Após cinco anos de desenvolvimento e testes iniciados em 2020, o projeto alemão eHaul concluiu a primeira estação europeia não chinesa de troca de baterias para caminhões elétricos pesados, capaz de substituir conjuntos em 10 minutos e com meta técnica de reduzir o tempo para menos de 5 minutos, abrindo caminho para padronização e uso comercial no continente.
O projeto eHaul concluiu, após cinco anos de desenvolvimento e testes na Alemanha, a primeira estação europeia não chinesa de troca de baterias para caminhões elétricos pesados, com capacidade atual de substituição em 10 minutos e meta de reduzir o processo para menos de 5 minutos, ampliando a viabilidade operacional do transporte de cargas eletrificado.
Contexto do eHaul e a troca de baterias no transporte pesado
Entre as alternativas para o carregamento de veículos elétricos, a troca de baterias permanece pouco difundida, apesar de suas vantagens operacionais.
A NIO consolidou esse modelo na China, mas na Europa sua presença ainda é limitada.
-
A cada 30 minutos, um carro voador sai: fábrica gigante de 120 mil m² na China já começou a produzir veículo de seis rodas com aeronave elétrica na traseira
-
Ferrari vê mais de US$ 4 bilhões evaporarem após revelar seu primeiro carro 100% elétrico de US$ 640 mil com investidores questionando se o Luce ainda parece uma Ferrari
-
GAC lança “Kombi híbrida chinesa” com 7 lugares mais barata que Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid no Brasil; por cerca de R$ 177 mil na conversão sem impostos, Trumpchi E8 PHEV tem motor 2.0, câmbio DHT, autonomia elétrica de 150 km e cabine familiar premium para quem vive na China
-
Suzuki vende “jipinho 4×4 familiar” com 5 portas, motor 1.5, chassi de longarinas, tração 4×4 com reduzida e preço equivalente a cerca de R$ 77.000 sem impostos, abaixo do Jeep Renegade vendido no Brasil: conheça o Jimny 5-Door na Índia
O eHaul surge como a primeira estação de troca de baterias para caminhões elétricos pesados fora do contexto chinês, desenvolvida integralmente na Alemanha.
O projeto teve início em outubro de 2020, com um cronograma original de três anos para desenvolvimento e testes, prevendo lançamento em 2023.
A pandemia de COVID-19 provocou atrasos relacionados a fornecedores e logística, estendendo o prazo em um ano.
Além disso, a equipe decidiu ampliar a fase prática de um para dois anos, resultando em um ciclo total de cinco anos até a conclusão.
Consórcio alemão e abordagem de desenvolvimento
O eHaul é resultado de um consórcio alemão liderado pela TU Berlin, com participação da IBAR Systemtechnik, Reinert Logistics, Bosch, Unitax Pharmalogistik e Urban Energy.
Segundo comunicado da universidade, a coordenação científica esteve sob responsabilidade da Dra. Stefanie Marker, professora sênior de armazenamento de energia móvel no Departamento de Tecnologia de Armazenamento de Energia Elétrica.
De acordo com Marker, o projeto adotou uma abordagem incomum no setor. O protótipo foi submetido inicialmente a testes de estresse contínuos em laboratório para avaliar sua adequação ao uso real. Somente após essa etapa houve a transição direta para a aplicação prática, iniciada em 2023.
O desempenho dessa fase levou à sua extensão por mais dois anos, permitindo ajustes e amadurecimento do conceito.
Resultados práticos e evolução para produção em série
Durante a fase prática, a equipe acumulou dados operacionais considerados essenciais para a evolução do sistema.
Essas lições foram incorporadas ao desenvolvimento do projeto subsequente, denominado UniSwapHD, voltado à adaptação do conceito para produção em série em colaboração com fabricantes europeus de caminhões.
Com a conclusão da fase de desenvolvimento financiada com recursos públicos, os responsáveis avaliam que o sistema está pronto para a etapa de comercialização.
Todo o aprendizado foi sistematizado para a criação da estação de troca de baterias considerada versão 2.0, com mudanças estruturais relevantes em relação ao modelo inicial.
Mudanças técnicas e redução do tempo de troca
Entre as principais alterações previstas está a preferência pela troca das baterias pela parte inferior do caminhão, em vez da lateral, como ocorre atualmente.
Segundo a equipe, essa configuração oferece ganhos em velocidade, confiabilidade e compatibilidade com diferentes plataformas de veículos pesados.
Atualmente, o processo completo de troca leva cerca de 10 minutos. Embora esse tempo possa parecer elevado, ele é significativamente menor quando comparado ao necessário para recarregar baterias de grande capacidade utilizadas em caminhões elétricos.
Com as melhorias implementadas, a expectativa é reduzir o tempo total para menos de 5 minutos, aumentando a eficiência operacional.
Desgaste, software e rentabilidade das estações
Os testes indicaram que as melhorias mais relevantes concentram-se em áreas sujeitas a maior desgaste, como a comunicação entre as baterias e o software da estação, além dos processos de carregamento e descarregamento dentro da área de armazenamento.
Marker destaca que essas operações são rápidas e independentes da conexão de rede disponível, o que permite responder a demandas inesperadas por baterias totalmente carregadas.
A redução desses tempos tende a tornar o sistema mais conveniente para os usuários e, simultaneamente, elevar a rentabilidade das estações, ao permitir maior rotatividade e melhor aproveitamento da infraestrutura instalada, mesmo em cenários de alta demanda operacional.
Padronização e impacto ambiental do transporte pesado
Para Jens Jerratsch, líder do projeto UniSwapHD, a padronização é um fator decisivo para a adoção em larga escala da troca de baterias na Europa.
Segundo ele, processos de normalização são estratégicos para a indústria alemã e europeia, especialmente considerando que sistemas semelhantes já estão disseminados na China, onde um terço dos novos caminhões elétricos registrados desde 2023 utiliza essa tecnologia.
O foco no transporte pesado se justifica pelo impacto ambiental do setor.
Na Alemanha, veículos pesados de mercadorias respondem por quase um terço das emissões de gases de efeito estufa, apesar de representarem apenas 3% da frota total.
A conversão desse segmento para a eletrificação, apoiada por soluções como a troca rápida de baterias, pode gerar um impacto ambiental considerável, acelerando a redução das emissões no transporte rodoviário de cargas, mesmo diante de dessafios operacionais ainda em consolidação.

-
-
-
-
-
-
29 pessoas reagiram a isso.