Com motor Cummins 6.7, mais de 1.000 Nm de torque e menos de 6 km/l na cidade, a Ram 2500/3500 surpreende compradores brasileiros pelo consumo e pela força bruta.
Quando falamos em picapes grandes, o imaginário brasileiro normalmente pensa em Hilux, S10, Ranger e Frontier. Mas existe uma categoria acima delas, as chamadas Heavy-Duty, que operam em um patamar completamente diferente de peso, potência, torque e capacidade de reboque.
E dentro desse universo, uma das protagonistas é a Ram 2500/3500, equipada com o icônico motor 6.7 turbodiesel Cummins, um bloco pensado para durar centenas de milhares de quilômetros e rebocar cargas de toneladas. O que muitos compradores descobrem somente depois é que essa força toda cobra um preço na bomba: consumo urbano abaixo de 6 km/l, mesmo rodando vazia.
Por que a Ram 2500/3500 consome tanto?
O primeiro ponto é físico: uma Ram 2500/3500 pesa entre 3.200 e 3.600 kg, dependendo da versão. Isso é o dobro de uma picape média tradicional e três vezes o peso de um hatch compacto urbano. Manobrar esse “bloco de aço” pela cidade exige mais energia e, portanto, mais combustível.
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Além disso, o motor Cummins 6.7 turbodiesel tem como prioridade torque e durabilidade, e não economia. Ele entrega mais de 1.000 Nm de torque, o suficiente para rebocar barcos, trailers e carretas de construção, um cenário comum nos EUA, mas raro no trânsito urbano brasileiro.
O resultado é simples: em baixa velocidade e em ciclos urbanos curtos, o consumo despenca.
Consumo real no Brasil: números que impressionam
Dados de consumo medidos no país mostram a realidade:
- Cidade: ~5,1 km/l
- Estrada: ~7,6 km/l
Esses números variam com carga, reboque e estilo de condução, mas deixam claro o perfil do conjunto mecânico: força sem compromisso com eficiência urbana.
Nos EUA, onde as estradas são mais longas, retas e constantes, o contexto é outro, mas mesmo lá o consumo urbano dificilmente passa dos 12 mpg (algo em torno de 5 km/l convertendo para o sistema brasileiro).
Comportamento urbano x rodoviário
O comportamento muda bastante quando a Ram sai da cidade e pega estrada:
- A aerodinâmica, embora longe de ser eficiente, passa a ser menos relevante
- O motor trabalha em rotações mais baixas e constantes
- O controle eletrônico reduz a pressão do turbo em velocidade de cruzeiro
Por isso o consumo na estrada salta para algo entre 7 e 8 km/l, o que é surpreendente para um veículo acima de 3 toneladas, com perfil frontal gigantesco e pneus 275/70R18.
Comparativo com veículos mais “comuns”
Para contextualizar, veja como ficam alguns exemplos:
- Toyota Corolla 2.0: 10–12 km/l cidade
- Hilux 2.8 diesel: 9–11 km/l cidade
- Jeep Compass diesel: 10–12 km/l cidade
- Ram 2500/3500 diesel: ~5 km/l cidade
Ou seja, a Ram consome o dobro de diesel em relação à maioria dos SUVs e caminhonetes médias vendidos no Brasil.
Isso não significa que a Ram seja “ineficiente” — significa apenas que ela pertence a outra categoria, projetada para tarefas pesadas, e não para se mover com leveza no trânsito urbano.
Torque monstruoso e propósito claro
O Cummins 6.7 não foi criado pensando em ir ao shopping. Ele foi criado para:
- rebocar mais de 7 toneladas nos EUA
- rodar por milhares de horas em idle (ocioso)
- suportar calor, poeira e carga térmica
- trabalhar com trailer, quinta-roda e implementos
É por isso que o motor possui:
- bloco de ferro fundido
- curso longo
- turbocompressor de alta eficiência térmica
- eixo virabrequim robusto
- câmbio automático reforçado
Esse conjunto prioriza longevidade e torque contínuo, não economia.
Ficha técnica: Ram (Brasil)
- Motor: 6.7 Cummins Turbodiesel
- Configuração: 6 cilindros em linha
- Torque: acima de 1.000 Nm (varia por ano/versão)
- Peso bruto: ~3.200–3.600 kg
- Tração: 4×4 com reduzida
- Consumo urbano: ~5,1 km/l
- Consumo rodoviário: ~7,6 km/l
Para quem enxerga a Ram 2500/3500 como um carro de passeio, o consumo parece absurdo.
Mas, para quem entende o propósito original do projeto — rebocar, carregar, operar por longas jornadas, o consumo faz todo sentido.
Ela não foi feita para economizar. Foi feita para trabalhar pesado.
E isso explica por que muitos compradores se surpreendem ao descobrir que um veículo deste porte bebe mais que muito SUV e até mais que alguns V8 antigos, mesmo com um moderno turbodiesel.


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