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Porto do Rio recebe o primeiro navio de 366 metros após dragagem de R$ 163 milhões no canal de acesso da Baía de Guanabara

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 17/05/2026 às 06:45
Atualizado em 17/05/2026 às 06:47
Porto do Rio recebe o primeiro navio de 366 metros após dragagem do canal de acesso
Porto do Rio recebe MSC Katrina, primeiro navio de 366 metros após dragagem
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MSC Katrina, da MSC, com 366 metros e capacidade para 14.131 contêineres, atracou no terminal MultiRio na quinta-feira (14/05) após dragagem que levou o canal a 16,2 metros de profundidade, com investimento de R$ 163 milhões da PortosRio

O porto do rio recebeu na quinta-feira, 14 de maio de 2026, o primeiro navio de 366 metros de sua história.

Conforme reportagem do Portos e Navios, o porta-contêineres MSC Katrina, da MSC e bandeira do Panamá, atracou no terminal MultiRio às margens da Avenida Brasil.

A operação marca o resultado de uma dragagem de R$ 163 milhões executada pela PortosRio, autoridade portuária responsável pelo complexo.

MSC Katrina, o gigante New Panamax que abriu caminho

O MSC Katrina é um porta-contêineres da classe New Panamax, construído em 2012. Tem 366 metros de comprimento total, 48,4 metros de boca e capacidade para 14.131 contêineres TEU.

Por isso, o navio entra na categoria dos maiores do mundo capazes de cruzar as eclusas alargadas do Canal do Panamá.

De acordo com a Portos e Navios, a embarcação chegou ao porto carioca vinda do Porto de Suape, em Pernambuco. Em seguida, segue para Santos, no maior porto da América do Sul.

Segundo Flavio Vieira, diretor-presidente da PortosRio, “hoje, o porto está preparado para operar os maiores porta-contêineres que escalam a costa brasileira”. A frase resume o salto operacional alcançado pela dragagem.

A dragagem de R$ 163 milhões

O canal de acesso ao porto teve a profundidade ampliada de 15 metros para 16,2 metros. O calado operacional permitido subiu para 15,30 metros, suficiente para acomodar a quilha do MSC Katrina.

Dragagem do canal de acesso ao porto do rio elevou profundidade para 16,2 metros
Operação de dragagem do canal de acesso ao Porto do Rio de Janeiro elevou a profundidade para 16,2 metros.

O investimento integral foi bancado pela PortosRio, sem aporte público federal direto. O escopo da obra incluiu também sinalização e balizamento náutico modernizados.

Para entender a escala, cada metro a mais de profundidade no canal libera uma classe inteira de navios maiores.

Em comparação, a diferença entre 15 e 16,2 metros permite a entrada de embarcações com 20% a mais de capacidade.

Conforme analistas portuários, o investimento de R$ 163 milhões representa um dos maiores aportes recentes da PortosRio em infraestrutura submarina. A obra durou meses e exigiu coordenação com a Marinha e a Praticagem.

Terminal MultiRio é o ponto de atracação

O terminal escolhido para receber o MSC Katrina foi o MultiRio, operado pela Multiterminais. Esse terminal é hoje o principal ponto de operação de contêineres do complexo carioca.

Por sua vez, a Multiterminais opera dentro da zona portuária urbana do Rio, próxima à Praça Mauá e ao bairro do Caju. A localização traz vantagens logísticas para o centro econômico do estado.

De fato, a entrada do MSC Katrina simboliza um reposicionamento estratégico do porto carioca na rota internacional de cabotagem e comércio exterior. Antes da dragagem, navios desse porte simplesmente passavam direto, sem escalar no Rio.

Terminal MultiRio do complexo carioca descarrega contêineres do MSC Katrina
Terminal MultiRio, operado pela Multiterminais, descarrega contêineres do porta-contêineres MSC Katrina.

Na prática, isso significa mais contêineres movimentados localmente. Por outro lado, reduz o tempo logístico de cargas destinadas a São Paulo, Minas Gerais e ao Sul, que antes precisavam atravessar Santos.

A manobra: 14 horas de planejamento

Manobrar um porta-contêineres de 366 metros em uma baía como a de Guanabara não é simples. A Praticagem do Rio coordenou a entrada do MSC Katrina com semanas de antecedência.

Em comparação com manobras anteriores, a operação exigiu janela climática específica, vento controlado e maré favorável. Por isso, levou meses de planejamento.

Conforme padrões internacionais da Organização Marítima Internacional, navios de mais de 350 metros operam com pelo menos dois práticos a bordo e três rebocadores assistentes.

De acordo com fontes da Praticagem-RJ, o MSC Katrina seguiu esses parâmetros. A entrada foi feita ao raiar do dia, com mar calmo e visibilidade plena.

Prático brasileiro coordena manobra do navio de 366 metros na Baía de Guanabara
Prático brasileiro coordena manobra de entrada do porta-contêineres no canal de acesso da Baía de Guanabara.

Como o porto do rio se posiciona entre os principais hubs do Brasil

O complexo carioca disputa hoje espaço com Santos, Itapoá, Paranaguá e Suape entre os principais hubs de contêineres do Brasil. Cada um tem perfil próprio.

Os principais portos brasileiros têm forças distintas:

  • Santos (SP): lidera o ranking em volume absoluto movimentado
  • Itapoá (SC): lidera em automação e produtividade por berço
  • Suape (PE): avança em cabotagem nordestina
  • Porto do Rio (RJ): ganha agora capacidade para New Panamax sem restrição de calado

Conforme dados do setor, navios de 14.000 TEUs ou mais respondem hoje por cerca de 35% do tráfego transatlântico de contêineres. Por isso, portos sem capacidade de recebê-los perdem competitividade rapidamente.

Em outras palavras, a dragagem do Rio não foi apenas uma obra técnica. Foi uma decisão estratégica para manter o porto no mapa do comércio internacional brasileiro.

A MSC: maior armadora do mundo

A MSC, Mediterranean Shipping Company, é a maior armadora de contêineres do mundo desde 2022, segundo o ranking da Alphaliner. Tem sede em Genebra, na Suíça, e frota superior a 800 navios.

Por outro lado, a empresa opera serviços regulares em mais de 500 portos em todos os continentes. O Brasil é mercado relevante na operação sul-americana da MSC.

Segundo a empresa, o MSC Katrina faz parte do serviço Brazil Express, que conecta portos do Atlântico Sul a hubs europeus e africanos.

Na prática, isso significa que cargas embarcadas no Rio podem chegar a Roterdã ou Antuérpia em janelas regulares de 15 a 20 dias.

Em comparação, a rota anterior, com baldeação obrigatória em Santos, atrasava em até 7 dias o trânsito.

Impacto econômico e logístico

De acordo com analistas, o Rio de Janeiro é o segundo maior estado consumidor do Brasil, atrás apenas de São Paulo.

Dessa forma, a capacidade portuária local de absorver navios maiores reduz custos logísticos para a indústria e o varejo fluminense.

Conforme analistas do setor, o ganho de escala no MultiRio pode reduzir o custo médio do TEU em 10% a 15% nas rotas atlânticas.

Isso se traduz em preço menor de importações e maior competitividade nas exportações.

Vista aérea da Baía de Guanabara e canal de acesso ao porto carioca
Vista aérea da entrada da Baía de Guanabara mostra o canal de acesso agora apto a receber navios de 366 metros.

Além disso, há ganho ambiental. Navios maiores movimentam mais carga por viagem, reduzindo emissões de CO₂ por contêiner transportado.

Paralelos com a megaengenharia naval global

O movimento do Rio acontece no mesmo ciclo em que armadores globais lançam navios cada vez maiores.

Recentemente, o CMA CGM Grand Palais cruzou o Canal de Suez com 400 metros e 23.876 contêineres, marco da nova geração de embarcações ULCV.

De fato, navios como o Grand Palais ainda não conseguem operar em portos brasileiros, mas a dragagem do Rio prepara o terreno para a próxima geração.

Por sua vez, o Porto de Suape registrou alta de 38,5% e Itaqui disparou 44% em janeiro de 2026, mostrando que o Nordeste também acelera.

Além disso, no Atlântico Sul, o complexo carioca agora pode disputar rotas antes exclusivas de Santos.

Naquele momento de expansão, o Rio entra com uma carta forte: capacidade técnica para receber navios que antes só Santos podia. Em comparação com a década anterior, o salto é expressivo.

Próximos passos do porto do rio na nova fase de dragagem

Por isso, a autoridade portuária PortosRio já estuda nova fase de dragagem para elevar o canal a 17 metros nos próximos anos. Esse seria o degrau necessário para receber navios de até 400 metros.

Por isso, a chegada do MSC Katrina não é o ponto final. É a primeira etapa de um plano maior de modernização do porto carioca.

Conforme fontes do setor, projetos de expansão e modernização de cais, retroárea e acesso rodoviário estão em discussão com o governo federal e investidores privados.

Será que o Rio conseguirá retomar o protagonismo portuário que teve no século 20, antes de ser ultrapassado por Santos?

A resposta depende menos de obras isoladas e mais de continuidade de investimento ao longo da década.

Ainda assim, vale lembrar que a competição com Santos permanece desigual em volume absoluto. O Rio precisa carimbar a escala recém-conquistada com produtividade operacional sustentada nos próximos meses.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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