Produção de etanol cresce no Brasil, impulsionada pelo mercado de açúcar, e indústria busca ampliar consumo do combustível.
A produção de etanol no Brasil deve registrar forte expansão nas próximas safras, impulsionada por mudanças no mercado de açúcar, preços internacionais e estratégias da indústria de biocombustíveis.
A consultoria Datagro projeta que o país produzirá 33,89 bilhões de litros em 2025/26 e 38,42 bilhões em 2026/27, um avanço significativo que já provoca ajustes no setor.
O movimento ocorre principalmente no Centro-Sul, maior polo produtor, e está diretamente ligado à competitividade do combustível frente ao açúcar.
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Segundo especialistas, essa mudança acontece porque o cenário global favorece o etanol, tanto pelo comportamento do petróleo quanto pela queda nos preços do açúcar. Além disso, fatores geopolíticos e a busca por segurança energética reforçam a importância do biocombustível no Brasil e no mundo.
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Preço do açúcar favorece produção de etanol
A decisão das usinas de ampliar a produção de etanol está diretamente relacionada à perda de competitividade do açúcar no mercado internacional. Atualmente, o preço do açúcar exportado apresenta queda relevante em comparação aos últimos anos.
De acordo com a Datagro, o valor do açúcar está cerca de 37,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Esse cenário, portanto, reduz o interesse da indústria em priorizar o adoçante.
“Não resta muita dúvida sobre qual é o mix de produção que incentiva o produtor”, afirmou Plinio Nastari, presidente da consultoria.
Além disso, a diferença de preços entre açúcar e etanol tem superado 200 pontos, chegando a mais de 310 pontos no caso do etanol anidro. Isso reforça ainda mais a preferência pelo biocombustível dentro da estratégia das usinas.
Petróleo e cenário global impulsionam o combustível
Outro fator determinante para o crescimento da produção de etanol é o comportamento do mercado internacional de petróleo. Tensões geopolíticas recentes elevaram os preços do barril, chegando próximo de US$ 120 em determinados momentos.
Esse cenário, aliado às dificuldades logísticas e de seguros marítimos, aumenta a incerteza no fornecimento global de combustíveis fósseis. Como resultado, o etanol ganha destaque como alternativa mais segura e sustentável.
Segundo Nastari, essa instabilidade reforça a importância dos biocombustíveis:
“Mesmo que o preço do petróleo recue, eu acho que aumenta a percepção sobre a importância de o mundo valorizar os biocombustíveis pela segurança que eles oferecem”.
Indústria enfrenta desafio de consumir toda a produção de etanol
Apesar do crescimento da produção de etanol, a indústria agora enfrenta um novo desafio: garantir demanda suficiente para absorver a oferta recorde.
A expectativa é que a produção nacional ultrapasse 40 bilhões de litros na safra 2026/27, considerando todas as regiões. Isso representa um aumento de cerca de 4 bilhões de litros em relação ao ciclo atual.
Diante desse cenário, especialistas afirmam que será necessária uma “superdemanda” para equilibrar o mercado. Assim, empresas do setor já começam a investir em estratégias comerciais e campanhas de incentivo ao consumo do combustível.
Consumo de etanol deve crescer, mas exige competitividade
A projeção da Datagro indica que o consumo de etanol hidratado pode crescer significativamente, atingindo 24,3 bilhões de litros. Isso dependerá, principalmente, da competitividade frente à gasolina.
Atualmente, a expectativa é que a relação de preços entre etanol e gasolina fique entre 64% e 65% nos postos, patamar considerado atrativo para o consumidor.
No entanto, o desafio não está apenas em São Paulo, principal referência do mercado. Em outros estados, o combustível ainda enfrenta dificuldades para ganhar espaço.
Diferença regional limita avanço do combustível
Embora o Brasil seja um dos maiores produtores de etanol do mundo, o consumo do combustível ainda é desigual entre os estados.
Em Pernambuco, por exemplo, o etanol representou apenas 13% das vendas do ciclo Otto em 2025. Já no Rio Grande do Sul, a participação foi ainda menor, de apenas 2,3%.
Esse cenário revela um gargalo importante para a indústria: ampliar a presença do biocombustível fora dos principais centros consumidores.
“Precisamos mostrar que o etanol é bom para o carro e garantir um preço competitivo”, destacou Mário Campos Filho, presidente da Bionergia Brasil.
Estratégias incluem marketing e aumento da mistura na gasolina
Para ampliar o consumo, o setor aposta em campanhas de conscientização e na expansão do mercado interno. Além disso, há expectativa de aumento na mistura de etanol anidro à gasolina.
Atualmente, o percentual é de 30%, mas pode chegar a 35% nos próximos anos, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro.
Essa medida pode elevar significativamente a demanda, ajudando a equilibrar a crescente produção de etanol.
Produção de etanol deve redefinir o futuro da indústria
O avanço da produção de etanol representa uma transformação importante para a indústria brasileira. Enquanto o açúcar perde espaço, o combustível ganha protagonismo, impulsionado por fatores econômicos e ambientais.
Ao mesmo tempo, o setor precisará investir em competitividade, logística e comunicação para garantir que o aumento da produção seja acompanhado pelo crescimento do consumo.
Assim, o Brasil consolida sua posição estratégica no mercado global de energia renovável, mas enfrenta o desafio de equilibrar oferta e demanda em um cenário cada vez mais dinâmico.

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