Pesquisa aponta que o consumo equilibrado de carboidratos melhora a saúde cardiovascular e alerta para os riscos do excesso e da restrição.
Nem sempre cortar ou aumentar drasticamente um nutriente é a melhor solução para a saúde. Uma nova pesquisa internacional sobre carboidratos mostra justamente o contrário: o equilíbrio é o fator decisivo para proteger o coração.
O estudo, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition e conduzido por cientistas da Texas A&M University, analisou mais de 11 mil pessoas em 174 estudos.
A investigação revelou que tanto o excesso quanto a restrição de carboidratos podem prejudicar a saúde cardiovascular, enquanto o consumo moderado está associado a benefícios importantes.
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Logo de início, os resultados mostraram que dietas moderadas em carboidratos contribuem para reduzir a pressão arterial e os níveis de triglicérides.
Esses fatores são essenciais para a manutenção da saúde do coração, o que coloca o nutriente em uma posição estratégica dentro da alimentação.
Carboidratos são aliados da saúde quando consumidos corretamente
Embora frequentemente associados a dietas restritivas, os carboidratos desempenham funções essenciais no organismo.
Eles são a principal fonte de energia do corpo e fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso. A ausência desse nutriente pode causar sintomas como fadiga, dor de cabeça e alterações de humor.
“É fundamental para o funcionamento do sistema nervoso central”, ressalta a nutricionista Evelin de Carvalho dos Santos.
Além disso, a ingestão adequada contribui para a preservação da massa muscular e o equilíbrio metabólico.
Pesquisa aponta riscos no excesso de carboidratos refinados
Apesar dos benefícios, o consumo exagerado de carboidratos, especialmente os refinados, pode prejudicar a saúde. Alimentos como pães brancos, bolos e biscoitos são rapidamente absorvidos pelo organismo.
Esse processo provoca elevação rápida da glicose no sangue, seguida por aumento da insulina. Com o tempo, isso pode favorecer resistência insulínica, acúmulo de gordura e alterações no colesterol.

“O carboidrato em si não é o problema, mas sim seu excesso”, afirma a nutricionista Milena Gomes Vancini.
Se por um lado o excesso é prejudicial, a restrição também levanta preocupações. A pesquisa identificou que dietas com baixo consumo de carboidratos podem elevar os níveis de colesterol LDL.
Esse tipo de colesterol está associado à formação de placas nas artérias, condição conhecida como aterosclerose. Como consequência, há aumento do risco de doenças cardiovasculares.
Portanto, eliminar completamente os carboidratos não é uma estratégia recomendada para a saúde.
Quantidade ideal de carboidratos depende de cada pessoa
De acordo com o estudo, o consumo moderado de carboidratos deve variar entre 26% e 45% das calorias diárias. Isso corresponde a cerca de 130 a 230 gramas por dia.
No entanto, essa recomendação não é universal. Cada indivíduo possui necessidades específicas, que variam conforme fatores como idade, nível de atividade física e condições de saúde.
“Para quem é a recomendação: um atleta de alto rendimento, um adolescente em fase de crescimento, uma mulher na menopausa, um paciente recebendo alta hospitalar após internação prolongada, um jovem que busca perda de peso?”, questiona a especialista.
Além da quantidade, a escolha dos alimentos é determinante. Carboidratos integrais, como aveia, arroz integral e pães integrais, são mais indicados.
Leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico também se destacam por combinar carboidratos com proteínas vegetais. Isso favorece uma absorção mais lenta e equilibrada.
Frutas, tubérculos e sementes completam o grupo de opções saudáveis, oferecendo fibras, vitaminas e minerais importantes para o organismo.
Combinação alimentar melhora efeitos dos carboidratos na saúde
Outro fator relevante é a forma como os alimentos são combinados nas refeições. Consumir carboidratos junto com proteínas e gorduras boas ajuda a controlar a absorção da glicose.
Isso contribui para manter níveis estáveis de açúcar no sangue e melhora o aproveitamento dos nutrientes. Como resultado, há menor impacto negativo na saúde.
“Vale destacar a importância de uma orientação nutricional individualizada, que considere e respeite o contexto pessoal, os aspectos culturais e o estado clínico de cada indivíduo”, afirma Bruna Gamboa da Costa.
A principal conclusão da pesquisa é que o equilíbrio deve ser o guia da alimentação. Nem o consumo excessivo, nem a exclusão total de carboidratos são recomendados.
Assim, manter uma dieta variada e rica em alimentos naturais é a melhor estratégia para proteger a saúde cardiovascular. A orientação profissional também é essencial para ajustar a alimentação às necessidades individuais.
Dessa forma, a relação entre pesquisa, carboidratos e saúde reforça uma mensagem clara: escolhas equilibradas fazem toda a diferença para o bem-estar a longo prazo.
Com informações da Revista Galileu

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