1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Cientistas tentaram perfurar a “Geleira gigantesca” na Antártida, mas o gelo tinha outros planos
1 comentário 4 min de leitura

Cientistas tentaram perfurar a “Geleira gigantesca” na Antártida, mas o gelo tinha outros planos

Imagem de perfil do autor Fabio Lucas Carvalho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 06/02/2026 às 23:07 Atualizado em 06/02/2026 às 23:14
Perfuração científica na Geleira do Apocalipse, na Antártida, falha e deixa instrumentos presos no gelo durante missão internacional.
Perfuração científica na Geleira do Apocalipse, na Antártida, falha e deixa instrumentos presos no gelo durante missão internacional.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
23 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A tentativa de perfuração da chamada Geleira do Apocalipse, na Antártida, terminou com instrumentos presos a quase 1.000 metros de profundidade, interrompendo uma missão internacional que buscava medir o derretimento do gelo por baixo e seus impactos no nível do mar.

A tentativa de cientistas de instalar instrumentos sob a geleira Thwaites, na Antártida, terminou com a perda de equipamentos presos no gelo durante a perfuração, interrompendo uma missão do British Antarctic Survey e do Korea Polar Research Institute voltada a medir o derretimento basal e suas implicações para o nível do mar.

A expedição reuniu pesquisadores do British Antarctic Survey e do Korea Polar Research Institute para investigar como águas oceânicas aquecidas afetam a base da geleira Thwaites, na Antártida, considerada uma das mais perigosas do planeta devido ao potencial impacto global de seu colapso.

Antártida e a missão interrompida na geleira Thwaites

O trabalho de campo ocorreu na Antártida com o objetivo de instalar instrumentos sob a geleira Thwaites, também conhecida como Geleira do Apocalipse. A equipe pretendia entender como o gelo derrete por baixo, em uma região onde as condições ambientais impõem riscos elevados às operações científicas.

Segundo os pesquisadores, a janela de tempo disponível para a perfuração era limitada. Qualquer atraso poderia comprometer toda a missão. Ainda assim, parte dos instrumentos foi temporariamente implantada, permitindo a coleta inicial de dados considerados relevantes para estudos futuros na Antártida.

Perfuração profunda com água quente e riscos operacionais

Para acessar a base da geleira, os cientistas utilizaram uma plataforma de perfuração com água quente, capaz de abrir um furo de aproximadamente 1.000 metros de profundidade e cerca de 30 centímetros de largura. Esse tipo de perfuração exige manutenção constante para impedir o recongelamento do canal no gelo.

Durante o processo, os instrumentos começaram a ser baixados pelo furo até atingir cerca de três quartos da profundidade total. Nesse ponto, o sistema ficou preso. A equipe avalia que o bloqueio pode ter sido causado pelo congelamento da água no interior do furo ou pelo rápido movimento da geleira.

A perda do conjunto de instrumentos encerrou a tentativa de instalação de um sistema de amarração que deveria permanecer no interior do gelo por um a dois anos, transmitindo dados via satélite. Com isso, a coleta contínua planejada para a Antártida não pôde ser realizada.

Dados parciais revelam condições oceânicas sob o gelo

Antes do incidente, os pesquisadores conseguiram implantar temporariamente os sensores e obter medições iniciais. Os dados coletados indicaram condições oceânicas turbulentas e a presença de águas relativamente quentes sob a geleira Thwaites, capazes de acelerar o derretimento basal.

Essas informações reforçam a preocupação científica com a instabilidade da geleira. A Thwaites poderia elevar o nível do mar em até 65 centímetros caso entrasse em colapso total, o suficiente para inundar áreas costeiras baixas e afetar milhões de pessoas em diferentes regiões do mundo.

Os cientistas destacam que ainda se sabe pouco sobre o comportamento das águas quentes que fluem sob a geleira na Antártida, o que torna esse tipo de medição essencial para compreender a dinâmica do gelo e seus impactos globais.

Cronograma apertado e abandono dos equipamentos

Após o travamento dos instrumentos, a equipe avaliou a possibilidade de repetir a operação. No entanto, o tempo disponível era insuficiente.

O navio responsável pelo retorno dos pesquisadores partiria em 7 de fevereiro, e as condições climáticas na Antártida se deterioravam rapidamente.

Diante desse cenário, os cientistas decidiram abandonar os equipamentos presos no gelo. O episódio ilustra as dificuldades logísticas e técnicas de pesquisas em regiões extremas, onde atrasos mínimos podem resultar em perdas significativas de recursos e dados.

Apesar da frustração, os pesquisadores ressaltam que o material obtido antes da interrupção é cientificamente valioso. As medições ajudarão a orientar futuras missões e a aprimorar estratégias de perfuração e monitoramento na Antártida.

Tentativas anteriores e próximos passos da pesquisa

Esta foi a segunda tentativa de instalar instrumentos sob a geleira Thwaites. Em 2022, a equipe não conseguiu sequer alcançar o local devido às severas condições do gelo marinho. Na missão mais recente, a perfuração foi concluída, mas a instalação permanente falhou.

Os dados inéditos coletados sobre o aquecimento das águas abaixo da geleira reforçam a importância do ponto escolhido para estudo. Para os cientistas, os resultados confirmam que a região é crucial para compreender a perda de gelo e suas consequências.

Mesmo com o revés, os pesquisadores afirmam que a experiência não representa o fim dos esforços. As lições aprendidas na Antártida devem embasar novas expedições, com o objetivo de retornar à geleira Thwaites e ampliar o monitoramento de um dos sistemas glaciais mais críticos do planeta, apesar dos desefios técnicos envolvidos.

Este artigo foi elaborado com base em comunicados e declarações do British Antarctic Survey (BAS) e do Korea Polar Research Institute (KOPRI).

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Salvador Martínez Castillo
Salvador Martínez Castillo
08/02/2026 23:12

Sin ser científico, me resulta sorprendente la decisión de investigar el efecto del calentamiento que se vive en los polos y que ya debieran haber concluído que es a consecuencia del calentamiento global y, que es obvio, ha estado derritiendo los hielos hasta en los volcanes de nieves eternas. La pérdida de su equipo de perforación lo demuestra: tienen qué utilizar agua caliente para intentar perforar sin lograrlo! Debieran buscar la forma de evitar el cambio climático y el calentamiento global, éso evitaría el peligro del derretimiento de los polos. Pero saber cómo está afectando, es sumamente notorio. O no?

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x