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Primeira ferrovia do Brasil pode receber VLT turístico com tecnologia inspirada no Trem do Corcovado

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 12/08/2025 às 15:04 Atualizado em 12/08/2025 às 15:08
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Projeto propõe revitalizar trecho histórico com VLT especial, capaz de enfrentar rampas íngremes e valorizar o turismo na Serra da Estrela, aproveitando o potencial cultural e paisagístico do percurso original da primeira ferrovia brasileira.

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, analisou a criação de um VLT turístico entre Magé e Petrópolis no leito desativado da primeira ferrovia do país, com traçado de 6,5 km, cinco estações e integração à estação Vila Inhomirim.

Segundo o site ViaTrolebus, a proposta busca unir mobilidade e preservação histórica, mas foi classificada como projeto de perfil predominantemente turístico, e não de média-alta capacidade para o deslocamento cotidiano.

O que está sobre a mesa

De acordo com os resumos divulgados sobre o ENMU, o desenho do VLT turístico entre Magé e Petrópolis contempla ligações locais e conexão com o ramal metropolitano já existente, facilitando o acesso à Serra da Estrela e a atrativos culturais.

O estudo, porém, retirou o traçado da Rede Planejada de mobilidade por não atender aos critérios de prioridade para transporte coletivo de média-alta capacidade.

Por que a priorização não veio?

Um dos argumentos é a demanda medida por dados agregados de telefonia.

No pico da manhã, cerca de 3,2 mil viagens têm origem em Magé e destino em Petrópolis, somando modos individuais e coletivos.

O volume é considerado insuficiente para sustentar um eixo de alta capacidade, reforçando o caráter turístico do empreendimento.

E a fase seguinte?

Mesmo fora da Rede Planejada, reportagens que repercutiram o ENMU afirmam que a iniciativa pode seguir para a fase de licitação.

Segundo esses textos, haveria pareceres favoráveis de órgãos de patrimônio e meio ambiente para a requalificação do leito — INEA, IPHAN e INEPAC.

Não localizamos, até 12 de agosto de 2025, publicações oficiais dessas autorizações nos sites institucionais; portanto, essa informação permanece atribuída às reportagens.

Tecnologia inspirada no Trem do Corcovado

O relevo da Serra da Estrela impõe rampas acentuadas que inviabilizam um VLT convencional por aderência (rodas nos trilhos).

Em sistemas de bonde ou light rail, declividades usuais ficam abaixo de 5% a 6%.

Para superar rampas mais íngremes, usa-se cremalheira (engrenagem central), solução presente no Trem do Corcovado, no Rio.

No Corcovado, documentos técnicos oficiais registram inclinação máxima de 30%, patamar muito superior ao de linhas urbanas comuns.

Por isso, o ENMU sugere que, se avançar, o projeto adote tecnologia similar à de cremalheira, adequada a trechos serranos.

Como essa tecnologia dialoga com a experiência do visitante?

Em ferrovias de cremalheira, velocidades são menores e a operação privilegia segurança e paisagem, o que se alinha ao conceito de VLT turístico entre Magé e Petrópolis e, por extensão, a um trem turístico de Magé a Petrópolis voltado para lazer e educação patrimonial.

Projeto propõe VLT turístico entre Magé e Petrópolis com tecnologia do Trem do Corcovado, valorizando história e turismo ferroviário. (Foto: Daniel Martins/Diário do Rio)
Projeto propõe VLT turístico entre Magé e Petrópolis com tecnologia do Trem do Corcovado, valorizando história e turismo ferroviário. (Foto: Daniel Martins/Diário do Rio)

Traçado, estações e integração

O traçado proposto possui 6,5 km e cinco estações, com integração na estação Vila Inhomirim — ponto histórico que marca a transição entre o trecho de planície e a antiga subida da serra.

A conexão com o ramal metropolitano permitiria chegar ao sistema por trem suburbano e seguir viagem no VLT turístico entre Magé e Petrópolis.

Esse arranjo favorece o turismo de um dia e excursões escolares sem necessidade de ônibus dedicados, além de reduzir pressão sobre vias locais em fins de semana e feriados.

Demanda medida e vocação turística

Os 3,2 mil deslocamentos no pico da manhã indicam circulação significativa, mas ainda aquém do necessário para um TPC-MAC.

Nesse contexto, a solução voltada à visitação e ao resgate histórico se torna mais aderente.

A estratégia também conversa com a diretriz nacional de diversificar modos de transporte com ganhos de eficiência e sustentabilidade, em especial quando há potencial de turismo ferroviário.

O próprio ENMU projeta expansão de redes até 2054, combinando metrôs, trens urbanos e sistemas sobre trilhos leves nos principais centros.

E os impactos econômicos?

Projetos turísticos desse tipo costumam gerar efeito multiplicador sobre serviços locais — guias, alimentação, hospedagem e transporte complementar.

Embora não haja, até agora, estimativas oficiais publicadas para a rota Magé-Petrópolis, experiências brasileiras e internacionais com ferrovias cênicas indicam aumento de permanência média de visitantes e maior gasto per capita.

O desenho de tarifas e de governança será determinante para viabilidade.

Patrimônio ferroviário e salvaguardas

A área atravessa bens tombados e áreas de proteção.

O IPHAN administra bens ferroviários de valor histórico no país e, em geral, intervenções requerem projetos específicos de restauro e mitigação de impacto.

Como dito, reportagens afirmam que INEA, IPHAN e INEPAC teriam dado aval de preservação ao traçado, mas não há publicação oficial acessível com essas autorizações até esta data; a menção permanece como informação jornalística atribuída às fontes secundárias.

Qual será o modelo de operação?

Caso avance, a definição do operador, da manutenção especializada de cremalheira e do plano de visitação será central.

A experiência do Trem do Corcovado pode orientar requisitos de segurança, resiliência climática e gestão de picos sazonais, com protocolos que conciliem fluxo turístico e conservação ambiental.

Contexto histórico: a primeira ferrovia do Brasil

Inaugurada em 30 de abril de 1854, a Estrada de Ferro Mauá ligava o Porto de Mauá (Guia de Pacobaíba), em Magé, a Fragoso e, depois, a Vila Inhomirim (Raiz da Serra), onde começava a antiga subida por cremalheira rumo a Petrópolis, desativada na década de 1960.

O traçado hoje proposto retoma parte desse eixo fundador da ferrovia brasileira, agregando narrativa educativa sobre Barão de Mauá, a Serra da Estrela e o papel da ferrovia no século XIX.

O que falta definir

pontos em aberto: divulgação pública do relatório detalhado para Magé-Petrópolis no ENMU; confirmação oficial e documental das autorizações citadas para patrimônio e meio ambiente; arranjo de financiamento, sobretudo se o escopo exigir cremalheira e material rodante específico; e o cronograma de licitação.

Enquanto esses elementos não são publicados, o VLT turístico entre Magé e Petrópolis permanece como alternativa de trem turístico de Magé a Petrópolis associada à revitalização do ramal Vila Inhomirim, em trilhos diferentes dos usados por trens metropolitanos regulares.

Por que esse projeto mobiliza tanto interesse?

Porque cruza história, turismo e mobilidade local em um corredor curto, tecnicamente desafiador e com alto valor simbólico para o estado do Rio de Janeiro.

Se bem estruturado, o VLT turístico entre Magé e Petrópolis pode se somar a outras experiências sobre trilhos no país e recontar, em movimento, a trajetória da primeira ferrovia do Brasil — tal como faz o trem turístico de Magé a Petrópolis no imaginário de quem defende a proposta.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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