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Se o assento de avião já parece apertado, imagine voar em uma cadeira de vime sem cinto: nos primeiros voos comerciais, companhias escolhiam móveis leves para economizar peso, até o alumínio, a espuma e as regras de segurança mudarem a cabine para sempre

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Escrito por Carla Teles Publicado em 05/07/2026 às 15:09 Atualizado em 05/07/2026 às 15:17
Se o assento de avião já parece apertado, imagine voar em uma cadeira de vime sem cinto nos primeiros voos comerciais, companhias escolhiam móveis leves para economizar peso (1)
Assento de avião saiu da cadeira de vime para cabine com alumínio e segurança, revelando como voar mudou para sempre. Imagem: Redes Sociais/Unsplash
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Reportagem da Xataka mostra que o assento de avião começou com cadeiras de vime parafusadas ao piso, ainda sem cintos, antes de alumínio, couro, espuma, sistemas do Boeing 747 e testes de 16g transformarem conforto, peso e segurança dentro das cabines comerciais modernas ao longo da aviação de passageiros mundial.

O assento de avião moderno pode parecer apertado para muitos passageiros, mas os primeiros voos comerciais tiveram soluções muito mais simples. Segundo reportagem da Xataka, as primeiras cabines chegaram a usar cadeiras de vime parafusadas ao piso, em uma época em que leveza importava mais do que conforto e segurança.

A matéria, assinada por Eva R. de Luis e publicada em 5 de julho de 2026, reconstrói a evolução dos assentos comerciais a partir de registros históricos, arquivos da British Airways e informações citadas da Air Charter Service USA. A trajetória mostra como a cabine deixou de parecer uma sala improvisada e passou a seguir critérios rígidos de engenharia.

Cadeiras de vime apareceram nos primeiros voos comerciais

Se o assento de avião já parece apertado, imagine voar em uma cadeira de vime sem cinto nos primeiros voos comerciais, companhias escolhiam móveis leves para economizar peso
Assento de avião saiu da cadeira de vime para cabine com alumínio e segurança, revelando como voar mudou para sempre. Imagem: Redes Sociais

A imagem que viralizou nas redes sociais mostrava uma cabine antiga com carpete, cadeiras de vime e nenhum cinto de segurança visível. A publicação atribuía a cena a um avião da Imperial Airways em 1936, mas a verificação citada pela Xataka confirmou a foto sem confirmar exatamente a data.

A própria reportagem informa que a mesma cabine aparece em arquivos da British Airways associada à década de 1920. Mesmo com a data específica em aberto, a imagem representa bem o visual dos primeiros interiores da aviação comercial, quando a experiência de voar ainda estava longe do padrão conhecido hoje.

Peso era prioridade antes de conforto e impacto

Nos primeiros anos da aviação de passageiros, o critério principal para o assento de avião era ser leve. Os motores tinham empuxo limitado, e reduzir peso ajudava a aumentar a carga útil da aeronave, algo decisivo para empresas que ainda testavam o transporte aéreo comercial.

Por isso, a escolha do vime fazia sentido dentro daquele contexto técnico. Era um material leve, relativamente confortável para os padrões da época e fácil de instalar. A preocupação com resistência a impactos e absorção de energia ainda não tinha o mesmo peso que ganharia nas décadas seguintes.

Lawson Airliner levou 26 cadeiras de vime

Segundo a Xataka, a Air Charter Service USA aponta que o Lawson Airliner, em 1919, usou 26 cadeiras de vime como assentos para passageiros. Aquele período também marcou o surgimento de companhias aéreas históricas, como a KLM, na Holanda, e a Avianca, nas Américas.

PJ Wilcynski, pesquisador histórico da Boeing citado pela Travel+Leisure na reportagem, afirmou que essas cadeiras de vime parafusadas ao chão deram início à lógica dos assentos para passageiros. A cabine ainda era rudimentar, mas já indicava a tentativa de transformar o avião em meio de transporte regular.

Couro e acolchoamento entraram ainda nos anos 1920

As cadeiras de vime não permaneceram por muito tempo como solução pura. No fim dos anos 1920, surgiram versões acolchoadas e revestidas de couro, uma adaptação que buscava melhorar a experiência a bordo sem abandonar completamente a leveza.

O couro tinha uma função prática. Segundo PJ Wilcynski, ele era popular porque facilitava a limpeza dos assentos em um período marcado por fuligem nos aeroportos e pistas empoeiradas. O conforto começava a entrar na cabine, mas ainda ligado a necessidades operacionais muito básicas.

Alumínio mudou a estrutura dos assentos nos anos 1930

A grande virada veio nos anos 1930, quando a Aluminium Company of America criou um assento de passageiros feito com metal leve. A partir daí, as estruturas tubulares de alumínio começaram a se espalhar pelas aeronaves das companhias aéreas.

Esse avanço foi decisivo porque o alumínio combinava leveza e resistência de forma mais adequada que o vime. O assento de avião começou a se aproximar de uma peça de engenharia, abrindo espaço para almofadas, revestimentos melhores e elementos de segurança que antes não faziam parte da cabine.

Espuma e cinto chegaram com novo padrão de cabine

Ainda nos anos 1930, os assentos passaram a incorporar mais elementos de conforto. A reportagem cita a chegada de capas de veludo, cintos de segurança grossos e, em 1936, assentos de espuma revestidos de borracha associados ao Douglas DC-3.

Esse processo transformou a cabine em um ambiente mais reconhecível para o passageiro moderno. A cadeira improvisada deu lugar a uma estrutura pensada para suportar uso repetido, oferecer algum conforto e responder melhor às exigências de segurança.

Boeing 747 levou funções elétricas e entretenimento ao assento

Em 1952, chegaram os primeiros assentos reclináveis comerciais. Mas, segundo PJ Wilcynski, o grande salto para a experiência atual veio com o Boeing 747, por volta de 1970, quando o assento passou a integrar funções de cabine mais complexas.

O sistema multiplex introduziu chamada para o operador, luz de leitura e áudio para filmes, transmitido por tubos pneumáticos conectados ao apoio de braço. A partir daí, o assento de avião deixou de ser apenas um lugar para sentar e passou a concentrar serviços, conforto e comunicação dentro da cabine.

Segurança passou de 6g para exigências muito mais duras

A evolução mais importante não foi apenas estética ou ergonômica. Nos primeiros anos, segundo a Xataka, os assentos precisavam suportar força de 6g. Nos anos 1950, essa exigência subiu para 9g, acompanhando a maturidade da indústria aeronáutica.

Hoje, os critérios são muito mais amplos. A fonte cita resistência ao fogo por 12 segundos, capacidade de suportar força de 16g, leveza, espuma apta como flutuador e resistência para diferentes tipos de passageiros. O assento de avião moderno é resultado de décadas de acidentes, normas e aprendizado técnico.

Cabine moderna nasceu da soma entre leveza, conforto e regra

A história dos assentos mostra que a aviação comercial não evoluiu de forma linear apenas para oferecer mais conforto. Muitas mudanças nasceram de limitações técnicas, sujeira nas pistas, necessidade de reduzir peso, novos materiais e regras de segurança mais rígidas.

Por isso, comparar as cadeiras de vime com os assentos atuais ajuda a entender uma mudança maior. O avião deixou de ser uma máquina experimental adaptada para passageiros e se tornou um ambiente regulado, calculado e padronizado para transportar milhões de pessoas.

O que os primeiros assentos dizem sobre voar hoje

O assento de avião atual pode ser alvo de críticas por espaço reduzido, pouca reclinação e desconforto em voos longos. Ainda assim, quando comparado às cadeiras de vime sem cinto dos primeiros tempos, ele mostra o quanto a cabine mudou em segurança, materiais e tecnologia.

A pergunta que fica é se a aviação moderna avançou mais em segurança do que em conforto para o passageiro comum. Você acha que os assentos atuais ainda podem melhorar muito, ou o limite de espaço e peso já transformou a cabine em um compromisso inevitável? Deixe sua opinião nos comentários.

Imagem Capa.
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Carla Teles

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