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Por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024: estudo revela chuva extrema, lago Guaíba recorde, desmatamento, expansão urbana desordenada, asfalto excessivo, áreas naturais reduzidas e milhões atingidos pelo maior desastre ambiental do estado

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/12/2025 às 22:48
Em 2024, especialistas explicam por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 ao analisar o Guaíba, o desmatamento, as enchentes históricas e a vulnerabilidade urbana no Rio Grande do Sul.
Em 2024, especialistas explicam por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 ao analisar o Guaíba, o desmatamento, as enchentes históricas e a vulnerabilidade urbana no Rio Grande do Sul.
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Entenda por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 segundo pesquisadores do Cemaden e da Unesp, que ligam chuva excepcional, lago Guaíba em nível recorde, desmatamento, expansão urbana desordenada e perda de áreas naturais ao maior desastre ambiental da história gaúcha, e milhões de pessoas afetadas em 2024.

Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu a maior tragédia ambiental de sua história recente: chuvas extremas, enchentes sucessivas e o lago Guaíba em nível recorde expuseram, de forma brutal, por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 e como populações inteiras foram colocadas em risco. No total, cerca de 2,3 milhões de pessoas em 471 municípios foram afetadas, 600 mil precisaram deixar suas casas e 173 moradores morreram, em um cenário que superou em escala a cheia histórica de 1941 em Porto Alegre.

Um ano depois, um estudo de pesquisadores do Cemaden e do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp em São José dos Campos reconstruiu, em detalhe, as causas naturais e antrópicas que convergiram para o desastre. O trabalho combina modelagem hidrodinâmica, dados de chuva, séries históricas de nível do Guaíba e mapas de uso do solo para mostrar que chuvas fora da curva encontraram um território mais desmatado, mais asfaltado e com grande concentração de pessoas em áreas de alta suscetibilidade à inundação, respondendo em linguagem técnica e com números por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024.

Como a ciência respondeu por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024

Em 2024, especialistas explicam por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 ao analisar o Guaíba, o desmatamento, as enchentes históricas e a vulnerabilidade urbana no Rio Grande do Sul.

O estudo, assinado por 17 pesquisadores, parte de uma pergunta central: quais fatores físicos e antrópicos explicam por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 naquela escala.

Para isso, os cientistas cruzaram dados hidrológicos, climáticos e urbanos da região metropolitana de Porto Alegre e de bacias como Jacuí, Taquari e Caí, que atuaram em conjunto durante o evento.

A equipe utilizou um modelo hidrodinâmico para simular como a água se comporta quando as bacias despejam grandes volumes no sistema Guaíba, considerando relevo, ocupação do solo e áreas impermeabilizadas.

O resultado é contundente: quase 18 por cento da região metropolitana de Porto Alegre aparece em zonas classificadas como de risco extremo de inundação, incluindo bairros densamente ocupados.

Segundo o coordenador do grupo na Unesp, Enner Alcântara, os dados evidenciam a combinação entre chuva extrema e vulnerabilidade construída.

Não foi apenas um episódio climático isolado, mas a atuação simultânea de bacias sobrecarregadas, encostas desprotegidas, áreas úmidas reduzidas e cidades muito mais asfaltadas do que há algumas décadas.

De 1941 a 2024: quando o Guaíba ultrapassou todos os limites

Em 2024, especialistas explicam por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 ao analisar o Guaíba, o desmatamento, as enchentes históricas e a vulnerabilidade urbana no Rio Grande do Sul.

A comparação com o passado ajuda a dimensionar o salto de gravidade. Em 1941, a cheia histórica em Porto Alegre inundou cerca de 15 mil residências, deslocou 70 mil pessoas e manteve um terço dos estabelecimentos comerciais e industriais alagados por cerca de 40 dias, em uma cidade que tinha 272 mil habitantes.

Em 2024, o efeito foi mais amplo e mais intenso.

A lâmina d’água do lago Guaíba atingiu 5,35 metros no Cais Mauá, 59 centímetros acima do registrado em 1941.

A diferença crucial está na escala geográfica: enquanto a cheia antiga se concentrou principalmente na bacia do Jacuí, a de 2024 envolveu simultaneamente Jacuí, Taquari e Caí, ampliando a área atingida e dificultando qualquer resposta coordenada.

Com uma Porto Alegre hoje na casa de 1,3 milhão de habitantes, e uma região metropolitana muito mais densa e asfaltada, o mesmo tipo de evento hidrológico passa a produzir impactos muito mais destrutivos.

O estudo mostra que, ao longo de décadas, sucessivos governos se apoiaram na percepção de que as obras de defesa contra enchentes eram suficientes, sem incorporar ao planejamento o novo cenário de eventos extremos mais frequentes e intensos.

Chuvas extremas, mudanças climáticas e o colapso da absorção natural

Em 2024, especialistas explicam por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 ao analisar o Guaíba, o desmatamento, as enchentes históricas e a vulnerabilidade urbana no Rio Grande do Sul.

Os dados de chuva analisados pelos pesquisadores confirmam que o episódio de 2024 foi extraordinário em intensidade e persistência.

Em abril de 2024, a precipitação acumulada na região metropolitana de Porto Alegre variou entre 50 milímetros e 250 milímetros, com anomalias de até 200 milímetros acima da média histórica considerada entre 2001 e 2023.

Em maio de 2024, a situação se agravou: a região recebeu entre 200 milímetros e 400 milímetros de chuva, com distorções em relação à média que chegaram a 450 milímetros.

No limite norte da Grande Porto Alegre, houve pontos com mais de 500 milímetros de precipitação em um único mês. Para um território já pressionado, esses volumes são suficientes para romper qualquer margem de segurança.

O climatologista José Marengo, também autor do estudo, ressalta que as mudanças climáticas globais estão aumentando a probabilidade de episódios desse tipo no Sul e em outras regiões do país. Segundo ele, a tempestade, isoladamente, não é a tragédia.

O desastre acontece quando chuvas intensas atingem populações altamente vulneráveis, em áreas mal planejadas, com drenagem insuficiente e pouca capacidade de absorção do solo.

Desmatamento, expansão urbana e excesso de asfalto na rota da água

A pergunta por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 não se responde apenas com mapas de chuva. O estudo mostra que, entre 1985 e 2020, a região metropolitana de Porto Alegre passou por um processo contínuo de perda de vegetação natural e ampliação de áreas urbanizadas impermeáveis.

Em termos de florestas, todas as cidades avaliadas sofreram perdas, com variações que chegam a 85 quilômetros quadrados em determinados períodos.

Os municípios de Arroio dos Ratos, Dourado do Sul, Montenegro, São Jerônimo e Triunfo, a oeste da capital, estão entre os que mais perderam cobertura florestal.

Nas formações naturais não florestais, como áreas alagáveis, campos e restingas, as perdas são ainda mais expressivas, com variações de até 121 quilômetros quadrados e quedas acumuladas que ultrapassam 670 quilômetros quadrados em alguns intervalos, especialmente entre 2000 e 2005 e 2015 e 2020.

Cidades como Glorinha, Gravataí, Guaíba, Santo Antônio da Patrulha e Viamão aparecem com redução significativa desses ambientes que funcionam como zonas naturais de amortecimento hídrico.

Na direção oposta, as áreas impermeabilizadas pela expansão urbana cresceram de forma acelerada. Municípios como Alvorada, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Viamão registraram aumento consistente de superfícies cobertas por asfalto e concreto, com Porto Alegre liderando a lista.

No total, mais de 14 quilômetros quadrados de novas áreas impermeáveis surgiram apenas nos primeiros 15 anos do período analisado, dificultando o escoamento da água das chuvas.

O resultado é um território que perdeu capacidade de infiltração, reduziu banhados e áreas alagáveis e concentrou mais pessoas exatamente nas faixas de baixa altitude e alta suscetibilidade a inundações.

Quando as chuvas extremas de abril e maio de 2024 chegaram, faltava espaço natural para segurar a água e sobravam superfícies rígidas que aceleravam o escoamento para rios já saturados.

O que precisa mudar depois da maior tragédia ambiental do estado

Com base no modelo hidrodinâmico e nas séries de uso do solo, os autores do estudo defendem que a resposta não pode se limitar a obras emergenciais após o desastre.

É necessário rever o planejamento urbano, atualizar mapas de risco, recuperar vegetação natural estratégica e modernizar infraestruturas de drenagem que hoje operam no limite.

Entre as medidas destacadas estão:

restauração de áreas de banhado e várzeas, que funcionam como esponjas naturais em eventos extremos

revisão das ocupações em zonas de alto risco, com políticas de remoção gradual e reassentamento digno

integração de dados climáticos, hidrológicos e sociais em sistemas de alerta precoce que sejam compreensíveis para a população

planejamento de expansão urbana que limite a impermeabilização contínua e preserve corredores de escoamento natural

Os cientistas alertam que a experiência gaúcha é um aviso direto para cidades situadas em regiões como Serra do Mar, Serra da Mantiqueira e outros corredores de relevo sensível, onde a combinação de urbanização desordenada com eventos climáticos extremos tende a se repetir nas próximas décadas.

Num cenário em que modelos climáticos já indicam chuvas mais intensas e frequentes em várias áreas do país, a resposta à pergunta por que o Rio Grande do Sul inundou em 2024 não pode ficar restrita aos relatórios acadêmicos.

Ela precisa orientar decisões políticas, planos diretores, obras públicas e fiscalização ambiental, sob pena de transformar eventos extremos em rotina de tragédias evitáveis.

Na sua avaliação, qual deveria ser a prioridade número um dos governos para evitar uma nova enchente como a de 2024 no Rio Grande do Sul: recuperar áreas naturais, rever ocupações em zonas de risco ou modernizar toda a infraestrutura de drenagem urbana?

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Ronaldo Cozza
Ronaldo Cozza
10/12/2025 00:48

A ocupação desordenada nas várzea de rios e corpos d’água, o assoreamento desses rios e das bacias de depósitos hídricos, o desastre só não foi maior devido a dragagem executada no canal de Rio Grande ao qual permitiu vazante durante todo o período de enchente…as plantações e desmatamentos nas encostas acelerando o processo de erosão e dando consequência no assoreamento permitindo a ocupação expressiva das várzea muitas vezes ocupadas pela urbanização.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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