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Quanto ouro uma mina antiga ainda consegue produzir hoje? A resposta vem de um turno subterrâneo

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 26/01/2026 às 13:31 Atualizado em 26/01/2026 às 14:09
Jornada acompanha 12 horas de trabalho em mina de ouro centenária ativa, mostrando extração, riscos, volume de minério e resultado financeiro do turno.
Jornada acompanha 12 horas de trabalho em mina de ouro centenária ativa, mostrando extração, riscos, volume de minério e resultado financeiro do turno.
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A experiência documenta um turno completo de 12 horas em uma mina de ouro com mais de 125 anos ainda em operação comercial, detalhando etapas de perfuração, uso de explosivos, remoção manual do minério, riscos envolvidos, volume extraído e o valor econômico real obtido ao final do trabalho subterrâneo

Dentro de uma mina de ouro ativa com mais de 125 anos, o canal Ghost Town Living acompanha uma jornada de 12 horas de trabalho subterrâneo que inclui perfuração, detonação, remoção manual de minério e separação de rocha estéril, revelando quanto ouro ainda pode ser extraído em um único turno usando métodos tradicionais em pleno século XXI.

Uma mina histórica ainda em operação

O episódio acompanha o criador do canal Ghost Town Living dentro de uma mina de ouro aberta no final do século XIX, localizada em região montanhosa na fronteira com o Canadá, a mais de 1.300 metros de altitude.

Apesar da idade, o local não é um museu nem atração turística: trata-se de uma mina comercial ativa, acessível apenas cerca de dois meses por ano devido ao acúmulo extremo de neve.

Desde sua abertura, a mina já produziu mais de 30 mil onças de ouro. Considerando valores atuais, isso representa centenas de milhões de dólares em metal extraído ao longo de mais de um século.

Hoje, a operação é conduzida por Mount Baker Mining, que vem recuperando galerias antigas e retomando frentes produtivas abandonadas há décadas.

Certificação e regras modernas para um trabalho antigo

Antes de entrar no subsolo, o vídeo mostra um contraste fundamental entre passado e presente: mesmo com anos de experiência explorando minas abandonadas, o apresentador precisou obter certificação oficial como minerador subterrâneo.

O processo incluiu treinamento da MSHA, órgão regulador de segurança em mineração nos Estados Unidos, realizado em uma sala de conferências fora do ambiente da mina.

A certificação aborda ventilação, evacuação, estabilidade de rochas, uso de explosivos e operação de equipamentos.

O episódio reforça que, apesar do método ser antigo, a mineração moderna exige conformidade legal rigorosa, sem exceções para experiência informal.

A perfuração com tecnologia do século XX

O trabalho subterrâneo começa com a perfuração do veio aurífero utilizando um “jack leg”, perfuratriz pneumática criada no início do século XX e ainda amplamente usada.

Pesando cerca de 120 quilos, o equipamento opera com ar comprimido e água, empurrando automaticamente a broca contra a rocha enquanto pulveriza o pó para reduzir riscos respiratórios.

O veio de quartzo explorado concentra o ouro em uma faixa estreita de aproximadamente 60 a 90 centímetros ao longo da parede superior da galeria, conhecida como hanging wall. Segundo os operadores, o teor médio do minério nessa zona varia entre 0,75 e 1 onça de ouro por tonelada, considerado alto para padrões atuais.

Foram perfurados 16 furos em cerca de duas horas, seguindo um padrão repetitivo ao longo do veio, preparando o terreno para a etapa mais crítica da jornada.

Explosivos e cálculo milimétrico

Com os furos concluídos, entra em cena o uso de explosivos ANFO, mistura de nitrato de amônio e óleo combustível. Cada furo recebe um detonador com atraso programado em milissegundos, além de um reforçador para garantir a detonação adequada do material.

O objetivo é fragmentar o veio aurífero sem comprometer excessivamente a estabilidade da galeria. No entanto, o episódio mostra que mesmo planos bem calculados podem falhar.

A detonação foi mais potente do que o esperado, lançando blocos de rocha a dezenas de metros e misturando minério rico com material estéril.

Esse resultado transforma o restante do turno em uma operação de contenção e limpeza, aumentando riscos e exigindo atenção redobrada para evitar acidentes com detritos metálicos e rochas instáveis.

Mucking: o trabalho mais pesado

Após a ventilação da galeria, começa o mucking, etapa em que o minério fragmentado é removido manualmente. Diferente das minas modernas, que utilizam carregadeiras diesel, todo o processo aqui é feito à força humana.

Os trabalhadores separam visualmente o quartzo mineralizado da rocha sem valor, enchendo sacos de aproximadamente 11 quilos cada.

O esforço físico é intenso, repetitivo e contínuo, refletindo práticas comuns no início do século passado.

O vídeo enfatiza que, nesse tipo de mineração, produtividade está diretamente ligada à resistência física e à experiência em reconhecer minério de alto teor no meio do entulho.

Ouro visível na rocha

Durante a limpeza, a câmera registra um dos momentos mais simbólicos da mineração subterrânea: ouro visível incrustado no quartzo.

Pequenos filamentos metálicos aparecem ao longo do veio, confirmando a qualidade da área trabalhada.

O episódio também explica a origem geológica dessas formações, associadas à atividade magmática antiga. Fluidos ricos em sílica e metais preciosos migraram por fraturas na rocha, cristalizando-se em veios que hoje são explorados.

Essa contextualização conecta ciência, história e trabalho manual em um mesmo espaço físico.

O resultado de 12 horas

Ao final do turno, o balanço é concreto. Foram preenchidos 176 sacos de minério, totalizando cerca de 2,25 toneladas. Com teor estimado de aproximadamente uma onça de ouro por tonelada, o rendimento diário ficou em torno de duas onças.

Com o ouro cotado a cerca de US$ 3.400 por onça no momento da gravação, o valor bruto extraído no turno ultrapassa US$ 6.800. O vídeo deixa claro que esse número não representa lucro líquido, pois não considera custos operacionais, logística, equipamentos e licenciamento.

Uma ponte entre passado e presente

Mais do que os números, o episódio funciona como um retrato raro da mineração tradicional ainda em atividade.

O método empregado se assemelha muito mais ao utilizado há 125 anos do que às operações altamente automatizadas atuais.

Ao final, o apresentador reflete sobre o esforço físico extremo, os riscos constantes e a disciplina exigida dos mineradores do passado.

A jornada documentada pelo Ghost Town Living transforma estatísticas históricas em experiência sensorial, oferecendo ao público uma compreensão direta do trabalho que moldou cidades, economias e fronteiras.

Este artigo foi elaborado com base no vídeo publicado pelo canal Ghost Town Living no YouTube, que documenta uma jornada completa de trabalho em uma mina de ouro comercial histórica operada pela Mount Baker Mining, incluindo perfuração, detonação, remoção de minério e resultados do turno.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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