MSC Katrina, da MSC, com 366 metros e capacidade para 14.131 contêineres, atracou no terminal MultiRio na quinta-feira (14/05) após dragagem que levou o canal a 16,2 metros de profundidade, com investimento de R$ 163 milhões da PortosRio
O porto do rio recebeu na quinta-feira, 14 de maio de 2026, o primeiro navio de 366 metros de sua história.
Conforme reportagem do Portos e Navios, o porta-contêineres MSC Katrina, da MSC e bandeira do Panamá, atracou no terminal MultiRio às margens da Avenida Brasil.
A operação marca o resultado de uma dragagem de R$ 163 milhões executada pela PortosRio, autoridade portuária responsável pelo complexo.
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MSC Katrina, o gigante New Panamax que abriu caminho
O MSC Katrina é um porta-contêineres da classe New Panamax, construído em 2012. Tem 366 metros de comprimento total, 48,4 metros de boca e capacidade para 14.131 contêineres TEU.
Por isso, o navio entra na categoria dos maiores do mundo capazes de cruzar as eclusas alargadas do Canal do Panamá.
De acordo com a Portos e Navios, a embarcação chegou ao porto carioca vinda do Porto de Suape, em Pernambuco. Em seguida, segue para Santos, no maior porto da América do Sul.
Segundo Flavio Vieira, diretor-presidente da PortosRio, “hoje, o porto está preparado para operar os maiores porta-contêineres que escalam a costa brasileira”. A frase resume o salto operacional alcançado pela dragagem.
A dragagem de R$ 163 milhões
O canal de acesso ao porto teve a profundidade ampliada de 15 metros para 16,2 metros. O calado operacional permitido subiu para 15,30 metros, suficiente para acomodar a quilha do MSC Katrina.

O investimento integral foi bancado pela PortosRio, sem aporte público federal direto. O escopo da obra incluiu também sinalização e balizamento náutico modernizados.
Para entender a escala, cada metro a mais de profundidade no canal libera uma classe inteira de navios maiores.
Em comparação, a diferença entre 15 e 16,2 metros permite a entrada de embarcações com 20% a mais de capacidade.
Conforme analistas portuários, o investimento de R$ 163 milhões representa um dos maiores aportes recentes da PortosRio em infraestrutura submarina. A obra durou meses e exigiu coordenação com a Marinha e a Praticagem.
Terminal MultiRio é o ponto de atracação
O terminal escolhido para receber o MSC Katrina foi o MultiRio, operado pela Multiterminais. Esse terminal é hoje o principal ponto de operação de contêineres do complexo carioca.
Por sua vez, a Multiterminais opera dentro da zona portuária urbana do Rio, próxima à Praça Mauá e ao bairro do Caju. A localização traz vantagens logísticas para o centro econômico do estado.
De fato, a entrada do MSC Katrina simboliza um reposicionamento estratégico do porto carioca na rota internacional de cabotagem e comércio exterior. Antes da dragagem, navios desse porte simplesmente passavam direto, sem escalar no Rio.

Na prática, isso significa mais contêineres movimentados localmente. Por outro lado, reduz o tempo logístico de cargas destinadas a São Paulo, Minas Gerais e ao Sul, que antes precisavam atravessar Santos.
A manobra: 14 horas de planejamento
Manobrar um porta-contêineres de 366 metros em uma baía como a de Guanabara não é simples. A Praticagem do Rio coordenou a entrada do MSC Katrina com semanas de antecedência.
Em comparação com manobras anteriores, a operação exigiu janela climática específica, vento controlado e maré favorável. Por isso, levou meses de planejamento.
Conforme padrões internacionais da Organização Marítima Internacional, navios de mais de 350 metros operam com pelo menos dois práticos a bordo e três rebocadores assistentes.
De acordo com fontes da Praticagem-RJ, o MSC Katrina seguiu esses parâmetros. A entrada foi feita ao raiar do dia, com mar calmo e visibilidade plena.

Como o porto do rio se posiciona entre os principais hubs do Brasil
O complexo carioca disputa hoje espaço com Santos, Itapoá, Paranaguá e Suape entre os principais hubs de contêineres do Brasil. Cada um tem perfil próprio.
Os principais portos brasileiros têm forças distintas:
- Santos (SP): lidera o ranking em volume absoluto movimentado
- Itapoá (SC): lidera em automação e produtividade por berço
- Suape (PE): avança em cabotagem nordestina
- Porto do Rio (RJ): ganha agora capacidade para New Panamax sem restrição de calado
Conforme dados do setor, navios de 14.000 TEUs ou mais respondem hoje por cerca de 35% do tráfego transatlântico de contêineres. Por isso, portos sem capacidade de recebê-los perdem competitividade rapidamente.
Em outras palavras, a dragagem do Rio não foi apenas uma obra técnica. Foi uma decisão estratégica para manter o porto no mapa do comércio internacional brasileiro.
A MSC: maior armadora do mundo
A MSC, Mediterranean Shipping Company, é a maior armadora de contêineres do mundo desde 2022, segundo o ranking da Alphaliner. Tem sede em Genebra, na Suíça, e frota superior a 800 navios.
Por outro lado, a empresa opera serviços regulares em mais de 500 portos em todos os continentes. O Brasil é mercado relevante na operação sul-americana da MSC.
Segundo a empresa, o MSC Katrina faz parte do serviço Brazil Express, que conecta portos do Atlântico Sul a hubs europeus e africanos.
Na prática, isso significa que cargas embarcadas no Rio podem chegar a Roterdã ou Antuérpia em janelas regulares de 15 a 20 dias.
Em comparação, a rota anterior, com baldeação obrigatória em Santos, atrasava em até 7 dias o trânsito.
Impacto econômico e logístico
De acordo com analistas, o Rio de Janeiro é o segundo maior estado consumidor do Brasil, atrás apenas de São Paulo.
Dessa forma, a capacidade portuária local de absorver navios maiores reduz custos logísticos para a indústria e o varejo fluminense.
Conforme analistas do setor, o ganho de escala no MultiRio pode reduzir o custo médio do TEU em 10% a 15% nas rotas atlânticas.
Isso se traduz em preço menor de importações e maior competitividade nas exportações.

Além disso, há ganho ambiental. Navios maiores movimentam mais carga por viagem, reduzindo emissões de CO₂ por contêiner transportado.
Paralelos com a megaengenharia naval global
O movimento do Rio acontece no mesmo ciclo em que armadores globais lançam navios cada vez maiores.
Recentemente, o CMA CGM Grand Palais cruzou o Canal de Suez com 400 metros e 23.876 contêineres, marco da nova geração de embarcações ULCV.
De fato, navios como o Grand Palais ainda não conseguem operar em portos brasileiros, mas a dragagem do Rio prepara o terreno para a próxima geração.
Por sua vez, o Porto de Suape registrou alta de 38,5% e Itaqui disparou 44% em janeiro de 2026, mostrando que o Nordeste também acelera.
Além disso, no Atlântico Sul, o complexo carioca agora pode disputar rotas antes exclusivas de Santos.
Naquele momento de expansão, o Rio entra com uma carta forte: capacidade técnica para receber navios que antes só Santos podia. Em comparação com a década anterior, o salto é expressivo.
Próximos passos do porto do rio na nova fase de dragagem
Por isso, a autoridade portuária PortosRio já estuda nova fase de dragagem para elevar o canal a 17 metros nos próximos anos. Esse seria o degrau necessário para receber navios de até 400 metros.
Por isso, a chegada do MSC Katrina não é o ponto final. É a primeira etapa de um plano maior de modernização do porto carioca.
Conforme fontes do setor, projetos de expansão e modernização de cais, retroárea e acesso rodoviário estão em discussão com o governo federal e investidores privados.
Será que o Rio conseguirá retomar o protagonismo portuário que teve no século 20, antes de ser ultrapassado por Santos?
A resposta depende menos de obras isoladas e mais de continuidade de investimento ao longo da década.
Ainda assim, vale lembrar que a competição com Santos permanece desigual em volume absoluto. O Rio precisa carimbar a escala recém-conquistada com produtividade operacional sustentada nos próximos meses.

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