A Petrobras anunciou novos contratos comerciais com a Braskem, envolvendo fornecimento estratégico de nafta, etano, propano e hidrogênio, garantindo previsibilidade industrial e investimentos a partir de 2026
Em 18 de dezembro de 2025, a Petrobras anunciou, por meio de fato relevante ao mercado, a celebração de novos contratos comerciais de longo prazo com a Braskem, em razão da proximidade do vencimento dos acordos atualmente em vigor. Os contratos envolvem fornecimento de nafta, etano, propano, hidrogênio e propeno, com vigência a partir de 2026 e valores estimados que, somados, ultrapassam US$ 17 bilhões.
Contratos comerciais entre Petrobras e Braskem reforçam integração industrial
O acordo representa um dos movimentos mais relevantes do setor de energia e petroquímica no Brasil, ao assegurar previsibilidade operacional, estabilidade de abastecimento e alinhamento às condições internacionais de mercado. Petrobras e Braskem reforçam, assim, uma parceria estratégica que sustenta grande parte da cadeia petroquímica nacional.
Os novos contratos comerciais abrangem diferentes produtos essenciais para a indústria petroquímica e têm prazos que variam entre cinco e 11 anos. A Petrobras destacou que a negociação ocorreu em condições de mercado, observando critérios de transparência, equidade e governança corporativa.
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A iniciativa garante segurança jurídica e previsibilidade tanto para a Petrobras, que assegura o escoamento de sua produção, quanto para a Braskem, que mantém o fornecimento contínuo de matérias-primas estratégicas para suas plantas industriais no Brasil.
Esse tipo de contrato de longo prazo é fundamental em setores intensivos em capital, nos quais decisões de investimento dependem de estabilidade e planejamento antecipado.
Fornecimento de nafta da Petrobras para a Braskem é o principal acordo
O maior contrato firmado envolve a compra e venda de nafta petroquímica, destinada ao abastecimento das unidades da Braskem nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. O acordo tem vigência de cinco anos, com início em 1º de janeiro de 2026, e valor estimado de US$ 11,3 bilhões.
Os preços da nafta serão referenciados ao mercado internacional, garantindo alinhamento com as práticas globais do setor. Além disso, os contratos estabelecem uma retirada mínima mensal obrigatória, com possibilidade de negociação de volumes adicionais conforme a demanda da Braskem. Essa estrutura oferece flexibilidade operacional e contribui para o equilíbrio entre oferta e consumo ao longo do período contratual.
Volume de nafta cresce até 2030 com base nos contratos comerciais
As quantidades contratadas de nafta petroquímica poderão alcançar até 4,116 milhões de toneladas em 2026, com crescimento progressivo ao longo dos anos seguintes. Em 2030, o volume máximo previsto pode chegar a 4,316 milhões de toneladas anuais.
Esse aumento acompanha a estratégia industrial da Braskem de manter competitividade e eficiência produtiva, enquanto a Petrobras fortalece seu planejamento de refino e logística. A previsibilidade de volumes é um dos principais benefícios dos contratos comerciais de longo prazo, reduzindo riscos e custos operacionais.
Etano, propano e hidrogênio ampliam parceria no Rio de Janeiro
Outro eixo relevante dos acordos envolve o fornecimento de etano, propano e hidrogênio para a Braskem no estado do Rio de Janeiro. Esse contrato tem valor estimado de US$ 5,6 bilhões e vigência de 11 anos, reforçando o compromisso de longo prazo entre as companhias.
Entre 2026 e 2028, será mantida a quantidade atualmente contratada, equivalente a 580 mil toneladas anuais em eteno equivalente, com produção e fornecimento a partir da Reduc (Refinaria Duque de Caxias), operada pela Petrobras. O hidrogênio é um insumo essencial nos processos industriais petroquímicos, além de ganhar importância crescente em estratégias de eficiência energética.
Expansão do fornecimento de hidrogênio e derivados a partir de 2029
De 2029 a 2036, os contratos comerciais preveem um aumento significativo no fornecimento, que poderá chegar a 725 mil toneladas anuais em eteno equivalente. Esse volume está associado a um projeto de ampliação da Braskem, ainda em fase de desenvolvimento.
O fornecimento poderá ocorrer tanto pela Reduc quanto pelo Complexo de Energias Boaventura, ampliando a segurança logística e a capacidade operacional da Petrobras. Essa flexibilidade reforça o caráter estratégico do acordo, que vai além da reposição de contratos antigos e projeta crescimento futuro.
Venda de propeno complementa os contratos comerciais
Além dos principais insumos, a Petrobras firmou contratos para a venda de propeno, com valor estimado de US$ 940 milhões e vigência de cinco anos a partir de 18 de maio de 2026. O produto será fornecido por diferentes refinarias da estatal.
A Reduc, no Rio de Janeiro, poderá fornecer até 100 mil toneladas por ano, enquanto a Recap, em São Paulo, poderá alcançar até 140 mil toneladas anuais. Já a Refap, no Rio Grande do Sul, terá volumes escalonados ao longo do período contratual, variando entre 14 mil e 60 mil toneladas por ano. Os preços também estarão atrelados a referências internacionais, mantendo coerência com os demais contratos comerciais firmados entre Petrobras e Braskem.
Governança, transparência e análise dos contratos comerciais
A Petrobras informou que os contratos foram classificados como TPR (Transação com Parte Relacionada), sendo negociados em condições estritamente comutativas e alinhadas ao mercado. Todas as operações passaram por análise do Comitê de Auditoria Estatutário (CAE).
Esse processo reforça a governança corporativa e a segurança jurídica dos contratos, aspecto fundamental para a credibilidade das empresas junto a investidores e órgãos reguladores. A transparência é um elemento central em operações dessa magnitude, especialmente quando envolvem empresas com histórico de integração societária.
Impactos estratégicos para Petrobras, Braskem e a indústria nacional
Os novos contratos comerciais consolidam uma relação estratégica que sustenta parte significativa da indústria petroquímica brasileira. Para a Petrobras, os acordos garantem demanda estável para seus derivados e melhoram a previsibilidade de receitas no médio e longo prazo.
Para a Braskem, a segurança no fornecimento de nafta, etano, propano e hidrogênio reduz riscos operacionais e apoia planos de expansão industrial. Em nível setorial, os contratos contribuem para a estabilidade da cadeia produtiva, preservando investimentos, empregos e competitividade internacional.
Trata-se de um movimento estruturante, que reforça o papel das duas companhias no desenvolvimento econômico e industrial do Brasil em um cenário global cada vez mais desafiador.

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