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Pesquisa dos EUA revela síndrome grave relacionada à cannabis que provoca dores extremas e vômitos persistentes e agora entra oficialmente na lista global de doenças

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 01/12/2025 às 14:25
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A condição, observada principalmente entre usuários frequentes de cannabis, passou a receber um código específico na Classificação Internacional de Doenças, ampliando a capacidade de diagnóstico, rastreamento e tratamento em hospitais de diversos países

Cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, divulgaram um alerta que vem chamando a atenção da comunidade médica internacional: a expansão da chamada síndrome da hiperêmese canabinóide, um distúrbio gastrointestinal severo ligado ao consumo contínuo de cannabis. Embora o tema tenha ganhado novas discussões recentemente, a condição já vem sendo observada há anos e agora foi reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando a urgência de compreender seus impactos.

À medida que o uso recreativo e medicinal da cannabis cresce no mundo, médicos relatam mais casos de pacientes que chegam às emergências com crises intensas de dor abdominal, náuseas extremas e vômitos persistentes. Apesar disso, o fenômeno ainda intriga especialistas, pois afeta apenas uma parcela dos usuários regulares. A informação foi divulgada pelo site StatPearls, que reúne estudos clínicos e revisões científicas amplamente utilizadas por profissionais de saúde.

O que a ciência já descobriu sobre a síndrome da hiperêmese canabinóide?

De acordo com os pesquisadores, a síndrome está diretamente ligada ao uso frequente e prolongado da cannabis, embora os mecanismos exatos ainda não estejam totalmente esclarecidos. O quadro é marcado por episódios repetidos de vômito intenso, dor abdominal aguda e náuseas prolongadas que podem se estender por vários dias. Em muitos casos, os sintomas retornam algumas vezes ao ano, configurando um ciclo debilitante para o paciente.

Um dos sinais mais curiosos, segundo estudos citados pela StatPearls, é que muitos pacientes relatam alívio temporário ao tomar banhos muito quentes, o que sugere uma possível relação entre o sistema nervoso e os efeitos acumulados da substância no organismo. Além disso, os sintomas costumam surgir poucas horas ou até um dia após o último consumo da planta. Contudo, apesar de aparentarem um padrão, esses sinais não são suficientes para prever quem desenvolverá a síndrome, já que a maioria dos usuários frequentes jamais apresenta o quadro.

Outro ponto crucial apontado pelos cientistas é que a única forma comprovada de interromper os episódios é suspender completamente o uso da cannabis. Essa realidade torna o tratamento mais complexo, principalmente quando envolve pacientes que usam a substância para fins terapêuticos e acreditam que ela alivia, e não agrava, sintomas como náuseas.

Reconhecimento internacional facilita rastrear casos e entender padrões da doença

Em 1º de outubro de 2025, a síndrome da hiperêmese canabinóide recebeu um código específico na Classificação Internacional de Doenças (CID), o R11.16. A inclusão permite que hospitais, clínicas e centros de pesquisa registrem os casos de maneira padronizada, algo que antes não era possível devido à falta de categorização própria.

Pesquisadores da Universidade de Washington destacam que os registros eram dispersos e dificultavam o monitoramento real da condição. No entanto, com o novo código, médicos poderão mapear a incidência com mais precisão, identificar padrões geográficos ou sociais e compreender melhor quem está mais vulnerável ao distúrbio. Embora a associação entre uso contínuo de cannabis e o surgimento da síndrome seja evidente, ainda não existem explicações clínicas para o fato de alguns usuários desenvolverem crises severas enquanto outros nunca apresentam sintomas.

Além disso, o reconhecimento da condição pela OMS reforça a importância de campanhas de conscientização, especialmente em países onde a cannabis é utilizada de maneira medicinal ou recreativa.

Crises repetidas e limitações no tratamento aumentam desafios para médicos e pacientes


Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.

A síndrome da hiperêmese canabinóide costuma evoluir em ciclos que podem ocorrer até quatro vezes ao ano. Esse padrão provoca grande desgaste físico e emocional, já que as crises são extremamente dolorosas e frequentemente exigem atendimento de urgência. Ironicamente, embora a cannabis seja usada para tratar náuseas e vômitos em pacientes com câncer, HIV e outras condições, a síndrome atua no sentido contrário, gerando episódios intensos que podem levar a desidratação e internações prolongadas.

O tratamento também apresenta obstáculos, pois medicamentos tradicionais contra enjoo nem sempre surtam efeito. Portanto, médicos costumam recorrer a alternativas como Haldol, um antipsicótico conhecido por diminuir náuseas severas, ou a cremes de capsaicina, que provocam sensação de aquecimento na pele e aliviam parte da dor abdominal. Contudo, essas abordagens oferecem apenas controle temporário, sem resolver a causa principal do problema.

Outro desafio relatado pelos especialistas é a resistência de muitos pacientes em aceitar o diagnóstico, especialmente aqueles que usam cannabis de forma terapêutica. Como acreditam que a substância ajuda a controlar sintomas como ansiedade ou dores crônicas, muitos não associam seus episódios severos de vômito ao consumo da planta. Isso dificulta a suspensão do uso — considerada a única forma eficaz de interromper definitivamente as crises.

No cenário atual, médicos defendem que a conscientização é fundamental para reduzir quadros graves e ressaltar que a cannabis, apesar de amplamente utilizada, pode desencadear efeitos inesperados quando consumida de forma contínua e sem acompanhamento profissional.

Fonte: Xataka

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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