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Por que mulheres ganham menos que homens? Pesquisa aponta a maternidade como o ponto decisivo da desigualdade salarial

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 22/12/2025 às 10:36
Atualizado em 22/12/2025 às 10:37
Assista o vídeoMulher profissional com filho representa a maternidade como fator central da desigualdade salarial entre homens e mulheres.
Maternidade é apontada por pesquisas como o principal fator da desigualdade salarial entre homens e mulheres.
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Estudo mostra que a diferença salarial diminuiu ao longo dos anos, mas segue alta e se intensifica no momento em que as mulheres se tornam mães

Apesar de avanços graduais nas últimas décadas, a diferença salarial entre homens e mulheres continua sendo uma realidade persistente no mercado de trabalho. Dados recentes e análises de especialistas indicam que, embora a desigualdade tenha diminuído em comparação com anos anteriores, ela permanece significativa. Mais do que isso, as pesquisas apontam um momento específico como decisivo para o aprofundamento dessa disparidade: a maternidade.

Segundo estudos empíricos conduzidos por economistas e instituições de pesquisa, a desigualdade salarial não surge de forma aleatória ao longo da carreira feminina. Pelo contrário, ela se acentua justamente no período em que as mulheres têm filhos. Até esse ponto, homens e mulheres apresentam trajetórias profissionais relativamente semelhantes em diversos setores. No entanto, após a maternidade, ocorre uma ruptura clara, que impacta salários, progressão de carreira e participação no mercado de trabalho.

Esse fenômeno, conhecido internacionalmente como penalidade da maternidade, ajuda a explicar por que, mesmo com maior escolaridade média, as mulheres ainda recebem menos do que os homens em funções equivalentes.

Maternidade, trabalho não remunerado e o peso cultural da desigualdade

A informação foi divulgada por análises discutidas em reportagens especializadas e por economistas que estudam a participação feminina no mercado de trabalho, entre elas Cecília Machado, economista-chefe do Bocom BBM e pesquisadora reconhecida na área. Segundo ela, todas as grandes pesquisas empíricas já realizadas apontam que o ponto mais marcante da desigualdade salarial é o nascimento dos filhos.

Isso acontece porque, cultural e socialmente, ainda recai sobre as mulheres a maior parte das responsabilidades que surgem após a maternidade. Cuidados com os filhos, organização da rotina doméstica, atenção à saúde e à educação continuam sendo vistos como atribuições majoritariamente femininas. Como consequência, muitas mulheres reduzem a jornada de trabalho, aceitam cargos com menor remuneração ou enfrentam interrupções na carreira.

Além disso, diversas pesquisas mostram que o trabalho não remunerado realizado pelas mulheres dentro de casa tem um impacto econômico gigantesco. Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) estimam que, se esse trabalho doméstico fosse devidamente remunerado, ele poderia representar cerca de R$ 95 bilhões adicionais à economia brasileira. Esse dado evidencia como a desigualdade salarial não se limita ao ambiente corporativo, mas está profundamente ligada à organização social.

Portanto, a empresa, muitas vezes, não é a origem da discriminação, mas sim uma extensão de uma desigualdade que já está enraizada na cultura. A diferença começa antes mesmo da mulher sair de casa para trabalhar.

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Lei, punição às empresas e a necessidade de uma mudança social profunda

Nos últimos anos, o Brasil avançou com legislações voltadas à transparência salarial e à igualdade de remuneração entre homens e mulheres. Essas leis têm um papel importante ao evidenciar a diferença, criar mecanismos de fiscalização e permitir a aplicação de multas às empresas que discriminam.

No entanto, especialistas alertam que a punição isolada das empresas não é suficiente para resolver o problema. Conforme apontam estudiosos do tema, trata-se de uma mudança cultural muito mais profunda, que envolve a divisão equilibrada das responsabilidades familiares, políticas públicas de apoio à parentalidade e uma transformação na forma como a sociedade enxerga o papel da mulher.

A desigualdade salarial, nesse contexto, não é apenas um problema econômico, mas também social. Ela reflete expectativas históricas, padrões culturais e uma estrutura que ainda penaliza a mulher por exercer a maternidade — algo biologicamente exclusivo, mas socialmente mal distribuído em termos de responsabilidades.

Por isso, a discussão vai além de leis e números. Envolve educação, conscientização e ações coletivas que permitam às mulheres competir em igualdade de condições no mercado de trabalho, sem que a maternidade represente um obstáculo permanente à sua renda e à sua carreira.

O que precisa mudar para que as mulheres não tenham sua carreira e salário definidos pelo momento em que se tornam mães?

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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