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Produtores de goiaba no Rio Grande do Sul estão descartando toneladas da fruta porque as empresas compradoras simplesmente pararam de aceitar a produção mesmo com uma das melhores safras dos últimos anos e enquanto o consumidor paga cada vez mais caro

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 19/04/2026 às 15:44 Atualizado em 19/04/2026 às 15:46
Produtores de goiaba no RS descartam toneladas da fruta porque empresas pararam de comprar. Custos mantidos, margem zerada
Produtores de goiaba no RS descartam toneladas da fruta porque empresas pararam de comprar. Custos mantidos, margem zerada
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Produtores de goiaba no Rio Grande do Sul enfrentam um cenário devastador: com uma das maiores safras dos últimos anos, as empresas compradoras ficaram sobrecarregadas e passaram a restringir ou suspender a aquisição da fruta. Sem estrutura para armazenar, produtores como Simone Back e Sidnei Rauber, de Feliz (RS), descartam toneladas de goiaba enquanto o consumidor paga caro no mercado.

Produtores de goiaba no interior do Rio Grande do Sul estão jogando fora toneladas de fruta que cultivaram durante meses porque simplesmente não têm para quem vender. O cenário é paradoxal: a safra de goiaba é uma das melhores dos últimos anos na região, mas as empresas compradoras ficaram sobrecarregadas com o volume e passaram a restringir ou até suspender a aquisição da fruta. Sem estrutura adequada para armazenar e escoar toda a produção de goiaba, muitos produtores ficaram sem saída e o descarte se tornou a única opção, gerando prejuízo direto para famílias que dependem da fruta como principal fonte de renda. Os custos de produção permanecem, mas sem comercialização, a margem é zero.

O problema ficou visível após publicações nas redes sociais da produtora Simone Back e do marido, Sidnei Rauber, da comunidade de Arroio Feliz, em Feliz (RS). O casal relatou que a situação é resultado de uma sequência de dificuldades que começou em 2024, quando enchentes atingiram a região e causaram perdas significativas nas lavouras de goiaba, com deslizamentos de áreas e redução no número de plantas. Em 2025, a safra foi considerada mediana, e os produtores ainda enfrentam atrasos nos pagamentos pelas vendas anteriores. Agora, com a alta produção em toda a região, o excesso de oferta fez com que as empresas compradoras travassem, e a goiaba que deveria virar suco, doce ou polpa está apodrecendo no chão.

Por que as empresas pararam de comprar a goiaba dos produtores gaúchos

A explicação é uma combinação de excesso de oferta localizado e capacidade limitada de processamento. Quando todos os produtores de uma região colhem goiaba ao mesmo tempo e em volumes acima da média, as indústrias que processam a fruta atingem o limite de absorção e não conseguem receber, armazenar e processar tudo que é oferecido. As fábricas de polpa, suco e doce operam com capacidade fixa de processamento, e quando a oferta de goiaba ultrapassa essa capacidade, alguém fica de fora.

O problema é agravado pela ausência de infraestrutura de armazenamento refrigerado na região produtora. A goiaba é uma fruta perecível que amadurece rapidamente após a colheita e não pode esperar semanas na propriedade rural até que a indústria tenha espaço para recebê-la. Sem câmaras frias acessíveis e sem alternativas de escoamento como feiras diretas ao consumidor ou exportação, os produtores de goiaba ficam reféns de um número limitado de compradores que ditam quando, quanto e a que preço vão comprar.

O paradoxo entre o descarte da goiaba e o preço pago pelo consumidor

Segundo informações divulgada pelo portal Canal Rural, a situação mais difícil de aceitar para quem produz goiaba é saber que, enquanto toneladas da fruta apodrecem nas propriedades, o consumidor final paga cada vez mais caro por ela no supermercado. O preço da goiaba no varejo não caiu mesmo com a supersafra na região produtora, porque a cadeia de intermediação entre o produtor e a gôndola absorve margens que não se refletem no campo. O produtor não consegue vender por falta de comprador, mas o consumidor paga caro porque o varejo opera com preços que consideram custos de transporte, refrigeração, margem do atacadista e margem do varejista.

Esse descompasso é estrutural e afeta produtores de goiaba em todo o Brasil. Quem planta não tem poder de negociação sobre o preço e depende de poucos compradores que podem simplesmente parar de comprar quando lhes convém. O produtor que investiu em mudas, adubos, defensivos, mão de obra e irrigação durante todo o ciclo da goiaba não tem como devolver esses custos quando a fruta não é vendida. O resultado é margem zerada para quem produziu e lucro mantido para quem comercializa.

As enchentes de 2024 que pioraram a situação dos produtores de goiaba

O cenário atual não surgiu do nada. Em 2024, enchentes devastadoras atingiram o Rio Grande do Sul e causaram perdas significativas nas lavouras de goiaba da região, com deslizamentos de terra que destruíram áreas produtivas e reduziram o número de plantas em muitas propriedades. Os produtores que sobreviveram às enchentes investiram no replantio e na recuperação das áreas danificadas, esperando que a safra seguinte compensasse os prejuízos.

A ironia é cruel. A safra de 2025 veio com qualidade e volume superiores ao esperado, mas em vez de representar a recuperação financeira que os produtores de goiaba precisavam, a boa colheita criou um excesso de oferta que as empresas compradoras não absorveram. Produtores que perderam tudo nas enchentes e se endividaram para recomeçar agora veem a goiaba que deveria pagar as dívidas sendo descartada no chão. Os atrasos nos pagamentos das vendas anteriores agravam o cenário financeiro e deixam muitas famílias em situação desesperadora.

O que falta para que os produtores de goiaba não precisem descartar a fruta

A solução passa por infraestrutura, diversificação de mercado e política pública. Câmaras frias comunitárias ou cooperativas que permitam armazenar a goiaba por mais tempo dariam aos produtores a capacidade de esperar até que as indústrias tenham espaço para receber a fruta, evitando o descarte imediato que acontece quando a colheita e a capacidade de processamento não coincidem.

A diversificação de canais de venda também é essencial. Produtores de goiaba que dependem de uma ou duas empresas compradoras estão vulneráveis a exatamente o tipo de situação que aconteceu no Rio Grande do Sul: basta que essas empresas parem de comprar para que toda a produção fique sem destino. Feiras livres, venda direta ao consumidor, programas de aquisição de alimentos do governo e parcerias com restaurantes e padarias são alternativas que diluem o risco e garantem que a goiaba chegue a quem quer comprá-la em vez de apodrecer no campo.

O impacto humano do descarte da goiaba no Rio Grande do Sul

Por trás das toneladas de goiaba descartadas existem famílias inteiras que vivem da fruta. Simone Back e Sidnei Rauber, que publicaram vídeos nas redes sociais mostrando o desperdício, representam centenas de produtores da comunidade de Arroio Feliz e da região de Feliz que enfrentam a mesma situação sem visibilidade midiática. Para essas famílias, a goiaba não é apenas um produto agrícola: é a fonte de renda que paga contas, sustenta filhos e mantém a propriedade funcionando.

O descarte de goiaba em plena safra é um desperdício que deveria indignar tanto quanto a fome que persiste no mesmo país. Enquanto produtores jogam fruta fora por falta de comprador, bancos de alimentos e programas sociais enfrentam escassez de doações, em uma desconexão entre oferta e demanda que tecnologia, logística e vontade política poderiam resolver. A goiaba que apodrece no chão do Rio Grande do Sul é a prova mais concreta de que produzir alimentos no Brasil ainda é um ato de coragem que nem sempre é recompensado.

Produtores de goiaba no RS descartam toneladas da fruta porque as empresas pararam de comprar. Você acha que o governo deveria intervir? Quem é o responsável por esse desperdício? Deixe sua opinião nos comentários.

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Alex
Alex
24/04/2026 09:21

Poderiam doar está produção abrindo o pomar para colheita gratuitas para orfanatos asilos abrigos casas de repouso com certeza muitos vão querer

José Arlindo Barbosa
José Arlindo Barbosa
24/04/2026 09:02

Na verdade, é falta de planejamento. Os produtores deveriam investir em tecnologia e na abertura de novos mercados. Esperar por ações governamentais e políticas é um erro infantil. Como a produção é muito boa, vão ao BNDES e invistam em cooperativas e fábricas de doces e sucos! O risco de perda da produção chega a zero. O mercado externo pode ser uma opção viável. Haja vista que o ATUAL governo abriu 520 novos mercados para o BRASIL.
O que não pode acontecer é jogar fora toneladas de alimentos enquanto a população paga caro no supermercado e feiras feiras.

Manoel Carlos Monteiro da Silva
Manoel Carlos Monteiro da Silva
23/04/2026 10:09

Sim o governo poderia ajudar o gaúchos ajudam tantas ONG porque não os produtores de goiaba.isso é inadmissível

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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