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O Irã mantém negociações constantes com a Rússia para acelerar a expansão da usina nuclear de Bushehr, e o embaixador iraniano em Moscou ainda revelou que países aliados como a Rússia poderão ser isentos de tarifas para cruzar o Estreito de Ormuz

Publicado em 24/04/2026 às 19:22
Atualizado em 24/04/2026 às 19:27
O Irã negocia com a Rússia a expansão da usina nuclear de Bushehr e pode cobrar tarifas no Estreito de Ormuz, apoiando aliados como Moscou.
O Irã negocia com a Rússia a expansão da usina nuclear de Bushehr e pode cobrar tarifas no Estreito de Ormuz, apoiando aliados como Moscou.
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O embaixador do Irã em Moscou afirmou que Teerã negocia constantemente com a Rússia para acelerar a construção das novas unidades da usina nuclear de Bushehr, operada com tecnologia da estatal russa Rosatom. O diplomata também revelou que países aliados poderão ser isentos de tarifas para cruzar o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

O Irã acaba de sinalizar que sua aliança com a Rússia vai muito além do campo militar. O embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, confirmou em entrevista à agência estatal russa RIA Novosti nesta sexta-feira (24) que Teerã mantém negociações constantes com Moscou para acelerar a construção e a conclusão das novas unidades da usina nuclear de Bushehr, o principal complexo atômico em operação no país. A declaração ocorre em meio a um cessar-fogo que já dura duas semanas entre Irã e Estados Unidos, com Washington exigindo que Teerã abra mão de seu programa nuclear como condição para o fim da guerra.

O embaixador foi além do tema nuclear e tocou em um ponto que afeta o comércio marítimo global. Jalali revelou que o Irã estuda cobrar tarifas de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz e que países considerados aliados, como a Rússia, poderão receber isenções. Segundo o diplomata, o Ministério das Relações Exteriores iraniano já trabalha para garantir exceções a nações classificadas por Teerã como “países amigos”, o que transforma a passagem marítima mais estratégica do Oriente Médio em instrumento de política externa.

O que está por trás das negociações entre Irã e Rússia sobre Bushehr

Segundo informações divulgadas pelo portal do G1, a usina nuclear de Bushehr é o centro da cooperação atômica entre Irã e Rússia. O complexo opera com tecnologia da estatal russa Rosatom e depende de técnicos e engenheiros russos para a expansão de suas unidades. Jalali afirmou que os dois países estão em contato permanente para criar condições que permitam aos funcionários da Rosatom realizar seu trabalho, uma referência às dificuldades operacionais causadas pelos ataques militares que atingiram áreas próximas à usina nos últimos meses.

A declaração ganha peso no contexto do cessar-fogo com os Estados Unidos. Uma das principais exigências de Donald Trump para encerrar definitivamente o conflito é que o Irã abandone seu programa nuclear, o que tornaria a expansão de Bushehr incompatível com qualquer acordo de paz. Para Teerã, manter as negociações com Moscou sobre a usina é uma forma de sinalizar que o programa nuclear não está na mesa, independentemente das demandas americanas.

Os ataques à usina de Bushehr e o risco de catástrofe nuclear

A urgência das negociações para acelerar a expansão de Bushehr também se explica pelo histórico de ataques que o complexo sofreu. O Irã acusou Israel e Estados Unidos de bombardearem áreas próximas à usina no início de abril, o que teria sido a quarta vez desde o começo da guerra que a região foi atingida por explosivos. Um funcionário morreu no ataque mais recente e a Rússia determinou a retirada de quase 200 trabalhadores do local por questões de segurança.

Em junho de 2025, a usina nuclear foi atacada diretamente, e Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, alertou que o bombardeio poderia ter causado uma catástrofe nuclear. Grossi afirmou que instalações nucleares não podem nunca ser atacadas e cobrou restrição às atividades militares na área. Embora não tenham sido detectadas emissões de radiação, o risco de um acidente nuclear em uma zona de conflito ativo mantém a comunidade internacional em alerta permanente.

O que significa cobrar tarifas no Estreito de Ormuz e quem seria afetado

O Estreito de Ormuz é a passagem marítima mais importante do comércio global de energia. Por ele transita cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, conectando o Golfo Pérsico ao oceano aberto e servindo como rota obrigatória para exportações de países como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes e o próprio Irã. A ideia de cobrar tarifas de embarcações que cruzam essa passagem tem potencial para redesenhar o custo do petróleo global.

A revelação do embaixador sobre isenções para “países amigos” transforma as tarifas em ferramenta geopolítica. Se o Irã cobrar de todos e isentar apenas aliados como a Rússia, o efeito prático será encarecer o petróleo para o Ocidente enquanto mantém custos baixos para parceiros estratégicos. O Ministério das Relações Exteriores iraniano já trabalha na formulação dessas exceções, o que indica que a proposta não é retórica: há uma estrutura diplomática sendo montada para operacionalizar a cobrança.

Como as isenções para a Rússia reforçam a aliança entre os dois países

A oferta de isenção de tarifas no Estreito de Ormuz para a Rússia é mais do que gesto diplomático. Ela consolida uma relação em que Moscou fornece tecnologia nuclear e apoio político ao Irã e recebe em troca vantagens comerciais concretas que reduzem custos de transporte para suas exportações e importações pelo Golfo Pérsico. A cooperação abrange desde a usina nuclear de Bushehr até a logística marítima.

Para o Irã, classificar nações como “países amigos” e conceder benefícios exclusivos cria um sistema de alianças baseado em incentivos econômicos que complementa os laços militares e políticos. A Rússia já é parceira do Irã em múltiplas frentes, e a isenção no Estreito de Ormuz adiciona uma camada comercial que torna a aliança mais difícil de desfazer, mesmo sob pressão de sanções ocidentais. Os Estados Unidos, que mantêm presença naval significativa na região, observam esses movimentos como evidência de que o eixo Teerã-Moscou está se aprofundando.

O que está em jogo para o mundo se o Irã controlar tarifas no Ormuz

A possibilidade de o Irã cobrar tarifas no Estreito de Ormuz levanta preocupações que vão além da geopolítica regional. Qualquer custo adicional imposto à passagem de navios petroleiros se traduz em aumento no preço do barril, com efeitos cascata sobre gasolina, diesel, gás e todos os produtos que dependem de derivados de petróleo ao redor do mundo. Para economias dependentes de importação de energia, como as da Europa e da Ásia, a medida representaria uma nova fonte de instabilidade em um mercado já pressionado pela guerra.

As negociações entre Irã e Rússia sobre Bushehr e o Estreito de Ormuz mostram que os dois países estão construindo uma parceria multidimensional que combina cooperação nuclear, vantagens comerciais e posicionamento estratégico. O cessar-fogo com os Estados Unidos pode ter pausado os combates, mas não desacelerou a diplomacia entre Teerã e Moscou, que segue produzindo fatos consumados enquanto Washington define suas próximas exigências.

Você acha que o Irã deveria cobrar tarifas de quem cruza o Estreito de Ormuz, ou essa medida pode provocar uma nova escalada de tensões no Oriente Médio? Deixe sua opinião nos comentários, queremos saber como você enxerga a aliança entre Irã e Rússia e seus efeitos sobre o preço da energia no mundo.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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