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Boa parte das perucas e dos apliques usados no mundo é feita de cabelo humano importado da Índia e montada numa única cidade chinesa, a capital mundial das perucas, onde 300 mil pessoas vivem desse mesmo negócio bilionário

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 01/07/2026 às 21:39 Atualizado em 01/07/2026 às 21:43
A capital mundial das perucas é Xuchang, na China, que faz cerca de 60% das perucas do mundo com cabelo humano importado da Índia e emprega 300 mil pessoas
A capital mundial das perucas é Xuchang, na China, que faz cerca de 60% das perucas do mundo com cabelo humano importado da Índia e emprega 300 mil pessoas
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A cidade de Xuchang, na China, produz cerca de 60% das perucas do planeta e abriga a maior fabricante do setor, transformando cabelo humano importado num negócio bilionário que abastece mais de 120 países

Existe uma cidade na China onde o cabelo virou uma indústria bilionária, e quase ninguém fora do ramo já ouviu falar dela. A capital mundial das perucas se chama Xuchang, fica no coração da província de Henan e, sozinha, fabrica uma fatia enorme de todas as perucas e apliques usados no mundo, de fantasias a próteses para quem perdeu o cabelo.

Os números impressionam. Segundo a Africanews, Xuchang produz cerca de 60% das perucas do planeta, reúne mais de 4,1 mil empresas do setor de cabelo e emprega 300 mil pessoas. É um caso clássico de cidade que se especializou num único produto e passou a dominá-lo em escala global, mesmo sendo desconhecida do grande público.

Como a cidade virou a capital mundial das perucas

O segredo é o mesmo de outros polos industriais chineses: concentração total. Milhares de oficinas e fábricas na mesma região criam um ecossistema completo, com fornecedores de cabelo, tinturarias, montadoras de perucas e exportadores todos por perto. Isso derruba custos e acelera a produção de um jeito difícil de copiar em outro lugar.

Com o tempo, o mundo inteiro passou a comprar dali. Quem vende peruca no varejo de qualquer país provavelmente se abastece, direta ou indiretamente, nessa cidade, sem sequer saber o nome dela. A capital mundial das perucas venceu justamente por transformar um produto de nicho numa linha de montagem de proporções planetárias.

Cabelo humano importado da Índia

Trabalhadoras costurando fios de cabelo humano numa fábrica de perucas
Trabalhadoras costurando fios de cabelo humano numa fábrica de perucas

Aqui está um detalhe que quase ninguém imagina. Como cada vez menos chineses vendem o próprio cabelo, a indústria local passou a importar a matéria-prima de fora. Segundo o People’s Daily, muitas fabricantes da cidade passaram a comprar cabelo de países como Índia e Mianmar, e a maior empresa do setor afirma que mais de 60% do seu cabelo vem da Índia.

Assim, mechas cortadas na Índia atravessam o continente para virar perucas montadas na China e vendidas no mundo todo. Um único fio de cabelo pode cruzar dois continentes antes de chegar à cabeça de alguém, numa cadeia global surpreendente para um produto tão pessoal. O cabelo virou uma commodity internacional, comprada, classificada e revendida por peso.

300 mil pessoas e milhares de empresas

A escala humana do setor é enorme. De acordo com o People’s Daily, mais de 4,1 mil empresas de produtos capilares operam na cidade, empregando cerca de 300 mil pessoas em algum ponto da cadeia, do tratamento do cabelo cru à costura final da peruca.

É praticamente uma cidade construída em torno de um único produto, como acontece com botões, meias ou canetas em outras regiões chinesas. Quando uma comunidade inteira vive de fabricar a mesma coisa, ela acumula uma perícia que vira barreira quase intransponível para concorrentes. Essa mão de obra especializada é um dos maiores trunfos da indústria de perucas local.

De uma tradição antiga à maior fabricante do mundo

Mechas de cabelo humano separadas por cor e comprimento sobre uma bancada
Mechas de cabelo humano separadas por cor e comprimento sobre uma bancada

A tradição capilar da região é mais antiga do que parece. Segundo a Africanews, a cidade é hoje o maior produtor de perucas do mundo, com uma tradição de trabalho com cabelo que atravessa gerações e ganhou força nas últimas décadas até dominar o mercado global do setor.

Foi nesse período que empreendedores locais reuniram pequenas oficinas e criaram grandes fabricantes, entre elas a Rebecca Hair, que cresceu até se tornar a maior fabricante de perucas do mundo. De um comércio informal de cabelo a uma multinacional do setor, a cidade construiu um império sobre a vaidade e a necessidade humanas. O que era escambo virou exportação de alto valor.

O “ouro negro” que move a cidade

Não à toa, o cabelo ganhou o apelido de “ouro negro” na cidade. O melhor cabelo, longo e não tratado, atinge preços altíssimos e é disputado por compradores que percorrem o mundo atrás de matéria-prima. Uma boa peruca de cabelo natural pode custar o equivalente a um salário inteiro.

Essa valorização transformou algo que muita gente joga fora num artigo cobiçado. Enquanto o cabelo que cai no ralo é lixo para a maioria, para essa indústria ele é matéria-prima preciosa, cuidadosamente separada por comprimento, cor e textura. A lógica do negócio é a mesma de qualquer commodity: quanto mais rara e melhor a qualidade, mais alto o preço.

Do luxo aristocrático ao consumo de massa

A peruca tem uma longa história de status. No passado, era acessório de nobres e símbolo de poder, usada por reis e juízes para impor respeito. Hoje, virou item de consumo de massa, ligado à moda, à beleza, ao entretenimento e também à saúde, no caso de quem perde o cabelo por doença ou tratamento.

Essa diversidade de usos alimenta a demanda constante. A mesma fábrica produz a peruca colorida de festa, o aplique de moda e a prótese capilar que devolve autoestima a um paciente, o que dá ao setor uma resiliência rara. Enquanto houver quem queira mudar o visual ou recuperar o cabelo perdido, a indústria de perucas terá clientes.

Por que o mundo, e o Brasil, dependem desse cabelo

O alcance dessa cidade chinesa chega com força ao mercado brasileiro. O Brasil tem um mercado enorme de apliques, megahair e perucas, muito usado em salões de beleza, e boa parte desse material vem justamente da China, quando não da própria cidade capital do setor. O consumidor raramente sabe a origem do que coloca na cabeça.

Isso mostra como até a beleza e a moda dependem de cadeias industriais globais invisíveis. Um aplique comprado num salão de bairro pode ter começado como cabelo cortado na Índia e montado numa fábrica chinesa, atravessando o planeta antes de chegar ali. A vaidade, no fim, também é abastecida por gigantes ocultos da indústria.

Por que a peruca é um negócio surpreendentemente global

No fim, a história dessa cidade revela como um produto tão íntimo quanto o cabelo esconde uma engrenagem industrial mundial. A cidade transformou a vaidade humana numa linha de montagem, ligando o cabelo importado, as fábricas chinesas e os salões de beleza de todos os continentes numa mesma cadeia.

É mais um caso de gigante oculto moldando o cotidiano sem aparecer. Da próxima vez que você vir alguém com uma peruca impecável ou um megahair perfeito, vale lembrar a viagem que aquilo fez. Você imaginava que a maior parte das perucas do mundo nascesse numa única cidade chinesa?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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