Estudos de custo no Brasil mostram diferenças relevantes entre drywall e alvenaria de tijolo nas paredes internas, envolvendo preços, produtividade, desperdício e isolamento acústico em obras populares e edifícios, com base em dados de SINAPI e pesquisas técnicas.
A substituição da alvenaria de tijolo cerâmico por paredes internas em drywall deixou de ser uma tendência de nicho e passou a aparecer em estudos de custo de obras populares em várias regiões do Brasil.
Levantamentos acadêmicos baseados em composições do SINAPI e em orçamentos reais de edificações indicam que, na vedação interna, o drywall pode ficar entre cerca de 15% e 19% mais barato do que a alvenaria de blocos cerâmicos, com execução até duas vezes mais rápida, menor geração de entulho e desempenho acústico igual ou superior, dependendo da especificação utilizada.
O drywall, sistema de chapas de gesso acartonado parafusadas em perfis metálicos, é adotado no Brasil principalmente em paredes internas de edifícios residenciais e comerciais.
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Já a alvenaria de tijolo ou bloco cerâmico segue como padrão em boa parte das obras, sobretudo em habitações de interesse social e casas populares, por tradição construtiva e pela ampla oferta de mão de obra treinada nesse método.
Estudos de vedações verticais internas comparam os dois sistemas em termos de custo, produtividade, desempenho acústico e impacto ambiental, tomando como base normas como a NBR 15575, que define requisitos mínimos para paredes internas quanto a isolamento sonoro e conforto.
Custo por metro quadrado das paredes internas
Quando se observa o custo direto por metro quadrado, diversos trabalhos apresentam valores consolidados.
Em um estudo de caso com 660,90 m² de paredes internas de um edifício, a alvenaria de bloco cerâmico foi orçada em 107,53 reais por metro quadrado, enquanto o drywall ficou em 90 reais por metro quadrado, o que representa uma redução de 16,3% no custo final da vedação interna.

Outro trabalho, elaborado no Instituto Federal da Paraíba com base em tabelas do SINAPI de janeiro de 2019 para uma residência unifamiliar popular, apurou que a vedação interna em drywall teve custo cerca de 15,44% menor do que a alvenaria com blocos cerâmicos, considerando materiais e mão de obra.
O autor atribui a diferença principalmente ao valor da mão de obra e à maior produtividade do sistema leve em gesso acartonado.
Análises feitas em edifícios multifamiliares chegam a porcentagens semelhantes.
Em um estudo de viabilidade econômica com substituição das paredes internas de bloco cerâmico por drywall, o custo global da obra com o sistema leve apresentou redução da ordem de 19% em relação ao cenário em que todas as vedações eram em alvenaria tradicional.
Diferenças de mão de obra e produtividade
A composição de preço desses sistemas ajuda a explicar o resultado.
Nas paredes de tijolo ou bloco cerâmico, é necessário considerar o custo das peças, da argamassa de assentamento e, em muitos casos, do reboco completo antes da pintura.
O processo envolve mais etapas úmidas, maior tempo de cura e um volume importante de argamassa, o que exige mais horas de pedreiro e ajudante por metro quadrado.
No drywall, a parede é formada por uma estrutura de perfis metálicos, parafusos e chapas de gesso, podendo receber lã mineral em seu interior conforme a exigência acústica ou térmica.
As chapas já chegam com superfície pronta para massa de acabamento e pintura, dispensando o reboco tradicional.
A execução é planejada, com cortes previamente dimensionados, o que reduz retrabalho e simplifica o controle de materiais no canteiro.
A produtividade é outro fator decisivo.
Em um dos estudos que compararam o desempenho em uma área interna de 660,90 m², a equipe composta por um pedreiro e um ajudante executou, em média, 15 m² por dia de alvenaria convencional de bloco cerâmico.
Com o mesmo número de trabalhadores, o drywall atingiu 30 m² por dia, o dobro de rendimento.
Isso significa que, numa área idêntica, a parede em blocos demandou pouco mais de 44 dias de trabalho, enquanto a parede em drywall foi concluída em cerca de 22 dias.
Textos técnicos e publicações de empresas especializadas reforçam essa diferença, mencionando que o sistema em gesso acartonado é um processo de construção a seco que encurta etapas e pode reduzir significativamente o ciclo de execução das vedações internas em comparação à alvenaria em tijolos.
Desperdício, entulho e impacto estrutural

A geração de entulho e o desperdício de materiais também aparecem com destaque nas comparações.
Trabalhos acadêmicos que tratam do tema apontam o drywall como uma solução de “obra limpa”, com menor volume de resíduos do que a alvenaria convencional em bloco cerâmico.
A justificativa recorrente é que as chapas são cortadas nas dimensões necessárias, com alto grau de planejamento, enquanto a alvenaria requer ajustes e quebras no canteiro, gerando sobras de blocos e argamassa.
Há estudos que citam reduções médias de entulho em torno de 15% quando se substitui a alvenaria de vedação por drywall.
Além do aspecto ambiental, o menor peso do sistema tem reflexos no projeto estrutural.
Paredes em drywall podem ser de seis a sete vezes mais leves do que alvenarias de blocos cerâmicos, o que diminui as cargas permanentes transmitidas à estrutura e às fundações.
Em edifícios, esse alívio de peso pode permitir otimização de seções estruturais e, em alguns casos, ganho de área útil interna, já que as paredes em gesso acartonado podem ocupar menos espessura para atingir o mesmo desempenho.
Há estudos que estimam aumento de até 4% na área útil a cada 100 m² quando se substitui a alvenaria interna convencional por drywall, em função da menor espessura de parede.
Isolamento acústico e conforto nas paredes internas
O desempenho acústico é um dos pontos de maior interesse para quem pensa em trocar o tijolo pelo drywall nas divisórias internas.
Ensaios específicos com paredes-teste mostram que, em determinadas configurações, a parede em drywall, com duas chapas e preenchimento interno adequado, pode apresentar índice de isolamento sonoro alguns decibéis superior à parede de blocos cerâmicos analisada.
Em um estudo, a vedação em gesso acartonado obteve resistência acústica aproximadamente 2,8 decibéis maior do que a alvenaria, sendo ao mesmo tempo significativamente mais leve.

Pesquisas sobre desempenho de blocos e tijolos cerâmicos mostram, por outro lado, que as paredes de alvenaria também podem atender às exigências mínimas de isolamento da NBR 15575, desde que respeitadas espessura, tipo de bloco e qualidade de execução.
A comparação entre sistemas, portanto, depende de paredes reais e não apenas do material isolado, já que detalhes de juntas, revestimentos e preenchimentos alteram o resultado.
Escolha do sistema e variação regional de custos
Nos canteiros brasileiros, o tijolo cerâmico mantém presença forte em obras residenciais pela familiaridade de construtores, pela logística de fornecimento e pelo custo competitivo do insumo em regiões com produção local.
O drywall, por sua vez, avança principalmente em edifícios verticais, empreendimentos comerciais e projetos que buscam maior velocidade de entrega, obra limpa e facilidade de passagem de instalações nas paredes internas.
As porcentagens de economia de custo e de redução de entulho apresentadas nos estudos citados referem-se a casos específicos, com datas e regiões claramente definidas, baseadas em tabelas do SINAPI e orçamentos de obras concretas.
Não há, em fontes públicas nacionais, um único valor médio oficial que represente todo o Brasil, o que significa que os números podem variar conforme a cidade, o padrão de acabamento, os fornecedores e a qualificação da mão de obra utilizada em cada obra.
Diante de uma economia de até quase um quinto no custo das vedações internas, menor prazo de execução, redução comprovada de resíduos e a possibilidade de atingir desempenho acústico compatível ou superior ao da alvenaria de tijolo, qual dessas soluções você considera mais vantajosa para as paredes internas de uma casa popular na realidade da sua região?
