já é conhecida pela capacidade de suas larvas consumirem matéria orgânica em decomposição. Nesse processo, elas transformam resíduos em biomassa rica em proteínas, com potencial de uso em cadeias produtivas ligadas à alimentação animal.

O estudo foi liderado por Rassim Khelifa, da Universidade de Concordia, e testou o uso de um resíduo urbano abundante como alimento para essas larvas. O resultado apontou uma alternativa viável para aproveitar os excrementos de aves em sistemas de transformação biológica.

A utilização da mosca-soldado-negra já ocorre em escala industrial na Europa e na Ásia para tratar resíduos alimentares e produzir farinhas proteicas destinadas à alimentação animal, especialmente na aquicultura. A adaptação desse inseto a resíduos urbanos específicos, como fezes de aves, amplia o alcance desse tipo de bioconversão.

Mistura com outros resíduos melhora o desenvolvimento das larvas

As larvas conseguem se alimentar exclusivamente de excrementos de ganso, mas o desenvolvimento melhora quando esse material é combinado com outros resíduos orgânicos. Essa diferença indica que sistemas reais podem funcionar melhor quando integram os dejetos de aves a fluxos mistos, como restos vegetais e alimentos.

O modelo se aproxima de um compostagem avançada com insetos, na qual diferentes resíduos urbanos são reunidos para ampliar a eficiência da transformação. Em cidades europeias, projetos piloto já combinam resíduos de mercados municipais com insetos para produzir fertilizantes locais.

Esse desenho reforça o conceito de resíduo que vira recurso dentro do próprio ambiente urbano. A tecnologia não depende de grandes infraestruturas e pode ser pensada em sistemas menores, descentralizados e instalados perto da origem do material coletado.

Larvas da mosca-soldado-negra convertem fezes de ganso em proteína e fertilizante com ganho de 32% em plantas aquáticas.
Larvas da mosca-soldado-negra convertem fezes de ganso em proteína e fertilizante com ganho de 32% em plantas aquáticas.

Microorganismos têm papel decisivo no processo

Os microorganismos presentes nos excrementos também fazem parte da eficiência do sistema. Quando o material passa por esterilização, o rendimento cai, mostrando que a microbiota contribui para a decomposição inicial e torna o resíduo mais acessível às larvas.

Essa interação entre microorganismos e larvas cria uma relação simbiótica dentro do processo. A decomposição do material não depende apenas do inseto, mas também do equilíbrio biológico que já existe nos resíduos.

A pesquisa indica que tentar eliminar completamente esses organismos pode prejudicar o desempenho da conversão. Nesse caso, a presença natural da microbiota ajuda o sistema a funcionar melhor e fortalece o uso de processos biológicos na gestão de resíduos urbanos.

Frass aumenta em 32% a produção de plantas aquáticas

O frass gerado pelas larvas atua como fertilizante orgânico e apresentou resultado expressivo nos testes com lentilha-d’água. A produção da planta aquática cresceu 32%, dado que coloca o subproduto entre os principais resultados práticos do experimento.

A lentilha-d’água é usada em tratamento de águas residuais, captura de nutrientes e produção de biomassa para alimentação animal. O aumento de sua produtividade pode melhorar diferentes sistemas ao mesmo tempo, especialmente os que dependem de plantas aquáticas para remover nutrientes e gerar biomassa.

O frass também oferece liberação mais gradual de nutrientes em comparação com fertilizantes químicos. Essa característica reduz riscos de lixiviação e contaminação de aquíferos, tornando o fertilizante mais estável dentro da proposta apresentada pela pesquisa.

Aplicação urbana pode reduzir limpeza e descarte

Para gestores urbanos, transformar excrementos de ganso em produtos úteis pode significar menos custos de limpeza, menor pressão sobre aterros e geração de recursos locais. O mesmo processo entrega dois resultados ao mesmo tempo: proteína obtida das larvas e fertilizante orgânico gerado pelo frass.

A aplicação pode ocorrer em parques urbanos com grande presença de aves, instalações municipais de gestão de resíduos ou projetos educativos. O formato também permite demonstrar, de maneira prática, como um problema visível pode ser incorporado a ciclos produtivos locais.

A médio prazo, a tecnologia pode ser combinada com outras soluções, como digestão anaeróbia e compostagem avançada, para otimizar fluxos de matéria orgânica. O resíduo que vira recurso ganha força nesse cenário ao transformar sujeira urbana em proteína, fertilizante e exemplo concreto de economia circular.

Com informações EcoInventos

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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