Esse levantamento feito na Europa, inicialmente aconteceu por amostragem e acabou se ampliando
A empatia ganha espaço central nos debates da psicologia contemporânea e das ciências do comportamento. Em um mundo marcado por polarizações, conflitos sociais e relações cada vez mais mediadas por telas, a capacidade de compreender e compartilhar emoções alheias passou a ser vista como um elemento-chave para a convivência humana.
Mais do que um traço de personalidade, a empatia é considerada por muitos especialistas como uma habilidade social essencial para a manutenção de sociedades cooperativas e emocionalmente saudáveis. Nesse contexto, pesquisas recentes têm levantado uma hipótese curiosa: o período de nascimento pode exercer alguma influência no desenvolvimento dessa competência.
Estudos publicados em revistas científicas de referência, como o Journal of Personality and Social Psychology, indicam que fatores sazonais podem impactar o desenvolvimento neurológico ainda na fase gestacional e nos primeiros meses de vida.
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A pesquisa aponta que variáveis ambientais, como a exposição à luz solar, temperatura e níveis hormonais maternos, podem influenciar circuitos cerebrais ligados ao comportamento social e emocional.
Entre esses fatores, a vitamina D aparece como um dos elementos mais relevantes, por desempenhar papel importante na formação e regulação de neurotransmissores associados à motivação, ao humor e à recompensa social.
Segundo os dados analisados, indivíduos nascidos durante a primavera e o início do verão apresentaram, em média, escores mais elevados em testes de percepção emocional e sensibilidade afetiva.
O levantamento, realizado inicialmente com uma ampla amostragem europeia e posteriormente replicado em centros de pesquisa comportamental, sugere que pessoas nascidas nos meses de abril, maio e junho demonstram maior facilidade em identificar emoções sutis em expressões faciais e tons de voz.
Essa habilidade é considerada um dos pilares da empatia cognitiva, responsável pela compreensão racional do estado emocional do outro.
Reatividade negativa é menor para quem tem empatia

Outro ponto destacado pelos pesquisadores, como mostra uma reportagem do Correio Braziliense, foi o menor índice de reatividade negativa observado nesses indivíduos. Em situações de conflito ou estresse social, pessoas nascidas nesse período tendem a responder de forma menos impulsiva e agressiva, optando por estratégias mais conciliadoras.
Essa característica está diretamente relacionada ao controle emocional e à capacidade de regular respostas automáticas, funções associadas a áreas específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal.
Além disso, o estudo identificou uma maior facilidade na criação de vínculos sociais. De acordo com os pesquisadores, esses indivíduos costumam estabelecer relações de confiança em menos tempo, demonstrando abertura ao diálogo e maior sensibilidade às necessidades emocionais alheias.
Para o neurobiólogo James Sinclair, citado no levantamento, a empatia vai além da simples identificação emocional. “A empatia não é apenas sentir o que o outro sente, mas compreender a perspectiva alheia sem perder a própria identidade”, afirma o especialista.
Apesar dos resultados chamarem a atenção, os próprios cientistas fazem questão de ressaltar que o mês de nascimento não determina, de forma definitiva, o nível de empatia de uma pessoa. Pesquisadores da Universidade de Stanford reforçam que a empatia é uma habilidade profundamente moldada pelo ambiente. Fatores como o estilo de criação, a qualidade das relações familiares, a educação emocional na infância e as experiências sociais ao longo da vida exercem influência muito mais significativa do que qualquer variável biológica isolada.
Cérebro humano se reorganiza durante a vida
Estudos sobre neuroplasticidade sustentam essa visão ao demonstrar que o cérebro humano é capaz de se reorganizar ao longo da vida. Práticas como a escuta ativa, a participação em atividades voluntárias e o contato frequente com realidades diferentes estimulam áreas cerebrais ligadas à compaixão e à tomada de perspectiva. Essas mudanças estruturais mostram que a empatia pode ser desenvolvida e fortalecida independentemente da época do nascimento.
Assim, embora os dados indiquem tendências interessantes associadas aos meses de abril, maio e junho, a ciência reforça que a empatia não é um privilégio inato de poucos, mas uma capacidade acessível a todos. Em um cenário social cada vez mais complexo, compreender os fatores que influenciam o comportamento humano pode ajudar a construir relações mais saudáveis e uma convivência mais empática, baseada não apenas na biologia, mas principalmente nas escolhas e experiências ao longo da vida.

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