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Quatro braços robóticos imprimiram aço camada por camada em Amsterdã e criaram a primeira ponte em 3D do mundo, com 12,2 metros, sensores inteligentes e quase nenhum desperdício de material

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 18/05/2026 às 20:47 Atualizado em 18/05/2026 às 20:49
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Construída pela MX3D com tecnologia WAAM, a ponte de aço inoxidável em Amsterdã combina impressão 3D, sensores em tempo real e gêmeo digital para reduzir desperdício e testar novos caminhos para obras públicas

A primeira ponte impressa em 3D do mundo foi construída pela MX3D sobre um canal em Amsterdã, com quatro braços robóticos industriais, aço inoxidável e sensores para testar uma nova forma de infraestrutura pública.

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Como a ponte impressa em 3D foi construída

A estrutura foi formada por camadas contínuas de aço inoxidável depositadas por robôs industriais. A impressão levou seis meses, prazo menor que o esperado em canteiro convencional, onde haveria mais etapas e desperdício.

O processo usado foi o Wire Arc Additive Manufacturing, conhecido como WAAM. Nele, um braço robótico de seis eixos segura uma tocha de soldagem e deposita cordões de arame, camada por camada, seguindo modelo digital.

A MX3D criou software próprio para transformar robôs de soldagem da ABB em impressoras metálicas controladas por arquivo CAD. Quatro robôs trabalharam em paralelo na antiga estalagem NDSM, no norte de Amsterdã.

WAAM reduziu desperdício e permitiu formas complexas

A construção aditiva em metal coloca aço apenas onde a estrutura precisa. Com design computacional e otimização topológica, o material desnecessário é eliminado milímetro a milímetro, sem depender de cortes e soldagens tradicionais.

Esse método deu à ponte impressa em 3D um desenho inspirado em estruturas orgânicas, com curvas, perfurações e variações de espessura. Essas formas seriam caras ou inviáveis em obra comum.

A estrutura tem 12,2 metros de comprimento e pesa 4,9 toneladas. A impressão utilizou mais de 6.000 kg de arame de aço inoxidável como insumo total, com excedente reduzido ao mínimo.

A forma em S e os balaústres perfurados foram definidos por algoritmos de design generativo, como Grasshopper e Karamba.

Ponte em 3D
Imagem: Reprodução

Financiamento e validação estrutural

O projeto recebeu financiamento da Lloyd’s Register Foundation. A concessão foi de £320.000 em um projeto que durou de 2017 a 2025.

Entre os parceiros industriais estiveram ABB Robotics, ArcelorMittal, Autodesk e a construtora Heijmans. Como não havia código normativo para aço impresso em 3D, a segurança estrutural precisou ser comprovada.

O Grupo de Pesquisa de Estruturas de Aço do Imperial College London, liderado pelo professor Leroy Gardner, caracterizou o material do zero. A equipe fez testes destrutivos e não destrutivos antes da abertura ao público.

Ponte impressa em 3D também virou laboratório

Além de servir à circulação de pedestres, a ponte impressa em 3D funciona como laboratório de infraestrutura inteligente.

Sensores acompanham deformação, vibração, temperatura, deslocamento e qualidade do ar em tempo real.

Esses dados alimentam um gêmeo digital gerenciado pelo The Alan Turing Institute, em parceria com a Autodesk e a Universidade de Cambridge. O modelo computacional imita a ponte física com precisão crescente.

Com esse sistema, engenheiros podem antecipar desgastes, testar hipóteses de carga e monitorar a saúde estrutural sem interromper o uso. Os sensores também analisam o movimento dos usuários e as cargas dinâmicas geradas.

O monitoramento inclui forças internas, oscilações ligadas à fadiga, condições ambientais sobre o canal e efeitos de temperatura e corrosão ao longo das estações. O sistema reune informações estruturais e ambientais.

Ponte em 3D
Imagem: Reprodução

Reconhecimento e futuro da tecnologia

A ponte recebeu o prêmio de Outstanding Development in Welded Fabrication da American Welding Society. Com isso, entrou em uma lista histórica que inclui o Canal do Panamá e o rover Curiosity.

O reconhecimento indica que a manufatura aditiva em metal deixou de ser protótipo. A MX3D já levou a tecnologia WAAM para os setores marítimo, nuclear, aeroespacial e de energia.

O próximo passo é a escala comercial. A meta é tornar o processo competitivo em custo diante do aço laminado convencional, para que obras complexas, rápidas e com desperdício mínimo deixem de ser exceção.

Com informações de Monitor do Mercado.

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Romário Pereira de Carvalho

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