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Quase 9 milhões de brasileiros pediram demissão em 2025 mesmo com desemprego a 5,4%, salários em alta e mercado formal no maior nível da série histórica

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 09/02/2026 às 16:54 Atualizado em 09/02/2026 às 16:55
Em 2025, a demissão recorde expõe como desemprego baixo, salários em alta e mercado formal aquecido mudaram a lógica da troca de emprego no Brasil.
Em 2025, a demissão recorde expõe como desemprego baixo, salários em alta e mercado formal aquecido mudaram a lógica da troca de emprego no Brasil.
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Em 2025, a demissão voluntária bateu recorde: quase 9 milhões trocaram o emprego em um cenário de desemprego a 5,4%, salários com ganho real e mercado formal no maior nível desde 2020. Dados do Novo Caged e da PNAD mostram o paradoxo e as pressões por mobilidade na prática cotidiana

A demissão deixou de ser um evento raro e passou a funcionar como indicador de confiança no próprio mercado. Em 2025, perto de 9 milhões de trabalhadores pediram desligamento voluntário, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, e isso aconteceu justamente quando o desemprego recuou e os salários avançaram.

O contraste é direto: com mais vagas e mais renda, o custo de ficar parado diminui, mas o custo de ficar onde não faz sentido aumenta. Esse movimento aparece dentro do mercado formal, que fechou 2025 com saldo positivo e estoque recorde de pessoas com carteira assinada, reforçando a leitura de um ciclo de troca, não de retração.

O recorde de demissão em 2025 e o que os números realmente dizem

Em 2025, o volume de demissão a pedido do trabalhador se aproximou de 9 milhões, o maior já registrado.

O dado chama atenção porque não veio acompanhado de uma piora generalizada do emprego; veio ao lado de contratações elevadas e rotatividade intensa no mercado formal.

Pelo Novo Caged, 2025 terminou com saldo de 1,27 milhão de vagas com carteira assinada, resultado de 26,59 milhões de admissões e 25,32 milhões de desligamentos.

O estoque de vínculos formais alcançou 48,47 milhões, o maior da série histórica desde 2020, o que ajuda a explicar por que a demissão passou a ser encarada como estratégia em vez de exceção.

Desemprego baixo, salários em alta e o efeito psicológico da troca

Com o desemprego em 5,4% e o rendimento médio real em R$ 3.613, alta de 5% no ano, a percepção de risco muda.

Em um ambiente assim, a demissão pode ser vista como transição planejada, porque a chance de recolocação parece maior do que em ciclos de escassez.

Ao mesmo tempo, salários em alta elevam o parâmetro de comparação: quem recebe proposta melhor mede, com mais clareza, o custo de permanecer.

O ponto não é apenas ganhar mais, é sentir que a trajetória ainda está subindo, o que alimenta a mobilidade dentro do mercado formal e puxa novas rodadas de demissão em 2025.

Mercado formal no topo e rotatividade como motor do próprio sistema

O avanço do mercado formal para um estoque recorde não elimina o atrito entre vaga e pessoa; ele reorganiza esse atrito.

Quando há mais posições abertas e mais admissões, cresce a probabilidade de que um trabalhador mude de lugar para melhorar salário, função ou condições.

Esse mecanismo cria uma dinâmica circular: o mercado formal contrata, alguém pede demissão, outra pessoa ocupa a vaga, e a rotação segue.

Rotatividade alta não é sinônimo de crise por si só; pode ser sinal de disputa por mão de obra, especialmente quando desemprego está baixo e salários estão em trajetória positiva.

Mudanças estruturais fora do emprego tradicional e o papel das alternativas

O recorde de demissão em 2025 também se conecta a alternativas que não dependem do vínculo clássico.

No ano, o trabalho por conta própria cresceu 9,1%, enquanto a informalidade teve leve retração, indicando que parte da movimentação pode migrar para formatos diferentes de renda.

Plataformas digitais e novos modelos de ocupação ampliam as rotas possíveis, mas não eliminam o risco.

Quando a renda se diversifica, a decisão de pedir demissão deixa de ser binária, porque a saída pode ser para outro emprego, para um projeto próprio ou para uma combinação de fontes, ainda influenciada pelo pulso do mercado formal.

Economia, juros e o que 2026 pode mudar na onda de demissão

A renda e o emprego sustentaram o consumo das famílias, especialmente em serviços, mesmo com Selic em 15% ao ano.

Esse detalhe importa porque juros altos tendem a esfriar contratações com atraso; se esse esfriamento vier, a demissão pode perder força como escolha, não por moral, mas por cálculo.

Para 2026, projeções mencionam desemprego entre 5,2% e 5,7% ao final do ano, sugerindo ajuste moderado, não ruptura.

Se salários desacelerarem e o mercado formal reduzir o ritmo de admissões, a demissão pode continuar elevada, mas com outro perfil: menos troca por oportunidade imediata e mais troca por proteção de renda.

O recorde de demissão em 2025 não é um dado isolado; ele conversa com desemprego baixo, salários em alta e um mercado formal no maior nível da série recente.

A mesma combinação que reduz o medo de ficar sem renda também aumenta a intolerância ao trabalho que não entrega futuro, e isso muda a forma como a estabilidade é percebida.

Se você já pediu demissão ou pensa em pedir, qual foi o gatilho real: salário, qualidade de vida, chefia, distância, ou falta de perspectiva? E, olhando para 2026, você acredita que desemprego e salários vão continuar sustentando esse nível de demissão no mercado formal?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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