O petróleo fechou em queda superior a 1% após sinais de avanço diplomático entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, aumentando expectativas de maior oferta global de petróleo.
Os preços do petróleo encerraram o pregão desta terça-feira em forte queda no mercado internacional. O movimento ocorreu após a Ucrânia indicar apoio à estrutura de um possível acordo de paz com a Rússia, em meio a uma intensa pressão diplomática dos Estados Unidos para encerrar o conflito.
O cenário reforçou expectativas de aumento da oferta global, pressionando as cotações da commodity.
Expectativa de acordo eleva temores sobre excesso de oferta
Desde as primeiras horas do dia, operadores passaram a precificar a chance de um desfecho do conflito no Leste Europeu. O fim da guerra poderia abrir espaço para o relaxamento das sanções ocidentais impostas ao comércio de energia da Rússia. Com isso, volumes adicionais de petróleo poderiam retornar ao mercado internacional.
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Esse possível aumento de oferta ocorre justamente em um momento de fragilidade dos preços das commodities. Analistas já projetam excesso de produção global no próximo ano, o que amplia a sensibilidade do mercado a qualquer sinal de normalização geopolítica.
Cotações do Brent e do WTI fecham em queda
No fechamento do dia, os contratos futuros do petróleo Brent recuaram 1,4%, encerrando as negociações cotados a US$ 62,48 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caiu 1,51%, terminando o pregão a US$ 57,95 por barril.
A retração superior a 1% reflete a leitura do mercado de que um acordo poderá enfraquecer as restrições sobre a produção e exportação de petróleo russo, ampliando a pressão sobre os preços internacionais.
Movimentação diplomática envolvendo EUA, Ucrânia e Rússia
De acordo com informações de autoridades ucranianas, o presidente Volodymyr Zelenskiy poderá viajar aos Estados Unidos nos próximos dias. O objetivo seria finalizar um entendimento com o presidente norte-americano, Donald Trump, para encerrar o conflito.
A informação foi confirmada pelo chefe de segurança nacional de Kiev, Rustem Umerov. A possibilidade da visita reforçou a percepção de avanço nas negociações e contribuiu para o enfraquecimento das cotações do petróleo.
Postura russa limita queda mais acentuada da commodity
Apesar da reação negativa do mercado, as perdas foram parcialmente contidas pela posição adotada pela Rússia. Moscou destacou que não permitirá um acordo que se afaste significativamente de seus objetivos estratégicos.
Segundo Ed Hayden-Briffett, analista de petróleo do Onyx Capital Group, essa postura levanta dúvidas sobre a viabilidade de um acordo formal. Isso ajudou a limitar um movimento ainda mais intenso de venda no mercado de petróleo, mantendo um certo grau de cautela entre os investidores.
A incerteza foi reforçada pelos acontecimentos no próprio território ucraniano. Nesta terça-feira, a Rússia lançou uma nova ofensiva com mísseis contra a capital Kiev. O ataque deixou seis mortos, feriu ao menos 13 pessoas e provocou interrupções nos sistemas de eletricidade e aquecimento da cidade.
