Atualização dos dados globais mostra que a América Latina concentra as maiores reservas de petróleo do mundo, com destaque para Venezuela, Guiana e disputas geopolíticas na região do Essequibo.
O petróleo segue como um dos pilares da economia mundial. Mesmo em meio ao avanço das energias renováveis, o recurso continua essencial para o transporte, a indústria e a geopolítica internacional.
Nesse contexto, a América Latina passou a ocupar uma posição inédita no mapa energético. Dados recentes indicam que a região concentra hoje algumas das maiores reservas de petróleo do planeta, alterando a lógica tradicional dominada pelo Oriente Médio.
Além disso, a atualização das listas de reservas reacendeu disputas territoriais, interesses internacionais e novos desafios diplomáticos. O avanço latino-americano ocorre em paralelo ao aumento da exploração offshore e à presença crescente de empresas multinacionais.
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Essequibo surge como novo epicentro do petróleo na região
A virada mais simbólica envolve a região do Essequibo, território reconhecido internacionalmente como pertencente à Guiana, mas historicamente reivindicado pela Venezuela. Segundo especialistas, a área concentra cerca de 11 bilhões de barris de petróleo, grande parte localizada no mar, o que amplia seu valor estratégico.
Diante dessa riqueza, o presidente venezuelano Nicolás Maduro promulgou uma lei criando uma nova província da Venezuela na região. A decisão elevou as tensões diplomáticas. Autoridades guianenses reagiram imediatamente e afirmaram que não irão tolerar “a anexação, apreensão ou ocupação de qualquer parte” de seu território soberano.
Além do petróleo, o Essequibo também abriga outros minerais valiosos, o que reforça sua importância econômica e desperta o interesse de grandes potências.
Interesses internacionais aceleram disputas em torno do petróleo
Apesar do potencial energético, a ascensão da Guiana como potência petrolífera enfrenta obstáculos políticos e institucionais. Nos últimos anos, o governo autorizou a exploração da região por empresas estrangeiras, com destaque para a americana ExxonMobil. Atualmente, mais de mil campos de investigação estão em análise, envolvendo diferentes companhias do setor.
Essas autorizações ampliaram o protagonismo internacional da Guiana, mas também intensificaram pressões externas e disputas regionais. O petróleo, novamente, surge como elemento central de instabilidade e negociação entre Estados.
Venezuela lidera ranking global de reservas de petróleo
Embora enfrente uma profunda crise socioeconômica, a Venezuela continua no topo do ranking mundial de petróleo. Segundo estimativas atuais, o país possui cerca de 300,9 bilhões de barris, superando gigantes tradicionais do setor energético.
Relatório do Global Energy Monitor aponta que, entre 2022 e 2023, a América Latina respondeu pelo maior percentual de novas descobertas de petróleo no mundo. Esse dado reforça a importância estratégica do continente no cenário global.
Nesse período, aproximadamente 37,3% das novas reservas identificadas estão localizadas em países como Guiana, Colômbia, Cuba e Suriname, consolidando a região como uma nova fronteira petrolífera.
Ranking global expõe força latino-americana no petróleo
A reorganização das reservas globais evidencia o peso crescente da América Latina. Confira os países com maiores volumes de petróleo estimado:
- Venezuela – 300,9 bilhões de barris;
- Arábia Saudita – 266,5 bilhões de barris;
- Canadá – 169,7 bilhões de barris;
- Irã – 157,8 bilhões de barris;
- Iraque – 150 bilhões de barris;
- Rússia – 103,2 bilhões de barris;
- Kuwait – 101,5 bilhões de barris;
- Emirados Árabes Unidos – 97,8 bilhões de barris;
- Estados Unidos – 48,5 bilhões de barris;
- Líbia – 48,4 bilhões de barris.
A presença venezuelana no topo e o avanço de países sul-americanos sinalizam uma mudança estrutural no equilíbrio do petróleo mundial, com impactos diretos sobre investimentos, diplomacia e estratégias energéticas globais.

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