Um novo corpo celeste foi identificado nos limites do Sistema Solar, levantando dúvidas sobre antigas teorias astronômicas. Com órbita incomum, o objeto batizado de “Ammonite” pode conter pistas sobre a infância do sistema que abriga a Terra. A descoberta foi feita pelo Telescópio Subaru, no Havaí, e soma quase duas décadas de registros.
Astrônomos identificaram um novo e misterioso objeto nos arredores do Sistema Solar. O corpo celeste, batizado de “Ammonite”, tem entre 220 e 380 quilômetros de diâmetro e segue uma órbita incomum.
A descoberta foi feita com o Telescópio Subaru, instalado no Observatório Mauna Kea, no Havaí.
O mais importante é que Ammonite se junta a um grupo muito restrito de objetos conhecidos como sednoides. Apenas três outros corpos semelhantes foram identificados até hoje.
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A descoberta traz pistas sobre os primeiros momentos do Sistema Solar, segundo os pesquisadores responsáveis.
Um fóssil espacial com 19 anos de registros
A equipe detectou pela primeira vez o novo objeto em três momentos diferentes de 2023 — março, maio e agosto.
Novas observações feitas em julho do mesmo ano confirmaram o corpo e sua órbita.
Mas o mais curioso veio depois. Ao analisar arquivos antigos, os cientistas encontraram registros do mesmo objeto em 2021, 2014 e até em 2005, pelo Observatório Nacional Kitt Peak.
Esses dados antigos ajudaram os astrônomos a montar um histórico de 19 anos de observações. Isso permitiu calcular a órbita de Ammonite com muito mais precisão. A trajetória, no entanto, não se alinha com as dos outros três sednoides já conhecidos.
Portanto, Ammonite pode indicar que a região externa do Sistema Solar é mais diversificada e complexa do que se pensava.
Hipótese do Planeta Nove entra em xeque
Desde a descoberta de Sedna, o primeiro sednoide identificado em 2003, cientistas tentam entender por que esses corpos seguem órbitas tão distantes e alongadas. Uma das principais explicações era a presença de um planeta ainda não observado — o chamado Planeta Nove.
A ideia é que esse planeta, com massa significativa, estaria influenciando as órbitas desses objetos. No entanto, a chegada de Ammonite pode enfraquecer essa hipótese. Como sua órbita não segue o mesmo padrão dos outros sednoides, ela coloca em dúvida a existência do tal planeta.
“O fato de a órbita atual de Ammonite não se alinhar com a dos outros três sednoides diminui a probabilidade da hipótese do Planeta Nove”, afirmou o Dr. Yukun Huang, do Centro de Astrofísica Computacional.
Algo extraordinário pode ter ocorrido no passado
Além disso, o Dr. Fumi Yoshida, que lidera o projeto FOSSIL, destacou que Ammonite se encontra em uma região onde Netuno já não exerce grande influência gravitacional. Para ele, isso indica que algo incomum aconteceu durante a infância do Sistema Solar, alterando as órbitas desses objetos.
Yoshida sugere que Ammonite preserva “memórias” daquele tempo. Segundo ele, entender a evolução orbital e as propriedades desses corpos é fundamental para reconstruir a história do sistema que abriga a Terra.
Outros estudos já haviam proposto que Sedna, por exemplo, teve sua órbita alterada por eventos antigos, como o encontro com uma estrela próxima ou mesmo por ter se originado fora do Sistema Solar.
Um pequeno mundo, grandes implicações
Apesar de seu tamanho modesto, Ammonite levanta questões enormes. Porque se outros objetos forem descobertos com órbitas tão distintas, toda a teoria sobre a influência de um nono planeta pode cair por terra.
Isso abre espaço para novas ideias sobre o que aconteceu nos primeiros milhões de anos após a formação do Sol.
Atualmente, apenas alguns telescópios na Terra são capazes de fazer esse tipo de descoberta. Entre eles, o Telescópio Subaru se destaca.
“A maior parte do vasto Sistema Solar permanece inexplorada”, disse Yoshida. “Ficaria feliz se a equipe da FOSSIL pudesse fazer muitas outras descobertas como esta e ajudar a traçar um quadro completo da história do Sistema Solar”, completou.
