No dia 22 de maio de 2026, um dos trens rodou pela primeira vez sobre o viaduto, momento histórico para uma cidade que esperou mais de 80 anos por esse transporte. Dez das 30 composições já estão na Colômbia, e a obra avança rumo à operação comercial prevista para 2028, num projeto de bilhões de dólares.
Pela primeira vez nas Américas, um metrô está sendo construído e será operado de ponta a ponta por empresas chinesas, e isso acontece em Bogotá, capital da Colômbia. A Linha 1 do metrô da cidade já ultrapassou 75% das obras, com trens elétricos e automáticos, sem motorista, fabricados na China e transportados de navio até o porto colombiano de Cartagena. O projeto, com operação comercial prevista para 2028, marca um avanço inédito da presença chinesa na infraestrutura urbana do continente.
O caráter histórico do empreendimento ganhou um capítulo simbólico em 22 de maio de 2026, quando o primeiro dos trens fez seu percurso inaugural de testes sobre o viaduto elevado, anunciado pelo prefeito da cidade, Carlos Fernando Galán. Para uma capital que esperou mais de 80 anos para ter um metrô, sendo a única grande cidade da região que ainda não contava com esse tipo de transporte, ver um trem circulando sobre os trilhos representou a concretização de um sonho antigo dos moradores.
O que torna este metrô inédito nas Américas

A América Latina já possui sistemas metroviários com trechos suspensos, como acontece em São Paulo, no Brasil. O verdadeiro marco é que este é o primeiro metrô das Américas concebido, construído e que será integralmente operado por um consórcio de empresas chinesas, da engenharia à futura gestão do sistema.
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O consórcio responsável é liderado pela China Harbour Engineering Company, a CHEC, em parceria com empresas chinesas do setor ferroviário, selecionado em uma licitação internacional realizada em outubro de 2019. Esse protagonismo total das companhias da China em todas as etapas, da obra civil à operação por décadas, é o que diferencia o projeto de qualquer outro já realizado no continente e o transforma em um símbolo da expansão chinesa na infraestrutura latino-americana.
Como é a Linha 1 do metrô de Bogotá

Serão 16 estações ao longo do percurso, das quais dez terão conexão direta com o TransMilenio, o sistema de ônibus de trânsito rápido que já é a espinha dorsal do transporte público da cidade, ampliando a integração da malha.
Por correr totalmente elevado, o metrô não cruza semáforos nem disputa espaço com o trânsito nas ruas, o que garante mais velocidade e pontualidade. As estações foram projetadas não apenas como pontos de embarque, mas como espaços de convivência urbana, com acessibilidade ampla e conexões com outros meios de transporte. A obra, considerada o maior projeto de mobilidade da história recente da Colômbia, emprega atualmente cerca de 15 mil trabalhadores.
Os trens que cruzaram o oceano

Serão 30 composições no total, cada uma com seis vagões, capazes de transportar cerca de 1.800 passageiros por viagem. Os trens são fabricados na China pela estatal CRRC, na cidade de Changchun, e depois levados ao porto de Qingdao, de onde embarcam em uma longa travessia marítima de cerca de um mês até o porto de Cartagena, na Colômbia, seguida de aproximadamente mil quilômetros por terra até Bogotá.
O primeiro trem chegou à capital colombiana em setembro de 2025, e desde então as composições têm desembarcado de forma escalonada. Até o início de maio de 2026, dez dos 30 trens já estavam no país, com a meta de que todos cheguem até outubro de 2026. Antes de embarcar, cada trem passa por testes estáticos, dinâmicos e percursos de até 2.500 quilômetros na China, para verificar seu funcionamento tanto no modo manual quanto no automático, garantindo a segurança da operação.
O ritmo das obras e os números do projeto
O avanço da construção é acompanhado de perto pela população. Segundo a Empresa Metro de Bogotá, ao final de abril de 2026 o projeto atingiu cerca de 77,5% de avanço geral, com mais de 13 mil metros lineares de viaduto já construídos sobre importantes avenidas da cidade. As estruturas elevadas já são visíveis em vários pontos, e as primeiras estações apresentam progresso significativo, com coberturas e instalações em fase avançada.
Quanto ao investimento, é importante tratar os números com precisão. A oferta vencedora para a construção girou em torno de 4 bilhões de dólares, mas o custo total do projeto, somando operação de longo prazo, financiamento e obras complementares, é estimado por bancos de desenvolvimento em uma faixa maior, entre aproximadamente 5,3 e 5,8 bilhões de dólares. A meta das autoridades é que o sistema alcance cerca de 90% de avanço até o fim de 2026, rumo à inauguração em 2028.
O que essa obra significa para o Brasil
A China vem ampliando sua atuação na infraestrutura de transporte de toda a América Latina, e o caso de Bogotá é o exemplo mais avançado. No Chile, centenas de ônibus elétricos chineses já circulam pelas cidades, e no Brasil, trens fabricados por empresas chinesas já operam em sistemas como os metrôs de São Paulo. A diferença da Linha 1 colombiana é o controle integral do projeto por um consórcio chinês, da construção à operação, um salto qualitativo na presença do país no continente.
Para o Brasil, que ainda discute há anos projetos como o trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro, a obra de Bogotá funciona como um espelho. Enquanto os debates sobre grandes projetos de mobilidade se arrastam por aqui, a capital colombiana já tem viaduto erguido, trens chegando ao porto e composições rodando em testes. O caso colombiano tende a influenciar futuras licitações de mobilidade elétrica em outras cidades da região nos próximos anos.
Bogotá e o futuro da mobilidade na América Latina
Com a conclusão prevista para 2028, Bogotá deve se tornar uma referência em mobilidade urbana sustentável para outras capitais que enfrentam desafios semelhantes, como crescimento acelerado, frotas de transporte envelhecidas e metas de redução de emissões. Os trens 100% elétricos eliminam a queima de combustível fóssil durante as viagens, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar em uma cidade que sofre com congestionamentos severos.
Ao mesmo tempo, o protagonismo chinês no projeto levanta debates legítimos sobre dependência tecnológica e estratégica, presentes em vários países que recebem investimentos da China em setores-chave. A experiência de Bogotá será observada de perto por governos de toda a região, tanto pelos benefícios em mobilidade limpa quanto pelas questões geopolíticas envolvidas na entrega de uma infraestrutura tão estratégica a empresas estrangeiras.
A Linha 1 do metrô de Bogotá é muito mais do que uma obra de transporte: é um marco da nova relação entre a América Latina e a China, e a realização de um sonho de mais de 80 anos para os moradores da capital colombiana. Com trens elétricos sem motorista cruzando o oceano e um viaduto que já corta a cidade, o projeto avança rumo a 2028 como um símbolo das transformações na mobilidade urbana do continente, ao mesmo tempo em que abre debates sobre o futuro da infraestrutura na região.
Você acha positivo que um metrô tão estratégico seja construído e operado integralmente por empresas chinesas, ou isso traz riscos de dependência? Acredita que o Brasil deveria acelerar seus projetos de mobilidade sobre trilhos? Deixe seu comentário, conte o que pensa sobre a expansão da China na infraestrutura da América Latina e compartilhe a matéria com quem se interessa por transporte, tecnologia e geopolítica.

Somos dependentes de politicos! Isso é pior que depender de Chineses, afinal eles pelo menos trarão progresso e menos desordem nos transportes publicos! Olje bem o que nossos politicos custam! 3 Bi apenas pra partidos mostrarem-nos os absurdos para se auto promoverem e seguirem ceiando novos vancos Master! Prefiro chineses domknando…
jajajaja 🤣🤣🤣🤣🤣🤣. lo mismo digeron en Venezuela y china solo robo todo lo que pudo y no hay metro jajajaja 🤣🤣🤣 china es mierda 💩
Devemos ter apoio de quem lidera o setor. Isso não tira a soberania do país, desde que o contrato seja pensado pelo país que recebe o projeto, incluindo transferência de tecnologia e quebra de contrato se cláusulas não forem atendidas