A apenas 310 km de Niterói, a Praia do Farol de São Thomé reúne história do século XIX, biodiversidade preservada e um litoral ainda longe da massificação turística
A informação foi divulgada originalmente em reportagem assinada por Vitor Bruno e reforçada por registros históricos da Marinha do Brasil, além de dados ambientais de órgãos oficiais do estado do Rio de Janeiro. A cerca de 310 km de Niterói, no litoral norte fluminense, a Praia do Farol de São Thomé guarda um cenário que contrasta com o padrão das praias mais famosas do estado. Em vez de orlas superlotadas e urbanização intensa, o visitante encontra mar aberto, vento constante, areia grossa e uma paisagem marcada por um farol vermelho de 45 metros, erguido diretamente sobre a areia.
Desde já, chama atenção o fato de que esse monumento histórico não é apenas um cartão-postal. Ele é o ponto central de uma localidade que cresceu ao seu redor e que, ainda hoje, preserva um lado selvagem cada vez mais raro no litoral do Rio de Janeiro. Além disso, o local abriga fenômenos naturais como a soltura de filhotes de tartaruga marinha, que ocorre todos os anos ao entardecer, entre os meses de setembro e março.
O farol histórico construído por uma empresa ligada à Torre Eiffel
No coração de uma área pertencente à Marinha do Brasil, o Farol de São Thomé foi construído em 1877 pela empresa francesa Barbier & Fenestre e inaugurado oficialmente em 29 de julho de 1882. A escolha da data não foi aleatória: coincidiu com o 36º aniversário da Princesa Isabel, um detalhe histórico que reforça a relevância simbólica da obra no período imperial brasileiro.
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A conexão com a França vai além da simples fabricação. Anos depois, a mesma empresa participaria da construção da Torre Eiffel, em Paris. Por isso, durante décadas, circulou a narrativa de que Gustave Eiffel teria projetado o farol de Campos dos Goytacazes. Contudo, historiadores locais esclarecem que não há documentos que comprovem essa autoria direta, embora o vínculo empresarial seja real e amplamente registrado.
O que não está em debate é a raridade da estrutura. O farol é considerado o primeiro do tipo Mitchell instalado no Brasil, um modelo de torre em espiral desenvolvido por um engenheiro irlandês no século XIX. Com 216 degraus, a construção utilizou ferro especial resistente à corrosão, o que explica sua preservação após mais de 140 anos de maresia e ventos constantes. Todo o histórico técnico e documental do monumento permanece disponível nos registros oficiais da Marinha.
Uma praia diferente das demais no litoral do Rio de Janeiro
Ao contrário das praias da Região dos Lagos ou de destinos badalados como Búzios, a Praia do Farol de São Thomé se destaca justamente pela ausência de massificação. Trata-se da única praia do município de Campos dos Goytacazes, com cerca de 28 km de mar aberto e aproximadamente 3 km de orla urbanizada.
Além disso, a presença das casuarinas, que sombreiam boa parte da faixa de areia, contribui para um ambiente mais fresco e natural. O vento predominante de nordeste é constante ao longo do ano e influencia tanto o clima quanto a dinâmica do mar, criando um cenário ideal para quem busca contato direto com a natureza.
Com o passar das décadas, a vila cresceu ao redor do farol e hoje conta com restaurantes, pousadas, comércio local e um calendário próprio de eventos, divulgado regularmente no portal oficial da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Ainda assim, o local mantém uma atmosfera tranquila, distante do excesso de ruído e do turismo predatório.
O que fazer além de aproveitar o mar aberto
A visita ao Farol de São Thomé vai muito além de um simples fim de semana de praia. Um dos principais atrativos é o Parque Estadual da Lagoa do Açu (PELAG), unidade de conservação criada em 2012, com 8.251 hectares de áreas protegidas que incluem restinga, manguezais e lagoas costeiras.
O parque possui sede na avenida principal do Farol e oferece duas trilhas guiadas: a Trilha do Tamanduá, com 2,5 km e grau leve de dificuldade, e a Trilha da Pitanga, com 2,6 km e nível moderado. De acordo com dados do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), mais de 500 espécies de aves já foram registradas na área, o que transforma o local em referência para observação da fauna.
Outro destaque são as solturas de filhotes de tartaruga, realizadas pelo Projeto Tamar entre setembro e março. No auge da temporada, especialmente de janeiro a março, centenas de filhotes de tartaruga-cabeçuda percorrem a areia diariamente em direção ao mar, criando um dos espetáculos naturais mais marcantes do litoral fluminense.
Além disso, eventos como o Festival de Petiscos do Farol, realizado em dois fins de semana de setembro, movimentam a orla. A 13ª edição, em 2025, reuniu milhares de visitantes com pratos típicos, música ao vivo e programação cultural.
Clima, melhor época e como chegar saindo de Niterói
O clima no litoral norte fluminense é influenciado pelos ventos constantes de nordeste, que aliviam a sensação térmica mesmo nos períodos mais quentes. No entanto, os verões recentes têm sido mais chuvosos do que a média histórica. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o volume de chuva em Campos dos Goytacazes atingiu 130% da média normal do mês, segundo dados do INMET e do Climatempo.
Para quem deseja combinar praia e soltura de tartarugas, o fim do ano e o início do verão são os períodos mais indicados. Já o inverno, com temperaturas entre 16°C e 26°C, céu mais aberto e baixa incidência de chuvas, é ideal para trilhas e observação de aves no PELAG.
Saindo de Niterói, o trajeto de carro percorre cerca de 310 km pela BR-101, em direção ao Norte Fluminense. O centro de Campos dos Goytacazes fica a aproximadamente 3h15 de viagem, seguido de mais 50 km pela RJ-196, totalizando cerca de 4 horas até o Farol. De ônibus, a Viação 1001 opera linha direta entre Niterói e o Farol, com duração média de 5h40.
Com informações de: Cidade de Niterói

Concordo plenamente com o Raul Bernardo!
Que manchete fantasiosa, na verdade mentirosa mesmo! A praia não foi projetada pela empresa da Torre Eiffel “coisíssima” nenhuma e sequer o tal farol tem qualquer comprovação nesse sentido!
É lamentável esse recurso desonesto para registrar visualização.
Farol de São Tomé é um local medíocre no sentido de não ser nada fora do comum, exceto pros que lá vivem ou guardam memórias afetivas. O mar não é bom pro banho. Existe um declive acentuado na maior parte da orla, ondas relativamente altas. O mar não tem nada de excepcional, assim como a cidade. Tirando a simpatia dos locais e os eventos de verão, você pode gastar seu tempo melhor em outros locais. Não há nada de excepcional como a matéria faz parecer. Um desserviço tanto a população local quanto aos que vêm visitar. Não tem o menor sentido continuar vinculando o farol a Gustave Eiffel… sendo que já foi comprovado que é um modelo genérico Belga da época. Talvez a IA que gerou o texto esteja meio viciada… vamos melhorar isso. Farol de São Tomé é um lugar comum, uma praia comum, nem mais, nem menos, bada de excepcional!