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Plano Sunrise, ‘Nova Gaza’ de Trump: PowerPoint em Davos promete Riviera Oriente Médio com US$ 112 bi, 20 anos de obras, mas esbarra em escombros, bombas e desarmamento do Hamas

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Escrito por Carla Teles Publicado em 22/01/2026 às 22:45
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Plano Sunrise e a Nova Gaza de Trump miram a reconstrução de Gaza na faixa de Gaza, mas o desarmamento do Hamas define se o projeto realmente sai do papel.
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Apresentado em Davos como um PowerPoint de 32 slides, o Plano Sunrise vende a ideia da Nova Gaza de Trump como uma riviera do Oriente Médio, com resorts de luxo, trens de alta velocidade e uma cidade inteligente reconstruída em 20 anos, ao custo de 112 bilhões de dólares.

Por trás das imagens futuristas, porém, estão 68 milhões de toneladas de entulho, túneis armados, solo contaminado e bombas não detonadas espalhadas pela faixa de Gaza, além de uma condição considerada inegociável por Washington: o desarmamento completo do Hamas. Sem isso, a Nova Gaza de Trump continua sendo apenas uma visão em slides, longe de se transformar em concreto, aço e empregos reais.

De 7 de outubro à visão da Nova Gaza de Trump

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas invadiu Israel, matou mais de mil pessoas, sequestrou centenas de civis e desencadeou uma guerra que, em dois anos, levou à destruição quase total da infraestrutura da faixa de Gaza.

Bairros inteiros foram arrasados, hospitais colapsaram, redes elétricas foram à falência e o território se transformou em um mosaico de ruínas.

Em outubro de 2025, um cessar-fogo mais amplo foi finalmente assinado, incluindo a libertação dos últimos reféns israelenses ainda vivos. É nesse contexto que a administração Trump, em coordenação com aliados, começa a desenhar um plano de reconstrução.

A Nova Gaza de Trump nasce como uma resposta política, econômica e simbólica para mostrar que, depois da devastação, haveria um projeto de futuro.

O que o Plano Sunrise promete construir

O Plano Sunrise é a embalagem oficial da Nova Gaza de Trump. Trata-se de um projeto dividido em quatro fases geográficas ao longo de mais de 20 anos, com um discurso de “cidade inteligente” à beira-mar.

O documento, elaborado por Jared Kushner em parceria com o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, foi apresentado em Davos em formato de PowerPoint. Ele propõe converter a faixa de Gaza em uma espécie de riviera do Oriente Médio, com:

Resorts de luxo na costa, trens de alta velocidade, redes elétricas otimizadas por inteligência artificial e uma nova capital administrativa pensada para simbolizar governança moderna e prosperidade econômica.

A ideia é que a Nova Gaza de Trump deixe para trás a imagem de enclave cercado por muros e se torne vitrine de tecnologia, turismo e serviços.

68 milhões de toneladas de entulho, túneis e bombas

Antes de qualquer arranha-céu de vidro ou resort à beira-mar, o Plano Sunrise reconhece um problema monumental de base: a faixa de Gaza está soterrada em ruínas, corpos e munições não detonadas.

Entre os desafios iniciais, o documento cita:

  • Cerca de 68 milhões de toneladas de entulhos
  • Milhares de corpos ainda soterrados
  • Solo tóxico, contaminado por guerra e esgoto
  • Bombas e artefatos explosivos não detonados
  • Uma rede de túneis do Hamas espalhada pelo subsolo

A primeira fase da Nova Gaza de Trump não é glamour, e sim limpeza e segurança. A prioridade seria remover destroços, neutralizar explosivos, desativar túneis e tentar tornar minimamente habitável uma área que passou anos sob bombardeios intensos.

Enquanto isso, cerca de 2 milhões de palestinos deslocados dependeriam de abrigos temporários, hospitais de campanha e clínicas móveis até que estruturas permanentes começassem a ser erguidas.

Fases da Nova Gaza de Trump: de Rafá à cidade de Gaza

Plano Sunrise e a Nova Gaza de Trump miram a reconstrução de Gaza na faixa de Gaza, mas o desarmamento do Hamas define se o projeto realmente sai do papel.

O cronograma do Plano Sunrise se distribui em quatro fases geográficas, com avanço do sul para o norte da faixa de Gaza.

Na etapa inicial, o foco recai sobre Rafá e Khan Yunis, no sul. Ali se daria a primeira grande experiência de reconstrução planejada.

Só depois os trabalhos avançariam para os campos centrais e, por fim, para o norte, na cidade de Gaza, tradicionalmente vista como capital do enclave.

A primeira cidade a ser reconstruída seria Rafá, na fronteira com o Egito. De acordo com o plano, a Nova Gaza de Trump transformaria Rafá em um novo centro de governação, com:

  • Capacidade para mais de 500 mil residentes
  • Cerca de 100 mil unidades habitacionais
  • Estruturas administrativas, escolas, hospitais e espaços religiosos

Nas imagens do PowerPoint, a nova Rafá aparece com arranha-céus costeiros, avenidas largas, zonas verdes e um litoral tomado por empreendimentos turísticos.

É uma visão utópica que contrasta de forma brutal com o cenário real de escombros que domina a região hoje.

Quem paga a conta dos 112 bilhões de dólares

O custo total estimado do Plano Sunrise gira em torno de 112 bilhões de dólares ao longo de 10 anos, incluindo salários do setor público e necessidades humanitárias associadas à transição.

Desse montante, o plano prevê algo como 60 bilhões de dólares vindos de doações internacionais e emissão de nova dívida, com os Estados Unidos atuando como âncora.

Washington se comprometeria com cerca de 20% desse apoio, o que equivale a aproximadamente 24 bilhões de dólares em garantias.

O Banco Mundial apareceria como parceiro financeiro, ajudando a estruturar empréstimos e a dar credibilidade ao projeto. A ideia é que, após os primeiros anos de investimento pesado, a Nova Gaza de Trump comece a caminhar com as próprias pernas.

Segundo as projeções do PowerPoint, Gaza passaria a monetizar cerca de 70% da sua faixa costeira a partir do ano 10, com retorno de investimentos que poderiam ultrapassar 55 bilhões de dólares no longo prazo, impulsionados por:

Indústrias locais, serviços, turismo e até a possibilidade de transformar a Nova Gaza em um paraíso fiscal, de olho em capitais internacionais em busca de vantagens tributárias.

Kushner, negócios e a engenharia política da Nova Gaza de Trump

Jared Kushner, genro de Trump, não chega à Nova Gaza de Trump como um novato em empreendimentos imobiliários.

Ele já administrou o império da família no setor, fundou empresa de investimentos, captou quase 4 bilhões de dólares de fundos soberanos do Oriente Médio e investiu em projetos de resort em locais como a ilha albanesa de Sazan.

No Plano Sunrise, Kushner enxerga uma oportunidade dupla: reposicionar Gaza como caso de sucesso de reconstrução e, ao mesmo tempo, criar um grande projeto econômico com forte participação de capitais privados e fundos da região.

Os acordos de Abraão, negociados por ele no primeiro mandato de Trump, são frequentemente citados como prova de que realinhamentos improváveis no Oriente Médio são possíveis.

A Nova Gaza de Trump é apresentada como o próximo grande passo nessa lógica de transformar inimigos em parceiros econômicos.

Condição inegociável: desarmamento completo do Hamas

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Apesar das maquetes e dos gráficos, todo o plano repousa sobre uma condição central: o desarmamento total do Hamas e a renúncia completa ao poder na faixa de Gaza.

O Plano Sunrise está inserido em um roteiro de paz em três fases:

  • Fase 1: cessar-fogo, libertação de reféns e negociação de termos básicos
  • Fase 2: retirada completa de Israel da faixa de Gaza após o Hamas depor armas e abrir mão do controle político
  • Fase 3: início efetivo da reconstrução e implementação da Nova Gaza de Trump

Até o momento descrito na base, o processo ainda estaria preso à fase inicial, com pendências na entrega de corpos de reféns e, principalmente, na questão da desmilitarização.

O Hamas já afirmou repetidas vezes que não pretende se desarmar, o que transforma essa condição em um obstáculo quase intransponível.

Sem essa garantia, nenhuma obra de longo prazo, nenhum resort de luxo e nenhum trem de alta velocidade se sustenta. Investidores não colocam bilhões em uma área onde a possibilidade de uma nova guerra em dois ou três anos permanece alta.

Ceticismo, riscos e o abismo entre slides e realidade

Especialistas em segurança e analistas econômicos se dividem entre ver a Nova Gaza de Trump como um sonho necessário ou como uma promessa distante demais da realidade.

De um lado, críticos afirmam abertamente que o Hamas não se desarmará e que, sem isso, o Plano Sunrise não passa de um conjunto de slides bem produzidos.

Outros questionam a viabilidade econômica, lembrando que transformar uma zona de conflito recorrente em polo turístico e de serviços exige segurança estável, previsibilidade política e confiança de longo prazo, condições que Gaza não vê há décadas.

Autoridades como o secretário de Estado Marco Rubio reforçam que ninguém investirá pesado se acreditar que o conflito pode voltar em poucos anos. Para esses céticos, o risco geopolítico corrói qualquer projeção de retorno financeiro.

Por outro lado, apoiadores do plano insistem que deixar Gaza mergulhada em ruínas e crise humanitária é uma receita para o surgimento de novos grupos extremistas.

Na visão deles, a Nova Gaza de Trump seria mais do que um projeto imobiliário: seria uma tentativa de mudar a lógica da região, substituindo desespero por perspectiva econômica.

Nova Gaza de Trump: visão audaciosa, terreno minado

No fim das contas, a Nova Gaza de Trump tenta ser muitas coisas ao mesmo tempo: um plano de reconstrução, uma estratégia de segurança, um experimento econômico e um gesto político para mostrar liderança no pós-guerra.

A ambição é inegável. A pergunta é se a realidade geopolítica, a disposição dos atores regionais e o comportamento do Hamas permitirão que algo próximo ao que está nos slides de Davos comece a sair do papel.

A história recente da região mostra que promessas grandiosas costumam bater de frente com fatos duros no terreno.

Por enquanto, o Plano Sunrise é uma síntese dessa contradição: uma riviera do Oriente Médio desenhada sobre um mapa que, na prática, ainda é dominado por escombros, bombas enterradas e desconfiança mútua.

E você, olhando para o cenário atual, acha que a Nova Gaza de Trump tem alguma chance real de sair do PowerPoint e virar cidade de verdade ou que esse projeto está condenado a ficar para sempre no mundo das ideias?

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Carla Teles

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