Preço do petróleo cai com tempestades e crise EUA-Irã. Petrobras corta gasolina, mas combustível segue acima do nível internacional.
Preço do petróleo, petrobras, combustível, tempestades de inverno e EUA-Irã formam o eixo central de uma semana decisiva para o mercado de energia.
Nesta segunda-feira (26/01/26), as cotações internacionais do petróleo recuaram após fortes altas recentes, enquanto investidores avaliaram, ao mesmo tempo, os impactos do clima extremo nos Estados Unidos e o risco geopolítico envolvendo Washington e Teerã.
Esse cenário externo ajudou a embasar a decisão da Petrobras de reduzir o preço da gasolina no Brasil, ainda que os valores sigam acima da paridade internacional.
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90 bilhões de barris de petróleo, 1.669 trilhões de pés cúbicos de gás natural e 84% das reservas prováveis em áreas offshore estão sob o Ártico e o degelo que abre rotas marítimas e expõe esse tesouro energético está transformando o Polo Norte em uma disputa estratégica entre EUA, Rússia, China e Canadá por petróleo, gás, navegação e poder militar
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Preço do petróleo cai após máximas recentes
O preço do petróleo encerrou o dia em leve queda, depois de avançar mais de 2% na sessão anterior. O barril do Brent, referência global, recuou US$ 0,29, ou 0,4%, para US$ 65,59.
Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, caiu US$ 0,44, ou 0,7%, fechando a US$ 60,63 por barril.
Apesar do ajuste, os dois contratos acumularam alta semanal de 2,7% e atingiram, na sexta-feira, o maior patamar desde 14 de janeiro.
Assim, o movimento desta semana foi interpretado mais como realização de lucros do que como reversão de tendência.
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Tempestades de inverno nos EUA afetam produção
Entre os fatores mais relevantes está o impacto das tempestades de inverno que atingiram importantes regiões produtoras dos Estados Unidos.
Analistas estimam que até 2 milhões de barris por dia deixaram de ser produzidos durante o fim de semana, o equivalente a cerca de 15% da produção nacional norte-americana.
Segundo a consultoria Energy Aspects, as interrupções atingiram o pico no sábado. A Bacia do Permiano, principal polo produtor do país, concentrou a maior parte das perdas, com aproximadamente 1,5 milhão de barris por dia fora do mercado naquele momento.
Enquanto isso, a situação começou a melhorar no início da semana. As perdas no Permiano caíram para cerca de 700 mil barris por dia, e a expectativa é de que a produção seja totalmente normalizada até 30 de janeiro.
Ainda assim, o episódio reacendeu alertas sobre a vulnerabilidade da infraestrutura energética dos EUA a eventos climáticos extremos.
Tensões EUA-Irã mantêm investidores cautelosos
Além do clima, o risco geopolítico segue no radar. As tensões EUA-Irã voltaram a ganhar destaque após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos têm uma “armada” a caminho do Irã, embora espere não precisar utilizá-la.
Na sexta-feira, uma autoridade iraniana de alto escalão respondeu afirmando que qualquer ataque seria tratado “como uma guerra total contra nós”.
Esse tipo de retórica aumenta a percepção de risco no Oriente Médio, região estratégica para o abastecimento global de petróleo.
Por outro lado, operadores avaliam que, até o momento, não houve interrupções efetivas no fornecimento, o que ajuda a explicar a correção recente nos preços.
Oferta global: Cazaquistão e OPEP entram no jogo
Enquanto o mercado monitora os Estados Unidos e o Oriente Médio, outros produtores também influenciam o preço do petróleo.
O Cazaquistão sinalizou que retomará a produção no campo de Tengiz, sua maior instalação, após incêndio e queda de energia.
Embora os volumes iniciais devam ser reduzidos, a notícia ajudou a compensar parte das preocupações com o fornecimento.
Além disso, a OPEP e seus aliados devem manter os níveis de produção inalterados na próxima reunião, marcada para 1º de fevereiro.
O grupo havia aumentado a produção ao longo de 2025, mas anunciou uma pausa para conter a fraqueza prolongada dos preços.
Reflexos no Brasil: Petrobras reduz gasolina
A queda do preço do petróleo no mercado internacional levou a Petrobras a anunciar a primeira redução nos combustíveis no Brasil em 2026.
A partir desta terça-feira (27/01/26), o preço médio da gasolina vendida às distribuidoras cai 5,2%, passando a R$ 2,57 por litro — um recuo de R$ 0,14.
Trata-se do terceiro corte desde meados do ano passado. O primeiro ocorreu em junho e o segundo em outubro, quando o valor caiu de R$ 2,85 para R$ 2,71.
Analistas projetam um alívio de 1% a 2% nas bombas, embora o impacto para o consumidor final dependa das distribuidoras e dos postos.
Gasolina ainda acima do nível internacional
Mesmo com o ajuste, dados da Abicom, associação que reúne importadores de combustíveis, indicam que os preços da gasolina da Petrobras seguem cerca de 5% acima do nível internacional.
Desde o fim de novembro, essa diferença chegou a atingir até 11%.
Segundo Sérgio Araújo, presidente da Abicom, a desvalorização do petróleo no mundo não será totalmente percebida pelo consumidor brasileiro.
“O valor médio por litro vendido pela Petrobras ainda será R$ 0,12 maior que no exterior”, afirmou.
Fontes do setor avaliam que a redução também é uma resposta à perda de espaço da estatal para importadores, que já respondem por até 20% das vendas de gasolina no país, beneficiados pela queda dos preços internacionais e pela valorização recente do real frente ao dólar.
Itaú BBA considerou corte abaixo do esperado
Analistas do mercado financeiro também reagiram com cautela. Relatório do Itaú BBA classificou o corte como “abaixo das expectativas”.
Segundo o banco, a diferença entre os preços domésticos e a paridade internacional vinha aumentando desde novembro, o que levou investidores a antecipar um ajuste maior.
Antes da redução, os preços da gasolina no Brasil estavam cerca de 10% acima do cenário externo. Após o corte, devem permanecer aproximadamente 5% acima do preço de paridade internacional (PPI).
Diesel, política e distorções de mercado
Para especialistas, há um componente político relevante na decisão. A Petrobras reduziu apenas o preço da gasolina, mantendo o diesel inalterado.
Esse movimento ocorre enquanto o diesel é vendido no Brasil abaixo do preço internacional há várias semanas.
Dados da Abicom mostram que, recentemente, o diesel da estatal estava entre 2% e 9% mais barato do que no exterior. Segundo analistas, isso desestimula importações e gera distorções no mercado.
Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, avalia que, embora houvesse espaço para reduzir a gasolina, o diesel deveria sofrer aumento.
“No diesel, a recíproca não é verdadeira. A estatal está vendendo abaixo do mercado internacional, o que cria artificialidades e incerteza”, afirma.
Redução acumulada e limites do repasse
Desde dezembro de 2022, o preço da gasolina na refinaria caiu R$ 0,50 por litro. Considerando a inflação, a redução acumulada é de 26,9%, segundo a Petrobras.
No caso do diesel, a queda acumulada no mesmo período chega a 36,3%.
Ainda assim, permanece a dúvida se a redução da gasolina chegará integralmente às bombas. O repasse depende de uma cadeia complexa, que envolve distribuidoras, margens de postos e tributos estaduais.
Cenário segue volátil
O mercado de petróleo entra no fim de janeiro marcado por elevada volatilidade. Tempestades de inverno, tensões EUA-Irã, decisões da OPEP e movimentos de grandes produtores continuam moldando o preço do petróleo no mundo.
No Brasil, a Petrobras caminha em uma linha delicada entre alinhamento internacional, competitividade e pressões políticas.
Para o consumidor, o alívio existe, mas ainda é parcial — e condicionado a um cenário global que segue longe da estabilidade.

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