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Petrobras coloca R$ 15 bilhões na mesa e inicia estudos com inteligência artificial na Bacia do Marajó, enquanto projeta US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial para explorar 37 bacias sedimentares estratégicas do Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 21/04/2026 às 09:33
Atualizado em 21/04/2026 às 09:35
Petrobras investe no Marajó com IA e prevê US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial até 2030 para ampliar exploração e dados geológicos.
Petrobras investe no Marajó com IA e prevê US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial até 2030 para ampliar exploração e dados geológicos.
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Investimentos em pesquisa geológica e inteligência artificial avançam na Amazônia e na Margem Equatorial, ampliando o conhecimento científico, integrando dados inéditos e criando base técnica para decisões estratégicas sobre recursos naturais e produção de energia no Brasil.

A Petrobras confirmou o investimento de R$ 2,8 milhões em um projeto científico voltado à revisão da Carta Estratigráfica da Bacia do Marajó, no Pará, conduzido pelo Serviço Geológico do Brasil em parceria com universidades, incluindo a UFPA.

Com duração estimada de 18 meses, a iniciativa busca ampliar o conhecimento geológico da região ao integrar dados existentes e preencher lacunas relevantes sobre sistemas sedimentares, recursos minerais e potencial energético, consolidando uma base técnica mais robusta para estudos futuros.

Paralelamente, a estatal avança na Margem Equatorial, onde prevê investir US$ 2,5 bilhões até 2030, além de planejar a perfuração de 15 novos poços nos próximos anos, tratando a região como uma nova fronteira estratégica para reposição de reservas.

Estudos geológicos no Marajó ganham novo fôlego

No caso do Marajó, a Petrobras e o SGB enquadram o projeto como uma iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação, sem finalidade comercial imediata, voltada à atualização e padronização de informações geológicas consideradas essenciais para o avanço do conhecimento científico.

Nesse contexto, a revisão das cartas estratigráficas assume papel central ao organizar a nomenclatura das unidades geológicas e sua posição temporal, permitindo maior precisão em pesquisas acadêmicas, planejamento territorial e estudos técnicos relacionados ao uso de recursos naturais.

Com cerca de 53 mil quilômetros quadrados, a Bacia do Marajó está situada na confluência dos rios Amazonas e Tocantins, entre as bacias do Amazonas e do Parnaíba, apresentando áreas ainda pouco compreendidas em sua evolução tectônica e sedimentar.

Dessa forma, o estudo pretende consolidar dados dispersos e aprofundar a análise de trechos menos explorados, especialmente na seção rifte, considerada estratégica para compreender a formação e o desenvolvimento geológico da região.

Inteligência artificial e tecnologia no mapeamento geológico

Para ampliar a precisão das análises, o projeto incorpora ferramentas de inteligência artificial no mapeamento de sismofácies, combinadas a métodos avançados de geocronologia e termocronologia, ampliando a capacidade de interpretação dos dados geológicos disponíveis.

Ao mesmo tempo, a pesquisa será conduzida por uma equipe multidisciplinar composta por 21 especialistas, sendo 15 do próprio SGB e seis vinculados a universidades brasileiras, reunindo diferentes expertises em um modelo colaborativo de investigação científica.

Esse arranjo integra leitura de superfície, dados de subsuperfície e interpretação geofísica refinada, criando uma abordagem mais completa e consistente para a análise da estrutura geológica da bacia.

Além disso, a participação da UFPA se destaca pelo acúmulo de conhecimento regional, enquanto a colaboração com instituições como UFAM, USP, UnB, UFRJ e UFRGS amplia o alcance técnico e científico do projeto.

Revisão de bacias sedimentares entra na agenda nacional

A atualização prevista para o Marajó integra uma agenda mais ampla de revisão do conhecimento geológico das bacias sedimentares brasileiras, retomando iniciativas anteriores da Petrobras que tiveram como marco publicações relevantes, como o Boletim de Geociências de 2007.

Diferentemente de levantamentos iniciais, o novo esforço parte de um acervo consolidado ao longo de décadas de exploração e produção científica, permitindo uma revisão mais aprofundada e integrada das informações disponíveis.

No âmbito estratégico, a Petrobras mantém a exploração como eixo central de seu planejamento de longo prazo, com o Plano de Negócios 2026-2030 prevendo US$ 109 bilhões em investimentos totais.

Dentro desse montante, US$ 7,1 bilhões serão destinados a atividades exploratórias, com foco em bacias do Sul e Sudeste, na Margem Equatorial e em ativos internacionais, reforçando a importância da reposição de reservas.

Repercussão política e expectativas econômicas

A iniciativa provocou diferentes reações entre parlamentares paraenses, refletindo visões distintas sobre o impacto potencial do projeto no desenvolvimento regional e na economia do estado.

Segundo o senador Beto Faro, o investimento pode reposicionar o Marajó no cenário energético nacional, embora ressalte que a existência de recursos naturais não garante avanços sociais sem governança, planejamento e capacidade institucional.

Por outro lado, o deputado Joaquim Passarinho avalia que o investimento chega com atraso diante do potencial já identificado na região, defendendo que desenvolvimento econômico e preservação ambiental devem avançar de forma simultânea.

Já o senador Zequinha Marinho destaca a necessidade de um projeto estruturado para o arquipélago, apontando que a iniciativa pode atrair investimentos, gerar oportunidades e fortalecer cadeias produtivas locais.

Apesar das diferenças de abordagem, há convergência quanto à necessidade de planejamento institucional e gestão eficiente para transformar eventuais descobertas em benefícios concretos para a população.

Margem Equatorial e avanço do poço Morpho

Enquanto os estudos se concentram em terra, a Petrobras mantém a Margem Equatorial como uma frente estratégica no ambiente offshore, avançando com projetos considerados prioritários para o futuro da produção energética brasileira.

Nesse cenário, a companhia retomou a perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, após a interrupção causada pelo vazamento de um fluido biodegradável registrado no início do ano.

Posteriormente, as operações foram retomadas e passaram a seguir novo cronograma, com previsão de conclusão em meados de junho de 2026, após ajustes no planejamento inicial.

Assim, a Petrobras atua simultaneamente em duas frentes complementares, combinando a ampliação do conhecimento científico em áreas pouco exploradas com o avanço de projetos de exploração considerados estratégicos.

No curto prazo, o projeto no Marajó mantém caráter técnico e acadêmico, enquanto, em perspectiva mais ampla, os dados gerados devem subsidiar decisões relacionadas a recursos minerais, gestão hídrica e planejamento público.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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