O petróleo pesado brasileiro é um dos fatores contribui para o aumento nos preços dos combustíveis

O Brasil detém a maiores reservas de petróleo no mundo mas devido a qualidade e falta de refinarias especializadas, temos que pagar quase 4 vezes mais pelo nosso próprio produto

Sim, o Brasil é auto suficiente em petróleo se olharmos pela  perspectiva de volume produzido por dia. Mas quando falamos em processamento dele e seus derivados, e ai que o ” bicho pega” para o nosso país e porque para o consumidor final, ele sai tão caro na bomba ou convertido em produtos de nosso dia a dia. Lembrando que usaremos termos coloquiais nesta matéria para melhor exemplificar  o conteúdo para aqueles que são leigos no assunto, todos os dados são atualizados e relativos apenas ao processamento e comercialização, não estão inclusos tributos governamentais . Então vamos ao que interessa:

Produção, Qualidade e Importação/Exportação do Petróleo

  • Produção – Atualmente, nossa nação consome aproximadamente  1,8 bilhões barris petróleo todos os dias,  quantidade equivalente que nossas unidades ou plataformas offshore conseguem produzir também diariamente. Mas se conseguimos produzir a mesma quantidade que consumimos, porque importar ela é tão cara?
  • Qualidade – Há 2 tipos de petróleo que determinam a sua qualidade: O petróleo leve e o denso(ou pesado). O leve é de fácil processamento e conseguimos extrair a gasolina e diferentes produtos nobres com baixo custo. O problema é que apenas 6% de nossas reservas atuais contém a categoria leve. O denso ou pesado é mais recomendado para asfalto e máquinas de grande porte, mas  somos capazes de converter o pesado em gasolina também, a problema é que ele fica muito custoso. Mesmo sendo capazes de extrair gasolina do óleo pesado, porque temos que importar?
  • Importação/Exportação – Acontece que fica muito mais barato comprar óleo leve do exterior, misturar a produção nacional de petróleo pesado e depois processar esta mistura, do que processar apenas o petróleo pesado. O que sobra deste pesado, é vendido a preço baixo para exportação. Ilustrando como exemplo prático: se você quisesse uma cadeira, sairia mais barato você comprar uma cadeira pré-moldada ou ir na floresta, cortar a árvore, fazer do processamento, medidas, gastar com material, mão de obra e etc?

Por que nossas refinarias são ineficientes no processamento deste tipo de petróleo?

O problema é que antes dos anos 90, nossos reservatórios explorados eram apenas de petróleo leve e devido a este fator, nossas refinarias também foram configuradas desta forma. As novas reservas descobertas após este período, em sua maioria são de óleos pesados. A Petrobras apesar de estar conseguindo produzir em quantidades jamais vistas, ela não teve outra saída a não ser importar do exterior o leve, já que nossos refinarias são ineficientes neste quesito.

Na cotação média atual, exportamos nosso petróleo denso a 46 dólares e importamos/compramos à 64 dólares. CÁLCULO ( 46 – 64 =  – 18), entenderam? Mesmo assim ficamos com saldo negativo, a conta nunca fecha! Para compensar estes valores, os custos da produção são repassados ao consumidor final. Isto porque estamos apenas citando os custos de processamento, para extrair petróleo na bacia hidrográfica marinha do Brasil, demanda muita tecnologia e equipamentos capazes de chegar a mais de 2 km abaixo do leito dos oceanos.

O que pode ser feito para baratear os custos?

Na verdade, a Petrobras já começou a tocar as obras do  COMPERJ(COMPLEXO PETROQUÍMICO DO RIO DE JANEIRO) que será capaz de refinar os dois tipos de petróleo, inclusive ela está contratando para as obras deste mês de junho de 2018 para fase inicial do empreendimento, confiram aqui. A Petrobras também anunciou a pouco tempo que está fazendo descobertas interessantes de novos poços com petróleo leve, ao qual irá baratear os custos de produção em um futuro não muito distante.

Lembrando que estes são fatores de produção, mas cerca de 50% do preço final da bomba, são referentes de tributos de arrecadação do governo e como o petróleo e uma commoditie, ele é negociado em dólar comercial (US$). Na cotação na data deste artigo, o valor da nossa moeda está em R$ 3,72 para cada US$1,00, ou seja, pagamos quase 4 vezes por um produto que nós produzimos, mas que é regido pelo mercado internacional.

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Paulo Nogueira

Apaixonado pelo ramo do petróleo e energia, eu e minha equipe dedicamos parte do nosso tempo provendo informações sobre economia e oportunidades deste setor através de fontes oficiais das empresas e comunicados a imprensa.

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