O Porto do Açu (RJ), em parceria com a Shell, espera começar a produzir uma planta piloto usando hidrogênio verde em 2025, segundo Fernanda Sossai, gerente geral de desenvolvimento portuário e ESG portuário.
Durante um painel de discussão sobre descarbonização e transição energética no 29º evento portuário da CooperaPortos, o desenvolvimento da tecnologia acontecerá no Brasil, o que tornará o projeto “técnica e economicamente viável. Com a implantação do hidrogênio verde, é possível que os portos utilizem fertilizantes nitrogenados, como amônia verde e aço macio. No entanto, ainda não há previsão de que essas alternativas possam ser utilizadas.
Pesquisa e desenvolvimento
Na semana passada, o porto assinou um memorando de entendimento com a Neoenergia e a Prumo para realizar pesquisas para a produção de hidrogênio verde no local. Uma pesquisa recente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou que o Porto do Açu é atualmente um dos três países que trabalham com complexos industriais e empresas de energia para desenvolver projetos de hidrogênio verde.
Além disso, estão incluídos os portos de Pecém (CE) e Suape (PE). No final de agosto, o porto de Suape fez uma chamada pública para que empresas interessadas em instalar usinas de hidrogênio verde no estado se apresentassem. A alternativa tem sido uma grande aposta para a transição energética do setor portuário, já que o produto pode ser produzido a partir de fontes renováveis como solar e eólica e não emite gases de efeito estufa.
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Conheça mais sobre o hidrogênio verde
O hidrogênio verde é produzido a partir de fontes de energia renováveis ou de baixo carbono e tem emissões de carbono significativamente menores do que o hidrogênio cinza, que é produzido pela reforma a vapor do gás natural, que compõe a maior parte do mercado de hidrogênio. Este material produz menos de 0,1% do hidrogênio total produzido pela eletrólise da água. Poderia ser usado para descarbonizar indústrias difíceis de eletrificar, como a produção de aço e cimento, para ajudar a limitar as mudanças climáticas.
O alto custo de produção é a principal razão para a baixa taxa de utilização do hidrogênio verde. No entanto, espera-se que o mercado de hidrogênio cresça. Em 2020, grandes empresas europeias anunciaram planos para mudar suas frotas de caminhões para hidrogênio. O hidrogênio verde pode ser misturado em gasodutos de gás natural existentes ou usado para produzir amônia verde, um ingrediente importante na produção de fertilizantes.
Hidrogênio verde no Brasil
A matriz energética do Brasil é tida como uma das mais limpas do mundo. Especialistas destacam o potencial do país para a produção do hidrogênio verde. Pesquisas realizadas no país, indicam que biomassa (como amidos e resíduos de estações de tratamento de esgoto) pode ser processada e convertida em hidrogênio verde.
A australiana Fortescue Metals Group tem planos para instalar uma fábrica de hidrogênio verde junto ao porto do Pecém, no Ceará, com previsão inicial de entrar em operação em 2022. Neste mesmo ano, a Universidade Federal de Santa Catarina anunciou uma parceria com a alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, para a produção de H2V.
A Unigel tem planos para construir uma fábrica de hidrogênio verde / amônia verde em Camaçari, na Bahia, prevista para entrar em operação em 2023. Iniciativas nesta área também são mantidas nos estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.

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