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Enquanto a OPEP segura produção, três países do Atlântico Sul saltam para metade do crescimento mundial de petróleo em 2026 — Brasil lidera, mas Guiana é a maior surpresa

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 30/04/2026 às 19:15
Atualizado em 30/04/2026 às 20:08
Plataforma FPSO em produção no Pré-Sal brasileiro com infraestrutura petrolífera no Atlântico Sul ao pôr do sol
Conceito visual de FPSO no Pré-Sal brasileiro
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Pela primeira vez na história moderna, três países sul-americanos vão responder, sozinhos, por metade do crescimento mundial de petróleo em 2026 — e a EIA acaba de confirmar o cenário em relatório oficial

O petróleo da América do Sul entrou em uma trajetória sem precedentes. Conforme detalhado pelo relatório oficial da Energy Information Administration (EIA) dos Estados Unidos, Brasil, Guiana e Argentina vão somar 0,4 milhão de barris adicionais por dia em 2026 — equivalente a 50% de todo o crescimento global previsto para o ano.

O número é histórico. Globalmente, a EIA projeta crescimento total de apenas 0,8 milhão de barris diários para 2026 — fruto de cortes coordenados da OPEP+ que limitam o avanço de produtores árabes e russos. Isso significa que o petróleo da América do Sul está literalmente equilibrando o mercado mundial sozinho.

Em 2025, esses três países já haviam respondido por 28% do crescimento global. Em apenas 12 meses, a fatia quase dobra. E o motor é claro: novos FPSOs entrando em operação no Brasil, projetos como Uaru na Guiana e a expansão acelerada da Vaca Muerta argentina.

Brasil: o líder do petróleo da América do Sul bateu recorde em outubro e prepara nova série de FPSOs

De acordo com a EIA, o Brasil consolida sua posição como maior produtor de petróleo da América do Sul. Em outubro de 2025, o país atingiu pela primeira vez a marca de 4,0 milhões de barris por dia — número alcançado depois de mais de uma década de investimentos no Pré-Sal.

Os dados mais recentes são ainda melhores. Em fevereiro de 2026, a Petrobras alcançou 5,3 milhões de boe/d (barris de óleo equivalente por dia), alta de 16,4% ano a ano. Em comparação, os campos do Pré-Sal da Bacia de Santos representam hoje 80% a 82% de toda a produção operada pela estatal.

De fato, o salto não é casual. Como reportou recentemente o Click Petróleo e Gás, a Petrobras aprovou um pacote de R$ 60 bilhões para perfurar o pré-sal de Sergipe-Alagoas, o que pode adicionar mais 1 bilhão de barris às reservas brasileiras nos próximos cinco anos.

Em paralelo, dois FPSOs adicionais no campo de Búzios — operado pela Petrobras — entram em produção entre dezembro de 2025 e meados de 2026. Sozinhos, devem somar 0,2 milhão de barris diários, equivalente a quase metade do crescimento sul-americano previsto para o ano.

Plataforma offshore em Stabroek na Guiana liderando o crescimento do petróleo da América do Sul

Guiana: a economia que cresceu quase 20% por ano graças ao petróleo

Se o Brasil é gigante consolidado, a Guiana é fenômeno econômico recente. O petróleo da América do Sul tem na pequena nação caribenha sua aposta mais ousada: campo offshore de Stabroek, operado pela ExxonMobil em parceria com Hess e CNOOC.

A produção guianense saltou de zero, em 2019, para quase um milhão de barris diários previstos para 2027. Em 2026, deve atingir 140 mil barris adicionais por dia, alcançando 840 mil bbl/d. O projeto Uaru, com início também previsto para este ano, deve adicionar mais 250 mil barris diários.

Conforme detalhado pelo Rio Times Online, o impacto econômico é extraordinário: o PIB da Guiana cresceu 19,3% em 2025 e deve registrar 16,2% em 2026. O Fundo de Recursos Naturais do país atingiu US$ 3,82 bilhões no início de 2026, acumulado em poucos anos desde o início da produção.

Em outras palavras, a Guiana caminha para se tornar o maior produtor de petróleo per capita do mundo. De fato, com cerca de 800 mil habitantes e produção rumo a 1,15 milhão de barris diários, cada cidadão guianense gera mais petróleo por dia que qualquer cidadão saudita ou russo.

Campo de xisto Vaca Muerta na Argentina como motor do petróleo da América do Sul

Argentina: Vaca Muerta cresce 30% e Buenos Aires sonha com top 10 mundial

Por sua vez, o terceiro pilar do petróleo da América do Sul é a Argentina. Naquele momento de virada, o país já é o quarto maior produtor sul-americano, atrás de Brasil, Venezuela e Guiana — mas tem trajetória que pode mudar o ranking nos próximos cinco anos.

Os números falam alto. Em 2024, a produção argentina foi de 670 mil b/d. Em 2025, subiu para 740 mil. Para 2026, a EIA projeta 810 mil barris diários, alta de 15,3% ano a ano. A Vaca Muerta — formação de xisto na Patagônia — sozinha cresce 30% em 2026.

Como reportou recentemente o Click Petróleo e Gás, a Vaca Muerta gerou superávit energético recorde de US$ 7,8 bilhões em 2025 à Argentina, revertendo o déficit de US$ 7 bilhões registrado em 2013.

De fato, projeções de longo prazo apontam a Argentina chegando a 1,456 milhão de barris diários em 2030 — o que colocaria o país entre os 10 maiores produtores globais. Antes de 2021, a produção argentina estava em declínio sustentado.

O contraste com a OPEP+ que segura a oferta global

Enquanto o petróleo da América do Sul dispara, o cartel global puxa a corda no sentido inverso. A OPEP+, formada por Arábia Saudita, Rússia e mais 9 membros, mantém cortes coordenados que limitam o crescimento global da oferta.

A consequência é dramática. Em 2024, produtores fora do cartel subiram a oferta em 1,1 milhão b/d, mas os cortes da OPEP+ compensaram tudo, resultando em queda global de 0,2 milhão b/d. Em 2025, a recuperação veio com 2,2 milhões adicionais, com 1,7 milhão deles vindo de fora do cartel.

Em paralelo, os Emirados Árabes Unidos saem da OPEP em 1º de maio de 2026, sinalizando fragmentação interna do bloco. Isso significa que o petróleo da América do Sul ganha ainda mais peso relativo nos próximos meses, à medida que o cartel perde coordenação.

Por consequência, a região virou alavanca decisiva para a estabilidade dos preços globais. Cada barril adicional vindo do Atlântico Sul pode evitar choques de oferta em momentos de tensão geopolítica.

Terminal de exportação no Atlântico Sul que escoa o petróleo da América do Sul

O Atlântico Sul como nova fronteira energética do planeta — e por que o petróleo da América do Sul vira ativo estratégico

Geograficamente, há um padrão claro. Os três países líderes do crescimento global ficam todos voltados para o Atlântico — não para o Pacífico, não para o Mar Mediterrâneo, não para o Mar do Norte. Isso facilita o escoamento via navios-tanque para Europa e América do Norte sem cruzar pontos sensíveis como o Estreito de Ormuz.

Para entender, cada terminal de exportação no Atlântico Sul virou ativo estratégico. A região ganhou ainda mais relevância depois dos choques geopolíticos no Golfo Pérsico, onde tensões entre Israel, Irã e potências regionais ameaçam constantemente o transporte mundial de petróleo.

Em comparação, o Brasil exporta hoje boa parte do seu petróleo para a China — como mostrou matéria do Click Petróleo e Gás. Mas a Europa também figura entre os destinos prioritários, especialmente para óleo leve do Pré-Sal e da Guiana.

Impactos econômicos e estratégicos para o Brasil

Para o Brasil, liderar o crescimento mundial de petróleo significa receita adicional substancial em royalties, participação especial e impostos sobre a Petrobras. Por consequência, com Brent acima de US$ 100 e produção crescente, a arrecadação federal direta vinda do setor pode ultrapassar R$ 250 bilhões em 2026.

Para entender o tamanho do impacto, esse valor é equivalente a quase metade do orçamento brasileiro do Bolsa Família — só em royalties do petróleo, num único ano fiscal.

Em paralelo, a posição estratégica abre espaço para o país ter mais voz em fóruns globais como AIE, G20 e BRICS. Por sua vez, cada barril produzido no Pré-Sal aumenta o peso geopolítico do Itamaraty na hora de negociar acordos comerciais e regras climáticas internacionais.

De acordo com analistas, o desafio agora é equilibrar a expansão petrolífera com as metas climáticas brasileiras. Como o país também é maior produtor mundial de etanol e tem 83% de matriz elétrica renovável, a equação Pré-Sal versus transição energética está no centro do debate.

  • 0,4 milhão b/d — crescimento conjunto previsto Brasil+Guiana+Argentina em 2026
  • 50% — fatia desse trio no crescimento global de petróleo no ano
  • 4,0 milhões b/d — produção brasileira média em 2026 (média anual)
  • 5,3 milhões boe/d — pico Petrobras em fevereiro de 2026
  • 140 mil b/d — incremento da Guiana em 2026
  • 810 mil b/d — produção argentina projetada em 2026
  • +19,3% — crescimento do PIB da Guiana em 2025

Ressalvas: nem todo o crescimento será fácil

Apesar dos números positivos, há desafios reais. Os preços do Brent podem ceder se OPEP+ afrouxar cortes, comprimindo margens dos novos projetos sul-americanos. A maioria dos campos do Pré-Sal e Stabroek têm break-even acima de US$ 30 — confortável hoje, mas vulnerável em ciclo descendente.

Além disso, riscos políticos persistem. A Venezuela, segundo maior produtor regional em volume teórico, opera com sanções pesadas e produção bem abaixo de seu potencial técnico. Qualquer mudança no cenário venezuelano pode redesenhar a posição da região como um todo.

Por fim, há a transição energética. Demanda global de petróleo deve perder força entre 2030 e 2040, segundo a Agência Internacional de Energia. Os investimentos sul-americanos precisam, portanto, gerar caixa rápido — antes que a curva mundial de demanda mude para sempre.

A pergunta que fica é incômoda. Se o Atlântico Sul virou o motor do crescimento global de petróleo, o que acontece quando o mundo precisar de menos? E o Brasil, líder regional, vai conseguir transformar essa receita-vida-curta em investimentos de longo prazo em educação, infraestrutura e nova energia limpa? O tempo de decidir é agora.

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Antônio
Antônio
04/05/2026 08:34

Visão da Opep está igual a dono de posto de gasolina pequeno que entra nos cartéis, fica atrás de preço deixa de ganhar para manter os grandes na liderança e não deixar os pequenos crescerem kkkk, a diferença é que já tem países que perceberam isso e estão pulando fora kkk( no Brasil um cara abre um posto com 4 bombas e morre com as 4 no cartel, já o grande abre com 8 bombas abre loja de conveniência e compra os pequenos baratos e só vai crescendo provando que a ganância leva o empresário à pobreza kkk

Stilpen
Stilpen
03/05/2026 09:32

Infelizmente com os governantes que temos, este dinheiro a mais vai ser usado em campanha eleitoral, propinas e comprar de bens por laranjas de políticos. É um pena.

Marcus Sampaio
Marcus Sampaio
02/05/2026 15:23

Sensacional. Precisamos re eleger Lula em 2026, com base forte na câmera e no senado. Do contrário, a extrema direita entregará nossas riquezas por quase nada, como tem demonstrado a história.

Luiz de Santana Junior
Luiz de Santana Junior
Em resposta a  Marcus Sampaio
04/05/2026 22:08

Por quê se é tão contra a iniciativa privada?

Jefferson paulino
Jefferson paulino
Em resposta a  Marcus Sampaio
05/05/2026 14:59

Toda essa riqueza precisa ser estatização, pós os dividendos oriundos do petróleo tem que servir para, se nao acabar, reduzir a desigualdade social no brasil

Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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