1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Primeiro satélite 100% brasileiro: conheça o equipamento totalmente nacional que marca uma virada histórica na engenharia do país, criado por alunos e testado no Brasil
Faça um comentário 6 min de leitura

Primeiro satélite 100% brasileiro: conheça o equipamento totalmente nacional que marca uma virada histórica na engenharia do país, criado por alunos e testado no Brasil

Foto de perfil do autor Fabio Lucas Carvalho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 14/11/2025 às 01:13 Atualizado em 14/11/2025 às 01:14
Primeiro satélite 100% brasileiro, criado por alunos da UFSC, será lançado de Alcântara para validar tecnologias nacionais e marcar um novo capítulo
Primeiro satélite 100% brasileiro, criado por alunos da UFSC, será lançado de Alcântara para validar tecnologias nacionais e marcar um novo capítulo
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Satélite totalmente desenvolvido na UFSC simboliza avanço decisivo da engenharia brasileira, unindo alunos e pesquisadores na criação de uma tecnologia inédita

O Brasil caminha para um marco inédito ao lançar, no dia 22 de novembro, o primeiro satélite desenvolvido com tecnologia 100% nacional.

A iniciativa nasce na Universidade Federal de Santa Catarina, e integra um projeto que pretende ampliar a capacidade do país de coletar e monitorar dados ambientais.

O lançamento, previsto para ocorrer a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, envolve estudantes, pesquisadores, empresas brasileiras e uma parceria internacional que permitirá a operação sem custos para a universidade.

A missão também consolida uma plataforma projetada no país e reforça a formação de novos profissionais capazes de atuar em todas as etapas de uma missão espacial.

Satélite nacional integra constelação ambiental

A UFSC lidera o desenvolvimento do primeiro satélite 100% nacional, criado para integrar uma constelação focada na coleta de dados ambientais em todo o território brasileiro.

Por terem dimensões reduzidas, esses equipamentos funcionam como parte do sistema nacional de monitoramento, que utiliza informações para prever o tempo e acompanhar mudanças ambientais.

A iniciativa reúne professores e estudantes no SpaceLab, o Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais da UFSC. O trabalho começou há cinco anos, com equipes de diferentes áreas da engenharia.

Essa integração garante uma formação completa aos alunos e impulsiona a criação de tecnologias próprias.

A estudante Maria Eduarda Emiliano Rezende, do curso de engenharia mecânica, destaca esse intercâmbio interno como um dos alicerces do projeto.

Ela afirma que a presença de alunos de engenharia elétrica, eletrônica, materiais e mecânica constrói um ambiente essencial para o crescimento profissional.

O resultado dessa cooperação aparece na reta final do desenvolvimento, com o satélite pronto para ir ao espaço e com a inclusão de um segundo equipamento na mesma missão, algo que amplia o escopo de testes da nova tecnologia.

Lançamento previsto para o fim de novembro

A Força Aérea Brasileira prevê o lançamento para o dia 22 de novembro. O veículo que partirá de Alcântara transportará cinco satélites e três experimentos.

O transporte dos equipamentos da UFSC começou em Florianópolis e terminou na base maranhense, onde as equipes acompanham as últimas etapas da preparação.

A operação ocorre por meio de uma parceria com a Agência Espacial Brasileira e com uma empresa privada da Coreia do Sul, que garantiu a participação sem custos para a universidade.

Entre os detalhes confirmados da missão, a equipe informa:

  • os satélites vão ser lançados a cerca de 300 km de altitude
  • eles vão permanecer aproximadamente 5 semanas no espaço
  • cada equipamento dará 19 voltas ao redor da Terra durante o período de coleta de dados
  • as informações coletadas serão enviadas para a UFSC para processamento e rastreamento

Essas etapas integram o esforço para consolidar uma nova tecnologia nacional e fortalecer o monitoramento ambiental brasileiro.

FloripaSat-2 amplia a validação de sistemas

Além do satélite ambiental, o SpaceLab se prepara para levar à órbita dois novos modelos da família FloripaSat, denominados FloripaSat-2A e FloripaSat-2B.

O lançamento ocorrerá na missão Spaceward 2025, que também partirá de Alcântara. O foco central é a validação em órbita das tecnologias desenvolvidas internamente pelo laboratório.

Será a primeira vez que uma plataforma completa projetada inteiramente pela UFSC será testada no espaço. O professor Eduardo Bezerra, coordenador do SpaceLab, ressalta que essa etapa representa o amadurecimento de uma linha de pesquisa construída ao longo dos anos.

Ele afirma que o processo une ciência, tecnologia e formação de pessoas, além de consolidar a capacidade brasileira de atuar em todas as etapas de uma missão espacial.

O projeto começou com o FloripaSat-1, lançado em 2019, quando parte dos subsistemas ainda precisava ser importada de países europeus. Agora, a plataforma FloripaSat-2 alcança autonomia total.

O laboratório projetou e testou a antena, especificou a estrutura fabricada pela empresa USIPED, de São José dos Campos, e definiu os painéis solares produzidos pela Orbital Engenharia, também localizada na cidade paulista.

A nova geração passou por ensaios dinâmicos, térmicos e ambientais. A validação em órbita confirmará a capacidade brasileira de construir satélites com tecnologia própria, além de consolidar a plataforma como base aberta para novas missões de baixo custo.

Avanços técnicos seguem padrões internacionais

Os dois satélites seguem o padrão CubeSat. O FloripaSat-2A utiliza o formato 1U, com dimensões de 10 x 10 x 11,35 cm e 1,2 kg. O FloripaSat-2B adota o modelo 2U, com 10 x 10 x 22,7 cm e 2,3 kg. Ambos contam com sistemas essenciais para missões espaciais, como:

  • OBDH, responsável pelo processamento e controle de bordo
  • EPS, que gerencia a energia elétrica
  • TT&C, utilizado na comunicação entre os satélites e a estação de controle

Um dos experimentos mais relevantes é o teste do sistema de comunicação LoRa. A tecnologia, conhecida na área de internet das coisas, permite transmitir pequenas quantidades de dados a longas distâncias com baixo consumo de energia.

Essa será a primeira validação em órbita dessa solução no Brasil e abrirá caminho para o uso do sistema em futuras constelações de satélites.

A operação em órbita tem duração estimada de cinco semanas, com altitude média de 300 km. Esse período curto não diminui o impacto estratégico da missão, que reforça a autonomia tecnológica do país e fortalece o ecossistema nacional de nanosatélites.

A plataforma FloripaSat-2 já é utilizada por outras instituições brasileiras. A UFMA opera os satélites Aldebaran e Jussara, enquanto o SENAI CIMATEC utiliza o CIMATELITE. O modelo se consolida como alternativa aberta e colaborativa para o setor espacial nacional.

Formação de novos profissionais

A missão também se destaca pela formação de engenheiros e cientistas. Estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores integram a equipe que projeta e monta todos os sistemas dos satélites. A iniciativa conta com apoio da Agência Espacial Brasileira e do CNPq.

O coordenador Eduardo Bezerra afirma que o foco do laboratório é preparar pessoas capazes de idealizar e realizar missões completas. Ele considera esse processo o motor da pesquisa acadêmica e um dos pilares para o avanço do setor espacial no país.

Foguete sul-coreano será usado no lançamento

Os satélites serão lançados no foguete HANBIT-Nano, veículo híbrido de dois estágios desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace. O projeto ocorre em cooperação com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, vinculado à Força Aérea Brasileira, e com a Agência Espacial Brasileira.

O foguete tem 21,9 metros de comprimento, 1,4 metro de diâmetro e 20 toneladas de massa total. Ele transporta até 90 kg de carga útil. A missão Spaceward 2025 é a primeira operação comercial da FAB em parceria com a empresa asiática.

A autorização foi concedida pela Korea AeroSpace Administration após o cumprimento dos padrões de segurança, ambientais e de desempenho.

A equipe do SpaceLab segue para Alcântara para acompanhar as etapas finais de integração e lançamento. A janela de lançamento vai até 28 de novembro e depende das condições climáticas e das verificações operacionais.

Marco simbólico para Alcântara e para o programa espacial

A operação representa um marco para a engenharia espacial brasileira. A participação do SpaceLab na primeira missão comercial realizada a partir do território nacional carrega significado científico, institucional e simbólico.

O lançamento ocorre mais de duas décadas após o acidente de 2003, que marcou a história do Centro Espacial de Alcântara.

A nova missão representa a retomada das operações no centro e inaugura um ciclo de reconstrução para o programa espacial brasileiro. O projeto reafirma a capacidade do país de desenvolver tecnologia própria e de investir na formação de novos profissionais.

Bezerra resume esse momento ao afirmar que o céu de Alcântara se prepara para abrir caminho a novas possibilidades da engenharia espacial nacional. Ele ressalta o impacto de ver estudantes participando diretamente dessa etapa, algo que considera a maior conquista do projeto.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x