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Duas massas gigantescas e antigas, uma sob a África e outra sob o Pacífico, repousam no fundo do manto da Terra há pelo menos 500 milhões de anos, e uma das hipóteses mais fascinantes sugere que sejam restos do planeta que colidiu com a Terra e formou a Lua

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/06/2026 às 00:13
Atualizado em 08/06/2026 às 00:17
Duas massas gigantescas repousam no manto da Terra há pelo menos 500 milhões de anos; uma hipótese sugere que sejam restos do planeta que formou a Lua. Entenda.
Duas massas gigantescas repousam no manto da Terra há pelo menos 500 milhões de anos; uma hipótese sugere que sejam restos do planeta que formou a Lua. Entenda.
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Maiores que continentes e mais altas que dezenas de montes Everest empilhados, elas estão a 2.900 quilômetros de profundidade, longe de qualquer perfuração. Os cientistas só as enxergam por ondas de terremotos. E discutem se são restos de um planeta perdido ou cemitérios de antigas placas afundadas no manto.

No fundo do nosso planeta, escondidas de qualquer olhar direto, existem estruturas que desafiam a imaginação. Duas massas gigantescas e antigas, uma sob a África e outra sob o Pacífico, repousam no fundo do manto da Terra há pelo menos 500 milhões de anos, e uma das hipóteses mais fascinantes sugere que sejam restos do planeta que colidiu com a Terra e formou a Lua.

Conhecidas pelos cientistas pela sigla LLSVPs, mas apelidadas de blobs, algo como bolhões, essas duas massas gigantescas ficam a cerca de 2.900 quilômetros de profundidade, na fronteira entre o manto e o núcleo do planeta, cada uma com proporções de continente. Um estudo de 2025, coliderado pela sismóloga Arwen Deuss, da Universidade de Utrecht, na Holanda, mapeou essas estruturas com mais detalhe e reacendeu o debate sobre sua origem e idade. A seguir, explicamos o que são essas formações, como os cientistas conseguem enxergá-las e por que elas intrigam tanto.

O tamanho das massas gigantescas no interior da Terra

Duas massas gigantescas repousam no manto da Terra há pelo menos 500 milhões de anos; uma hipótese sugere que sejam restos do planeta que formou a Lua. Entenda.
A escala dessas estruturas é difícil de processar. 

A massa localizada sob a África, batizada de Tuzo, tem cerca de 800 quilômetros de altura, o que equivale a aproximadamente 90 vezes a altura do Monte Everest, que tem pouco menos de 9 quilômetros, enquanto a do Pacífico, apelidada de Jason, tem dimensões igualmente colossais.

Juntas, essas duas massas gigantescas chegam a cobrir cerca de um quarto da área que envolve o núcleo da Terra.

Não é exagero chamá-las de montanhas internas monstruosas: se estivessem na superfície, seriam visíveis do espaço de um jeito impressionante.

Mas estão soterradas a uma profundidade que nenhuma perfuração humana jamais alcançou, e tudo o que se sabe sobre elas veio de maneira indireta.

Por que elas não destronam o Everest

Esse é um ponto que merece esclarecimento, porque circula muita informação confusa a respeito. 

Mesmo sendo gigantescas, essas estruturas não tiram do Everest o posto de montanha mais alta da Terra, e o motivo é simples: o Everest é o ponto mais alto acima do nível do mar, na superfície onde vivemos, enquanto os blobs estão no fundo, dentro do planeta, em contextos completamente diferentes.

Comparar a altura de uma com a outra é como comparar a altura de um prédio com a profundidade de um poço, são medidas de mundos distintos.

Uma é uma montanha que se pode, em tese, escalar; a outra é uma formação enterrada a milhares de quilômetros abaixo dos nossos pés.

Portanto, o Everest segue tranquilo em seu posto de pico mais alto do mundo, sem qualquer ameaça vinda dessas massas profundas.

Como é possível enxergar tão fundo

Já que ninguém consegue cavar até lá, surge a pergunta inevitável. 

Como ninguém pode escavar até essa profundidade, os cientistas usam uma técnica engenhosa chamada tomografia sísmica, parecida com um raio-X do planeta, que se baseia nas ondas geradas pelos terremotos para revelar o que existe no interior da Terra, sem precisar perfurar nada.

O processo funciona assim: quando ocorre um terremoto, ele gera ondas que atravessam o interior do planeta, e sensores espalhados pelo mundo registram essas ondas.

Ao passar por regiões diferentes, as ondas mudam de velocidade, e nos blobs elas desaceleram, o que denuncia que ali existe algo diferente e mais quente que o material ao redor.

Cruzando milhares desses dados, é possível mapear o que está escondido, como quem usa o eco para descobrir o formato de uma caverna nunca vista.

O mistério de bilhões de anos

O que mais intriga os cientistas não é o tamanho, mas a longevidade dessas massas. 

As estimativas apontam que essas estruturas têm pelo menos 500 milhões de anos, podendo chegar a bilhões, talvez existindo desde a formação da Terra, o que contraria a antiga ideia de que o manto do planeta seria todo bem misturado, como uma sopa em constante movimento, sem regiões estáveis por tanto tempo.

Segundo o estudo da Universidade de Utrecht, os blobs mostram que existem partes do manto que permaneceram relativamente paradas e intactas por um tempo imenso, sem se dissolver nessa mistura.

Isso revela que o interior da Terra é bem menos uniforme do que se imaginava, com gigantescas ilhas de material que resistem ao movimento ao seu redor há centenas de milhões, talvez bilhões de anos.

A hipótese que conecta tudo com a Lua

É aqui que entra a explicação mais cinematográfica para a origem dessas massas. 

Uma das hipóteses, defendida por pesquisadores como Qian Yuan, sugere que os blobs sejam restos do manto de um planeta chamado Theia, que teria colidido com a Terra há cerca de 4,5 bilhões de anos, no mesmo impacto que teria arrancado os detritos que formaram a Lua, com pedaços mais densos de Theia afundando e ficando presos no interior do nosso planeta.

É importante deixar claro, porém, que essa é apenas uma das hipóteses, e ainda não há consenso científico.

Outra explicação, considerada bastante provável por muitos pesquisadores, sustenta que os blobs sejam acúmulos de antigas placas tectônicas, ou seja, crosta oceânica que afundou no manto ao longo de centenas de milhões de anos, formando uma espécie de cemitério de placas.

Ambas as ideias seguem em debate, e novos estudos ainda buscam decifrar a verdadeira origem dessas formações.

Por que isso importa para nós

Pode parecer um tema distante demais, mas tem relevância concreta. 

Essas massas gigantescas podem influenciar a forma como o calor circula entre o núcleo e o manto da Terra, um processo ligado ao campo magnético que protege o planeta da radiação vinda do Sol, além de alimentarem plumas de material quente associadas a grandes erupções vulcânicas ao longo da história geológica.

Ou seja, entender esses gigantes ocultos ajuda a compreender como a Terra funciona por dentro e como ela se mantém habitável.

Fica um lembrete poderoso: a humanidade já enviou sondas a bilhões de quilômetros no espaço, mas ainda mal arranhou o que existe debaixo dos próprios pés.

Alguns dos maiores mistérios da ciência podem estar bem mais perto do que imaginamos, no coração do nosso planeta.

As duas massas gigantescas escondidas no manto da Terra estão entre os maiores e mais intrigantes enigmas da geologia moderna, unindo a escala colossal de suas dimensões ao mistério de sua origem e de sua idade de bilhões de anos.

Quer sejam restos de um planeta que ajudou a formar a Lua, quer sejam cemitérios de antigas placas, essas formações mostram que o interior do nosso mundo é muito mais complexo e surpreendente do que se imaginava.

Mais do que uma curiosidade, elas são uma janela para entender a própria história e o funcionamento da Terra.

E você, já imaginava que existiam estruturas tão colossais escondidas no fundo do nosso planeta? Qual hipótese te fascina mais, a dos restos do planeta Theia ou a das antigas placas afundadas? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e ajude a divulgar a matéria para quem se interessa por ciência, geologia e os mistérios da Terra.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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