A aposta americana em drones descartáveis indica uma mudança na forma de planejar guerras, combinando produção em escala, compras públicas, treinamento militar e disputa tecnológica em torno de aeronaves pequenas e letais.
O Pentágono passou a tratar drones pequenos como itens de uso em massa no planejamento militar dos Estados Unidos.
O programa Drone Dominance prevê compras em escala industrial, com foco em aeronaves não tripuladas de ataque de mão única, custo unitário reduzido e entrega acelerada às unidades de combate.
Na primeira formulação pública do plano, o Departamento de Guerra citou cerca de 340 mil unidades em dois anos; em paralelo, o Exército dos EUA informou que pretende chegar a 1 milhão de drones em um período de dois a três anos.
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A estratégia está ligada à tentativa do governo americano de ampliar a base industrial de drones dentro do país e reduzir a dependência de sistemas caros, produzidos em baixa escala.
Segundo documentos oficiais, o objetivo é colocar nas mãos das tropas aeronaves pequenas, letais e de rápida reposição, em um modelo mais próximo ao de munições consumíveis do que ao de plataformas militares tradicionais.
A ordem executiva “Unleashing American Drone Dominance”, assinada por Donald Trump em 6 de junho de 2025, determinou a aceleração da comercialização segura de drones, a integração desses sistemas ao espaço aéreo nacional, o aumento da produção doméstica e a expansão das exportações de tecnologias americanas consideradas confiáveis.
O texto também orientou órgãos federais a reduzir barreiras regulatórias para o setor.
Drones descartáveis mudam lógica militar dos EUA
Durante décadas, os drones militares foram associados a plataformas maiores, de custo elevado e operadas por estruturas especializadas.
O novo foco recai sobre pequenos sistemas aéreos não tripulados, conhecidos pela sigla UAS, que podem ser fabricados em maior quantidade, transportados por unidades menores e adaptados a diferentes missões no campo de batalha.
Essa mudança acompanha avanços em motores elétricos compactos, baterias, câmeras leves, sensores e softwares de navegação.
Com esses componentes, aeronaves pequenas passaram a ser usadas em tarefas que incluem reconhecimento, ataque de precisão limitada e missões de impacto direto contra alvos militares.
A avaliação aparece em documentos do próprio Departamento de Guerra, que atribui à evolução tecnológica recente a ampliação do papel dos drones em conflitos atuais.
No memorando “Unleashing U.S. Military Drone Dominance”, de 10 de julho de 2025, Pete Hegseth afirmou que drones são “a maior inovação no campo de batalha em uma geração”.
O documento também diz que as unidades americanas ainda não estavam equipadas com os pequenos drones letais exigidos pelo cenário de combate descrito pelo governo dos EUA.
A guerra na Ucrânia aparece como referência recorrente nas discussões militares americanas.
Em material apresentado ao Comitê de Serviços Armados do Senado, Owen West, indicado para chefiar a área de pesquisa e engenharia do Departamento de Defesa, afirmou que pequenos drones de ataque de mão única passaram a responder por grande parte das baixas no conflito.
A afirmação foi usada no documento para defender mudanças na forma como os EUA compram, testam e distribuem esse tipo de equipamento.
Como funciona o plano Drone Dominance
O pedido enviado à indústria americana estruturou o programa em quatro etapas, chamadas de “gauntlets”.
Nelas, fabricantes apresentam soluções que são avaliadas por operadores militares antes de possíveis encomendas.
Na primeira fase, a previsão era selecionar 12 fornecedores para produzir, juntos, 30 mil drones ao custo de US$ 5 mil por unidade, em uma compra estimada em US$ 150 milhões.
Nas fases seguintes, o desenho apresentado pelo Departamento de Guerra previa redução no número de fornecedores e aumento do volume de drones comprados.
A meta indicada no comunicado inicial era chegar a uma etapa com 150 mil unidades e preço em torno de US$ 2.300 por drone.
Segundo o Pentágono, compras regulares e previsíveis funcionariam como sinal de demanda para que empresas privadas invistam em linhas de produção, componentes e cadeias de fornecimento nos Estados Unidos.
Hegseth afirmou que o programa Drone Dominance deve “reduzir custos e elevar capacidades”.
Em outra declaração, disse que os EUA “não podem se dar ao luxo de derrubar drones baratos com mísseis de US$ 2 milhões” e que precisam colocar grandes quantidades de drones de ataque à disposição das forças armadas.
As falas foram divulgadas pelo Departamento de Guerra ao apresentar a iniciativa.
O programa foi descrito pelo governo como um esforço de US$ 1 bilhão para comprar drones pequenos e letais em dois anos.
O cronograma público citado pelo Departamento de Guerra indicava início das competições em 2026 e entrega de dezenas de milhares de drones no primeiro ano, com expansão das quantidades em 2027.
Há diferença entre os números divulgados em momentos distintos.
O comunicado inicial mencionava aproximadamente 340 mil pequenos UAS ao longo de dois anos.
Em publicação posterior, o Departamento de Guerra passou a falar em cerca de 300 mil drones para a força até 2027, depois da seleção de 25 fornecedores anunciada em fevereiro de 2026.
Exército americano mira frota de 1 milhão de drones
Ao mesmo tempo, o Exército americano passou a discutir uma expansão própria.
O secretário do Exército, Daniel Driscoll, disse à Reuters que a força pretende comprar ao menos 1 milhão de drones em dois a três anos.
Segundo a agência, o volume atual é de cerca de 50 mil unidades por ano, o que indica uma ampliação expressiva do ritmo de aquisição.
A iniciativa do Exército foi associada ao programa SkyFoundry, descrito por um porta-voz da força como uma parceria público-privada para estimular a base industrial americana, ampliar o acesso a materiais críticos, produzir componentes de menor custo e entregar drones para necessidades imediatas.
A informação foi publicada pela Breaking Defense, veículo especializado em cobertura militar.
Driscoll classificou a meta como uma tarefa grande, mas possível, em declaração reproduzida por veículos especializados.
A escala mencionada envolve mais do que a montagem das aeronaves: inclui motores, baterias, sensores, chips, explosivos, sistemas de comunicação, linhas de produção, operadores treinados, doutrina de emprego e regras de segurança para manuseio e armazenamento.
No centro dessa mudança está a classificação dos drones como itens consumíveis.
Quando uma aeronave de ataque de mão única é tratada como munição, ela passa a depender de volume de produção, reposição rápida e custo compatível com uso frequente.
Essa é a lógica descrita por Driscoll à Reuters ao defender que drones não sejam vistos apenas como ativos militares de alto valor.
Produção de drones expõe desafio industrial e operacional
A política americana também busca reduzir a dependência de componentes estrangeiros.
Documentos do governo e declarações citadas em audiências no Senado apontam preocupação com motores, baterias, sensores e materiais críticos usados na fabricação de drones.
A orientação oficial é fortalecer fornecedores nacionais e priorizar equipamentos que atendam às exigências da legislação de defesa dos EUA.
Esse ponto tem relação direta com a reposição em conflitos prolongados.
Drones pequenos podem ser abatidos, sofrer interferência eletrônica, perder sinal ou ser destruídos no próprio impacto contra o alvo.
Por isso, autoridades militares americanas têm defendido que o estoque, a manutenção e a substituição rápida sejam tratados como parte do planejamento operacional, e não apenas como etapa de compra de equipamentos.
O treinamento das tropas também entra no programa.
Hegseth afirmou que espera ver capacidades de drones integradas a exercícios de combate, incluindo simulações de confrontos entre forças equipadas com aeronaves não tripuladas.
O memorando de julho de 2025 também transferiu mais autoridade a comandantes de unidades para acelerar a adoção desses sistemas.
Na prática, a estratégia muda a forma como os EUA planejam comprar e usar aeronaves não tripuladas de pequeno porte.
Em vez de depender apenas de plataformas sofisticadas e de longa vida útil, o Pentágono passou a combinar compras volumosas, competição entre fornecedores, produção nacional e treinamento voltado a cenários com interferência, perda de equipamentos e necessidade de reposição constante.
A adoção de drones descartáveis ainda depende de orçamento, fornecedores, testes, segurança operacional e integração com a doutrina militar.

Com o filho dele sendo o dono da fábrica de Drone e fácil !!!