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Q-Day vem aí: a ameaça quântica que pode destrancar senhas, bancos, criptomoedas, dados médicos e virar a segurança da internet de cabeça para baixo

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 20/05/2026 às 23:41
Atualizado em 20/05/2026 às 23:43
Disco rígido aberto ao lado de notebook com códigos digitais iluminados em azul e roxo, representando a ameaça quântica à segurança da internet.
Imagem representa o avanço da computação quântica e o risco de quebra da criptografia que protege bancos, dados médicos, e-mails e criptomoedas — Foto: Divulgação
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Computadores quânticos podem desafiar a criptografia que protege bancos, e-mails, criptomoedas, dados médicos e comunicações privadas na internet.

A ameaça quântica conhecida como Q-Day acendeu um alerta global na cibersegurança, porque esse marco representa o momento em que computadores quânticos poderão quebrar sistemas de criptografia usados atualmente na internet.

Segundo Michele Mosca, cofundador da evolutionQ e professor do Institute for Quantum Computing da University of Waterloo, esse será o dia em que adversários poderão acessar máquinas capazes de decifrar códigos criptográficos em uso.

Transações financeiras, e-mails, carteiras de criptomoedas, históricos médicos e arquivos sensíveis dependem hoje de algoritmos criados para resistir aos computadores tradicionais.

A computação quântica, no entanto, pode mudar esse equilíbrio, porque utiliza uma lógica de processamento muito diferente da tecnologia convencional.

Relatório técnico coloca a ameaça no radar global

O Quantum Threat Timeline Report, publicado pelo Global Risk Institute em 9 de março, apontou que um computador quântico criptograficamente relevante é “bastante possível” nos próximos 10 anos.

O mesmo relatório avaliou como “provável” que essa capacidade surja em até 15 anos, com base na opinião de 26 especialistas consultados.

Segundo os autores, muitas organizações talvez não saibam que já estão expostas a um nível de risco considerado intolerável.

Esse cenário preocupa porque dados criptografados podem ser roubados hoje e descriptografados no futuro, em ataques conhecidos como “colher agora, descriptografar depois”.

Google mira 2029 e acelera a corrida pós-quântica

O Google afirmou, em 25 de março, que estabeleceu 2029 como meta para garantir segurança na era quântica com criptografia pós-quântica.

A Cloudflare também passou a trabalhar com 2029 como referência, reforçando a urgência da transição digital em todo o setor.

Segundo o Google, esse prazo reflete avanços recentes na computação quântica e busca acelerar mudanças em empresas, governos e provedores de tecnologia.

A corrida ganhou força porque a criptografia funciona como uma estrutura invisível da economia digital, protegendo páginas, pagamentos e comunicações privadas.

Criptografia atual pode virar alvo de computadores quânticos

A segurança de grande parte da internet depende de algoritmos como o RSA, criado por Ron Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman.

Esse sistema usa problemas matemáticos difíceis para computadores tradicionais, especialmente a fatoração de números grandes.

Computadores quânticos funcionam de outra maneira. Eles usam qubits, que podem representar 0, 1 ou ambos simultaneamente.

Essa propriedade, chamada superposição, permite processar cálculos complexos de forma diferente e pode afetar sistemas criptográficos usados hoje.

Criptomoedas entram no centro da preocupação

O Google informou, em 31 de março, que uma pesquisa apontou redução de cerca de 20 vezes no número de qubits físicos necessários para atacar a base matemática da criptografia de curva elíptica, conhecida como ECC.

Essa tecnologia protege partes críticas de blockchains e criptomoedas.

Segundo Catherine Mulligan, pesquisadora associada do Imperial College London, o estudo funciona como um “tiro de advertência” para o setor cripto.

Redes descentralizadas podem enfrentar dificuldades para atualizar seus sistemas, porque dependem de consenso entre engenheiros e participantes.

Migração pode levar de 10 a 20 anos

Governos dos Estados Unidos e do Reino Unido já publicaram padrões para criptografia pós-quântica.

O National Institute of Standards and Technology, conhecido como NIST, finalizou em 2024 algoritmos criados para resistir a ataques de computadores quânticos.

Dustin Moody, matemático do NIST, afirmou que migrações criptográficas costumam levar de 10 a 20 anos.

Um computador quântico disponível em cinco anos poderia encontrar uma transição global ainda incompleta.

Dispositivos médicos também entram na zona de risco

A ameaça quântica também preocupa especialistas que estudam dispositivos biomédicos sem fio, como bombas de insulina e marcapassos.

Seoyoon Jang, doutoranda do Massachusetts Institute of Technology, trabalha em soluções para proteger esses equipamentos contra ataques quânticos.

Esses dispositivos possuem limitações de energia e podem não suportar protocolos de segurança mais pesados.

Jang desenvolveu com colegas um microchip ultraeficiente, criado para incluir proteção pós-quântica em equipamentos pequenos.

O Q-Day pode chegar antes do mundo perceber

O relatório mais recente do Global Risk Institute alertou que avanços secretos em laboratórios estatais, empresas privadas ou grupos mal-intencionados podem dificultar a previsão real do Q-Day.

O verdadeiro marco pode ocorrer antes que o mundo tenha conhecimento público da capacidade quântica necessária para quebrar criptografias atuais.

Governos, empresas e fornecedores de tecnologia precisam acelerar a migração para padrões pós-quânticos, porque dados protegidos hoje podem ficar vulneráveis amanhã.

A internet depende de criptografia para funcionar com segurança; diante disso, o mundo digital está realmente preparado para enfrentar o impacto do Q-Day?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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