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Pescadores fisgam sem querer um tubarão-duende de 2,5 metros a 900 metros de profundidade em Gran Canária e registram uma das criaturas mais raras do oceano profundo ainda viva

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 27/05/2026 às 12:39
Atualizado em 27/05/2026 às 12:44
Pescadores recreativos registram um raro tubarão-duende próximo a embarcação nas águas profundas de Gran Canária durante pôr do sol no oceano Atlântico.
Pescadores recreativos documentam um tubarão-duende de aproximadamente 2,5 metros após captura acidental em águas profundas das Ilhas Canárias.
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Registro raro nas Ilhas Canárias mostra como pescadores recreativos encontraram, documentaram e soltaram vivo um tubarão-duende de 2,5 metros fisgado a 900 metros de profundidade em Gran Canária, ampliando o mistério científico sobre uma das espécies mais raras e pouco observadas do oceano profundo

Um encontro raro nas águas profundas de Gran Canária chamou atenção da comunidade científica e colocou novamente o tubarão-duende no centro das pesquisas marinhas. O animal, estimado em 2,5 metros de comprimento, foi fisgado acidentalmente por pescadores recreativos na costa de San Cristóbal, a cerca de 900 metros de profundidade.

De acordo com pesquisadores da Universidade de La Laguna, o caso foi registrado em 2025 e representa uma confirmação relevante da presença do Mitsukurina owstoni nas Ilhas Canárias. O animal foi fotografado, filmado e depois devolvido vivo ao mar, sem sinais externos aparentes de ferimentos.

Encontro acidental revela animal raro nas águas de Canárias

Durante a pescaria recreativa, os navegantes usaram equipamentos comuns, com carretilha, anzol e iscas de lula e cavala. O tubarão apareceu em águas profundas e surpreendeu o grupo pelo corpo flácido, pelo focinho alongado e pelas mandíbulas projetáveis.

Após o registro em fotos e vídeos, os pescadores soltaram o animal no mar aberto. A conduta ajudou a preservar o espécime e permitiu que especialistas analisassem o caso com base no material visual obtido durante o encontro.

Tubarão-duende raro emerge ao lado de embarcação de pesca recreativa durante registro feito nas águas profundas de Gran Canária ao entardecer.
O arquipélago das Canárias atua como um santuário ecológico vital para a preservação de espécies abissais raras. – Créditos: Shannon McPherron/MPI EVA Leipzig

Características físicas reforçam raridade do tubarão-duende

O tubarão-duende, conhecido cientificamente como Mitsukurina owstoni, chama atenção por sua aparência incomum e por adaptações ligadas ao ambiente abissal. A espécie possui focinho comprido e achatado, dentes finos e olhos pequenos, além de não apresentar membrana nictitante protetora.

Segundo a identificação preliminar, o indivíduo observado seria uma fêmea jovem, devido ao tamanho estimado e à ausência de órgãos copuladores masculinos. Esse detalhe amplia o valor científico do registro, já que poucos exemplares vivos foram documentados em condições semelhantes.

Refúgio profundo torna arquipélago relevante para a ciência

As águas das Ilhas Canárias oferecem condições importantes para espécies abissais vulneráveis. A restrição à pesca de arrasto reduziu impactos humanos em áreas profundas e favoreceu a conservação de animais pouco observados pela ciência.

Com isso, as encostas submarinas do arquipélago se tornaram áreas estratégicas para o monitoramento da biodiversidade marinha profunda. A região ajuda pesquisadores a compreender melhor a distribuição de espécies raras no Atlântico centro-oriental.

Registro amplia dados sobre espécie pouco documentada

A revista científica Thalassas: The International Journal of Marine Sciences destacou que o registro contribui para ampliar o conhecimento sobre a distribuição geográfica do Mitsukurina owstoni. Menos de 250 indivíduos foram documentados mundialmente, o que torna cada avistamento relevante para a ciência.

O caso também reforça a necessidade de proteger ecossistemas abissais ainda pouco conhecidos. A falta de dados sobre o fundo do mar limita ações de conservação e aumenta a preocupação com futuras pressões humanas sobre essas áreas.

Capturas acidentais exigem cuidado e comunicação rápida

Encontros inesperados com espécies abissais exigem manuseio rápido, cuidadoso e limitado ao essencial. Pescadores devem evitar erguer o animal sem necessidade, reduzindo estresse físico e risco de ferimentos.

O registro de local, profundidade e imagens também ajuda pesquisadores a validar ocorrências raras. Após a devolução ao mar, autoridades ambientais e especialistas locais devem ser comunicados para que os dados apoiem estudos de conservação.

O que esse encontro revela sobre o oceano profundo?

O caso de Gran Canária mostra que o oceano profundo ainda guarda espécies raras, antigas e pouco compreendidas. Cada registro do tubarão-duende ajuda a ciência a montar uma parte desse quebra-cabeça submerso.

Afinal, quantos outros animais misteriosos ainda vivem longe da superfície, esperando apenas uma oportunidade rara para serem conhecidos?

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Caio Aviz

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