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Petrobras assinou contrato de R$ 11 bilhões com a norueguesa DOF para construir quatro navios de apoio submarino no estaleiro Navship em Navegantes, as embarcações terão propulsão híbrida com baterias e motores elétricos e o projeto deve gerar 7 mil empregos diretos e indiretos em Santa Catarina

Publicado em 17/05/2026 às 01:24
Atualizado em 17/05/2026 às 01:28
A Petrobras assinou contrato de R$ 11 bilhões com a norueguesa DOF para construir quatro navios de apoio submarino no estaleiro Navship, em Navegantes, SC. As embarcações terão propulsão híbrida e o projeto deve gerar 7 mil empregos diretos e indiretos. imagem: ilustrativa
A Petrobras assinou contrato de R$ 11 bilhões com a norueguesa DOF para construir quatro navios de apoio submarino no estaleiro Navship, em Navegantes, SC. As embarcações terão propulsão híbrida e o projeto deve gerar 7 mil empregos diretos e indiretos. imagem: ilustrativa
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A Petrobras assinou nesta quinta-feira (14) oito contratos que somam R$ 11 bilhões com a multinacional norueguesa DOF Subsea para a construção de quatro embarcações de apoio submarino no estaleiro Navship, em Navegantes, Santa Catarina. Segundo o NSC, os navios do tipo RSV (ROV Support Vessel) serão equipados com propulsão híbrida que combina baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental, e o projeto deve gerar cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos nas fases de construção e operação.

O contrato foi assinado pelo gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha, e pelo CEO da DOF, Mario Fuzetti, como parte do Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. As embarcações são especializadas em inspeção, manutenção e reparo submarino, atividades consideradas estratégicas para a continuidade das operações offshore em águas profundas e ultraprofundas. O projeto prevê alcançar até 80% de conteúdo local na fase de construção dos navios e 90% durante a operação, o que significa que a maior parte dos materiais, componentes e serviços será contratada de fornecedores brasileiros. Para Santa Catarina, que já concentra outros projetos bilionários de construção naval em Itajaí, a chegada de R$ 11 bilhões em contratos ao estaleiro de Navegantes consolida o litoral catarinense como um dos principais polos navais do país.

R$ 11 bilhões e quatro navios para águas ultraprofundas

O contrato foi assinado pelo gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha (E) e pelo CEO da DOF Subsea Mario Fuzetti (Foto: Divulgação, Petrobras)  

Os oito contratos assinados pela Petrobras com a DOF cobrem não apenas a construção dos quatro navios, mas também o afretamento e os serviços de apoio submarino que as embarcações realizarão ao longo de suas vidas operacionais. Os navios do tipo RSV são equipados com ROVs (Remotely Operated Vehicles), robôs submarinos controlados remotamente que realizam inspeções, reparos e manutenção em equipamentos no fundo do mar, como dutos, válvulas e conexões de poços de petróleo localizados a milhares de metros de profundidade.

Essas embarcações são essenciais para que a Petrobras mantenha a produção em campos do pré-sal, onde os equipamentos submarinos operam em condições extremas de pressão e temperatura. Sem navios RSV disponíveis, qualquer falha em um equipamento no fundo do mar pode interromper a produção de um poço inteiro até que uma embarcação de reparo chegue ao local. Ampliar a frota com quatro novos navios construídos no Brasil reduz a dependência de embarcações estrangeiras e garante maior agilidade nas intervenções.

7 mil empregos entre construção e operação

O impacto do contrato da Petrobras no mercado de trabalho é significativo. As estimativas apontam para a criação de 1.500 empregos diretos e 5.600 indiretos nas fases de construção e operação dos quatro navios. Os empregos diretos incluem soldadores, caldeireiros, eletricistas, engenheiros navais e técnicos especializados que trabalharão no estaleiro Navship durante a montagem das embarcações. Os indiretos abrangem toda a cadeia de fornecedores que produzirá componentes, materiais e serviços para o projeto.

Para Navegantes e a região do Vale do Itajaí, a geração de 7 mil empregos associados a um único contrato representa um impulso econômico que vai além do estaleiro. Trabalhadores contratados consomem moradia, alimentação, transporte e serviços locais, movimentando a economia das cidades ao redor. A experiência acumulada pelos profissionais durante a construção de navios de alta tecnologia também cria mão de obra qualificada que pode ser aproveitada em outros projetos navais da região.

Propulsão híbrida: baterias e motores elétricos no mar

Um dos aspectos mais relevantes das novas embarcações da Petrobras é o sistema de propulsão híbrida. Os navios combinarão baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental, uma tecnologia que permite maior eficiência energética, redução no consumo de combustível e menor emissão de gases de efeito estufa. Em operações de apoio submarino, onde o navio frequentemente permanece posicionado sobre um ponto fixo no mar por horas ou dias durante intervenções com ROVs, a capacidade de operar com motores elétricos alimentados por baterias reduz drasticamente o consumo de diesel.

A adoção de propulsão híbrida faz parte das metas de descarbonização da Petrobras, que busca reduzir a intensidade de carbono de suas operações. Mario Fuzetti, CEO da DOF, destacou que as embarcações são “tecnológicas, com redução de emissões de carbono” e que a parceria mantém a indústria naval aquecida. Para uma empresa de petróleo que enfrenta pressão global por sustentabilidade, investir em navios com propulsão limpa é uma forma de demonstrar compromisso com a transição energética sem comprometer a capacidade operacional.

80% de conteúdo local: o que isso significa na prática

A meta de 80% de conteúdo local na construção e 90% na operação dos navios da Petrobras não é apenas um número contratual. Significa que de cada R$ 100 investidos na construção, R$ 80 serão gastos com materiais, componentes e serviços produzidos no Brasil. Chapas de aço, sistemas elétricos, tubulações, pintura, isolamento térmico, equipamentos de segurança e dezenas de outros itens serão fornecidos por empresas brasileiras, criando demanda em toda a cadeia industrial do país.

Na fase de operação, os 90% de conteúdo local indicam que os tripulantes serão brasileiros, a manutenção será feita em estaleiros nacionais e os suprimentos virão de fornecedores locais. Para a Petrobras, essa estratégia reduz a exposição ao câmbio, já que menos componentes precisam ser importados em dólar. Para a indústria naval brasileira, representa volume de encomendas que justifica investimentos em capacidade produtiva e formação de mão de obra qualificada.

O estaleiro Navship e o polo naval de Santa Catarina

O Navship, localizado em Navegantes, é o estaleiro onde os quatro navios da Petrobras serão construídos como parceiro da DOF. A escolha de um estaleiro catarinense reforça a posição de Santa Catarina como polo naval relevante, especialmente considerando que outros projetos bilionários já estão em andamento no litoral do estado. A Thyssenkrupp, no Estaleiro Brasil Sul em Itajaí, constrói quatro fragatas para a Marinha com investimento de aproximadamente R$ 12 bilhões. O Estaleiro Detroit, também na região, fabrica oito embarcações para operações offshore com investimento total de R$ 2,5 bilhões.

Somando os três projetos, o litoral catarinense concentra mais de R$ 25 bilhões em contratos de construção naval, um volume que transforma a região em um dos maiores canteiros navais do Brasil. Para trabalhadores especializados da área naval, Santa Catarina se torna destino de migração profissional com oferta de emprego que poucas regiões do país conseguem oferecer neste momento.

R$ 11 bilhões que aquecem o mar e a economia

A Petrobras assinou R$ 11 bilhões em contratos para construir quatro navios de apoio submarino com propulsão híbrida no estaleiro Navship, em Navegantes. O projeto gerará 7 mil empregos, terá até 90% de conteúdo local e coloca Santa Catarina no centro da estratégia de renovação da frota do Sistema Petrobras. Com fragatas da Marinha em Itajaí e embarcações offshore no Estaleiro Detroit, o litoral catarinense acumula mais de R$ 25 bilhões em construção naval em andamento.

O que você acha do investimento da Petrobras em navios construídos no Brasil? Conte nos comentários se acredita que a indústria naval catarinense está preparada para absorver esses contratos, como avalia a propulsão híbrida em embarcações de petróleo e se R$ 11 bilhões justificam a expectativa de 7 mil empregos. Queremos ouvir a sua opinião.

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Adriano Marques
Adriano Marques
21/05/2026 00:01

Isso é o compromisso com as doretrizes desse governo. Temos que criar uma plitica industrial de estado que seja perene, que atravesse os governos, sejam eles de que corrente forem.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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