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Adeus, isopor? Empreendedor cria cooler de papelão reciclável que mantém bebidas geladas por até seis horas e já vende 40 mil unidades por mês, produto passou por 21 testes em nove meses de desenvolvimento e chegou ao mercado com investimento de R$ 60 mil

Publicado em 17/05/2026 às 00:06
Atualizado em 17/05/2026 às 00:08
Um empreendedor mineiro criou um cooler de papelão reciclável que mantém bebidas geladas por até seis horas, já vende 40 mil unidades por mês e fatura R$ 30 mil mensais. O produto passou por 21 testes em nove meses e saiu do papel com R$ 60 mil de investimento.
Um empreendedor mineiro criou um cooler de papelão reciclável que mantém bebidas geladas por até seis horas, já vende 40 mil unidades por mês e fatura R$ 30 mil mensais. O produto passou por 21 testes em nove meses e saiu do papel com R$ 60 mil de investimento.
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Segundo informações do G1, o empreendedor Lucas Amato, de Uberaba, em Minas Gerais, criou um cooler de papelão reciclável que conserva bebidas geladas por até seis horas e já vende 40 mil unidades por mês, com faturamento mensal na casa dos R$ 30 mil e parte das vendas acontecendo fora do Brasil. O produto passou por 21 testes ao longo de nove meses de desenvolvimento e chegou ao mercado com um investimento inicial de R$ 60 mil.

A ideia nasceu de uma observação cotidiana. Amato percebeu que clientes de distribuidoras de bebidas compravam cerveja gelada, mas não tinham como transportá-la ou mantê-la refrigerada até o destino final. Esquecia-se o cooler em casa, não havia isopor por perto ou o recipiente disponível não cabia no carro sem fazer sujeira. O resultado dessa frustração foi um cooler descartável, resistente e reutilizável, feito com papelão reforçado e revestimento térmico interno, projetado para não vazar água no veículo e suportar o peso de gelo e bebidas sem perder a estrutura. A versão principal tem capacidade para 15 litros, comportando 12 latas ou 12 long necks além do gelo, e é produzida com materiais 100% reciclados e recicláveis.

O cooler de papelão já encontrou usos que o próprio criador não previu. Clientes utilizam o produto para transportar carnes, hortaliças, picolés e até peixes ornamentais, aproveitando a vedação e a capacidade térmica para manter a temperatura por mais tempo em situações onde o isopor convencional seria a única alternativa.

De 21 testes em nove meses a 40 mil unidades por mês

O caminho entre a ideia e o produto final não foi curto. Lucas Amato levou aproximadamente nove meses testando diferentes combinações de tamanho, espessura de papelão, resistência estrutural e materiais de vedação até chegar ao modelo que funciona. Foram 21 versões testadas, cada uma ajustando um aspecto que a anterior não resolvia completamente. Em alguns testes, o papelão não resistia ao peso do gelo. Em outros, a vedação vazava após duas horas. O processo de tentativa e erro foi o que garantiu que o cooler final aguentasse seis horas de conservação térmica sem comprometer a estrutura.

O investimento inicial de R$ 60 mil, dividido entre sócios, cobriu o desenvolvimento do produto, a compra de materiais para os protótipos e o início da produção. Atualmente, a fábrica fica em São José do Rio Pardo, em São Paulo, e o centro de distribuição opera em Uberaba. A produção de 40 mil caixas por mês indica que o cooler encontrou mercado em escala suficiente para justificar a operação, e o faturamento de R$ 30 mil mensais mostra que o negócio se sustenta mesmo com um produto vendido a preço acessível.

O cooler que não vaza no carro

Um dos problemas mais comuns do isopor é a água que escorre quando o gelo derrete. O cooler de papelão desenvolvido por Amato foi projetado especificamente para não vazar água no carro, uma preocupação que elimina a principal objeção de quem transporta bebidas geladas em veículos. O revestimento térmico interno funciona como barreira dupla: mantém o frio dentro e impede que a umidade do degelo atravesse o papelão e molhe o porta-malas.

A resistência estrutural também foi pensada para o transporte. Diferentemente do isopor, que quebra com facilidade e espalha pedaços por todo o carro, o papelão reforçado do cooler mantém a forma mesmo com o peso de 12 latas, 12 long necks e gelo. Segundo Amato, muitos clientes reutilizam a embalagem em outras ocasiões, o que demonstra que a durabilidade supera a expectativa de um produto concebido inicialmente como descartável.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

VIDEO: G1

O isopor, feito de poliestireno expandido, é um dos materiais mais problemáticos em termos ambientais. Leva centenas de anos para se decompor, não é reciclado na maioria das cidades brasileiras e frequentemente acaba em rios, praias e aterros onde ocupa espaço desproporcional ao seu peso. O cooler de papelão reciclável ataca diretamente esse problema ao oferecer uma alternativa funcional feita com materiais 100% reciclados e recicláveis.

Para consumidores e empresas que buscam reduzir o impacto ambiental de suas operações, o cooler de papelão representa uma troca prática que não exige sacrifício de desempenho. Seis horas de conservação térmica cobrem a duração de um churrasco, uma festa na praia ou uma entrega de delivery com folga. E quando o produto chega ao fim de sua vida útil, pode ser descartado na coleta seletiva como qualquer outro papelão, sem gerar resíduo de difícil decomposição.

Do churrasco ao delivery: os usos que surpreenderam

O cooler foi criado pensando em consumidores finais que compram cerveja gelada em distribuidoras e precisam transportá-la. Mas o mercado encontrou outros usos que o próprio Lucas Amato não havia planejado: transporte de carnes para churrascos, conservação de hortaliças durante feiras, proteção térmica de picolés em eventos e até o transporte de peixes ornamentais que precisam de temperatura estável durante o deslocamento entre loja e residência.

Para o setor de alimentação, a novidade pode abrir oportunidades concretas. Leonel Paim, vice-presidente da Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo), avalia que o cooler pode aumentar o ticket médio dos estabelecimentos ao facilitar a entrega de bebidas geladas junto com refeições. Serviços de delivery que hoje não conseguem enviar cerveja gelada por falta de embalagem adequada teriam no cooler de papelão uma solução que cabe no custo da operação e chega ao cliente mantendo a temperatura.

De Uberaba para o exterior

A operação que começou em Minas Gerais já ultrapassou as fronteiras do Brasil. Parte das vendas do cooler acontece fora do país, embora Amato não tenha detalhado para quais mercados exporta ou qual percentual do faturamento vem do exterior. O fato de um produto tão simples em conceito já ter encontrado compradores internacionais sugere que o problema resolvido pelo cooler de papelão não é exclusivamente brasileiro: em qualquer lugar do mundo onde pessoas transportam bebidas geladas e se incomodam com isopor, o produto tem mercado potencial.

O próximo passo da empresa é investir na personalização das caixas, permitindo que marcas de bebidas, redes de supermercados e organizadores de eventos estampem seus logotipos no cooler. A personalização transforma o produto de embalagem utilitária em ferramenta de marketing, o que pode ampliar significativamente o volume de pedidos corporativos. Amato resume a ambição sem rodeios: “Quero ver em cada adega e em cada supermercado.”

Um cooler de papelão contra décadas de isopor

O cooler de papelão reciclável criado por Lucas Amato mantém bebidas geladas por seis horas, não vaza no carro, já vende 40 mil unidades por mês e encontrou usos que vão de churrasco a transporte de peixes ornamentais. O produto passou por 21 testes, custou R$ 60 mil para sair do papel e fatura R$ 30 mil por mês com vendas no Brasil e no exterior. Se o isopor não vai acabar amanhã, pelo menos agora tem um concorrente que vai para a reciclagem em vez de ir para o oceano.

Você trocaria o isopor por um cooler de papelão? Conte nos comentários se já conhecia esse produto, se acredita que seis horas de conservação são suficientes para o seu uso e qual aplicação mais chamou a atenção: cerveja no churrasco, delivery de restaurante ou transporte de peixes. Queremos ouvir a sua opinião.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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