Analistas da Expana e da Argus Media preveem que a área de milho na União Europeia cairá para menos de 8 milhões de hectares em 2026, marca inédita neste século. O aumento dos custos de fertilizantes e energia provocado pela guerra no Oriente Médio desencoraja agricultores europeus, que migram para culturas como girassol em busca de margens mais favoráveis.
O milho está perdendo espaço nos campos da Europa em um ritmo que não se via em décadas. Segundo especialistas da Expana e da Argus Media, a área plantada na União Europeia deve cair para menos de 8 milhões de hectares em 2026, a primeira vez neste século que a cultura rompe essa barreira. A razão principal é o salto nos custos de fertilizantes e energia provocado pela guerra no Oriente Médio, que tornou a produção de milho mais cara justamente em um momento de margens já apertadas e riscos climáticos crescentes.
O milho é uma das culturas que mais consomem fertilizantes e, na Europa Ocidental, geralmente precisa ser seco após a colheita, gerando custos adicionais de energia. Com os preços desses dois insumos em alta, muitos agricultores europeus estão fazendo a conta e concluindo que culturas alternativas como o girassol oferecem retorno financeiro superior com menor risco operacional. A combinação de fertilizantes caros, secas recorrentes e custos de secagem está redesenhando o mapa agrícola do continente.
Por que os fertilizantes ficaram mais caros e como isso afeta o milho
Segundo informações divulgadas pelo portla da CNN Brasil, a elevação dos preços dos fertilizantes na Europa tem origem direta na guerra no Oriente Médio. O conflito pressionou os mercados globais de petróleo e gás natural, matérias-primas essenciais para a produção de adubos nitrogenados. Com o gás mais caro, o custo de fabricar fertilizantes subiu e foi repassado aos agricultores, que agora enfrentam uma conta de insumos significativamente maior do que nos anos anteriores.
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O impacto é desproporcional sobre o milho porque a cultura exige volumes elevados de nutrientes por hectare. Enquanto outras culturas podem operar com doses menores de fertilizantes sem perda proporcional de rendimento, o milho responde de forma direta à adubação, e reduzir a aplicação significa colher menos. Para o produtor europeu, isso cria um dilema: gastar mais para manter a produtividade ou reduzir a área plantada e migrar para culturas menos dependentes de insumos caros.
O que está acontecendo na França, maior produtora de milho da Europa
A França, principal produtora de milho da União Europeia, é onde a migração de área é mais evidente. O grupo de produtores AGPM prevê que a área de milho em grão pode diminuir de 10% a 15% este ano, representando uma perda de cerca de 200 mil hectares. Os agricultores franceses estão direcionando parte dessa área para oleaginosas como o girassol, que oferece margens melhores e exige menos gasto com fertilizantes.
Um período de seca ajudou os produtores a avançar no plantio do milho que permaneceu, com 56% da área semeada até a última segunda-feira, acima da média de cinco anos. No entanto, a previsão de retorno das chuvas no início de maio será importante para o crescimento inicial das plantas. O paradoxo é que, apesar de o plantio avançar em ritmo favorável, a área total está encolhendo porque a decisão de reduzir o milho já foi tomada antes mesmo de as sementes irem ao solo.
Como outros países europeus estão respondendo à crise de custos
A resposta varia conforme a estrutura agrícola de cada país. Na Polônia, a área de milho em grão deve recuar ligeiramente para cerca de 1,25 milhão de hectares, ante 1,3 milhão no ano passado. Segundo o analista Wojtek Sabaranski, da Sparks Polska, a falta de alternativas de plantio e a força recente do preço do milho limitam a redução, apesar da pressão dos fertilizantes mais caros.
A Alemanha segue na contramão. A associação de cooperativas agrícolas do país prevê que as semeaduras de milho em grão aumentarão 3,5%, para 507 mil hectares. A explicação é que muitos agricultores alemães compraram fertilizantes com antecedência, antes do início da guerra, e não foram atingidos pela alta de preços para a safra atual. Quem precisar de suprimentos adicionais, porém, sentirá o impacto nos custos, sinalizando que o efeito da guerra sobre o plantio europeu pode ser ainda maior em 2027.
O girassol como alternativa e o que isso significa para o mercado de grãos
A migração de área do milho para o girassol não é apenas uma decisão financeira individual. Ela tem potencial para alterar o equilíbrio de oferta e demanda de grãos na Europa, reduzindo a disponibilidade de milho para ração animal e uso industrial enquanto aumenta a produção de oleaginosas. Se a tendência se consolidar nos próximos anos, importadores que dependem do milho europeu precisarão buscar suprimento em outros mercados.
Para o Brasil, que é um dos maiores exportadores de milho do mundo, a redução da área europeia pode representar oportunidade comercial. A queda na produção do grão na Europa tende a abrir espaço para exportações brasileiras e americanas que compensem o déficit, especialmente se a guerra no Oriente Médio continuar pressionando os custos de fertilizantes e energia no continente. O cenário reforça a interconexão entre conflitos geopolíticos e a mesa de quem consome alimentos a milhares de quilômetros de distância.
Você acha que a migração do milho para o girassol na Europa vai afetar os preços dos grãos no Brasil, ou o impacto fica restrito ao mercado europeu? Conte nos comentários o que pensa sobre a influência da guerra nos custos da agricultura e se percebe reflexo nos preços dos alimentos na sua região.

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