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A China suspendeu as compras de carne bovina de três frigoríficos brasileiros da JBS, Prima Foods e Frialto após encontrar hormônio sintético proibido em testes feitos na carne, dois dias depois de reabilitar outras três plantas que estavam embargadas desde o ano passado

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 23/05/2026 às 15:01
Atualizado em 23/05/2026 às 15:03
A China suspendeu três frigoríficos da JBS, Prima Foods e Frialto após achar hormônio sintético proibido na carne bovina, dois dias depois de liberar outras plantas.
A China suspendeu três frigoríficos da JBS, Prima Foods e Frialto após achar hormônio sintético proibido na carne bovina, dois dias depois de liberar outras plantas.
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A substância encontrada foi o acetato de medroxiprogesterona, hormônio vetado pela legislação sanitária chinesa, achado em um lote de carne congelada. O timing chama atenção: o bloqueio veio enquanto o ministro da Agricultura, André de Paula, estava em missão oficial na própria China, e apenas 48 horas após o país liberar outras três unidades.

A China suspendeu as compras de carne bovina de três frigoríficos brasileiros, pertencentes à JBS, à Prima Foods e à Frialto, após encontrar resíduos de hormônio sintético proibido em testes feitos na carne exportada ao país. A medida, anunciada pela Administração-Geral de Alfândegas da China, a GACC, entrou em vigor em 20 de maio de 2026, uma quarta-feira, e atingiu plantas localizadas em Minas Gerais e no Mato Grosso, principais polos de exportação de proteína bovina do Brasil.

O que torna o caso ainda mais marcante é o momento: a suspensão veio apenas dois dias depois de a própria China reabilitar três outros frigoríficos brasileiros que estavam com as vendas embargadas desde março de 2025. A comitiva do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que estava em missão oficial na China, havia sido comunicada pelas autoridades chinesas na terça-feira, 19 de maio, sobre a aplicação da medida, que já era esperada pelos exportadores brasileiros.

Quais frigoríficos a China suspendeu e por quê

A GACC suspendeu as licenças de exportação de três unidades específicas: a planta da Prima Foods registrada sob o número SIF 157, em Araguari, no Triângulo Mineiro, a da Frialto sob o SIF 4490, em Matupá, no Mato Grosso, e a da JBS sob o SIF 51, em Pontes e Lacerda, também no Mato Grosso. As três estão entre as exportadoras de carne bovina ligadas ao mercado asiático, e a JBS de Pontes e Lacerda é uma das principais plantas da região Oeste mato-grossense.

O motivo da suspensão foi a identificação de hormônios sintéticos usados como medicamento veterinário no gado, prática proibida pela legislação sanitária da China. Segundo apurações, a substância encontrada em um lote de carne bovina congelada foi o acetato de medroxiprogesterona, um composto hormonal vetado pelas regras chinesas. A presença desse resíduo foi detectada nos testes que o país asiático realiza rotineiramente nas cargas de carne que recebe do exterior.

O timing curioso da decisão da China

A sequência de eventos chama atenção pela rapidez e pelo contraste. Apenas 48 horas antes de aplicar a suspensão às três novas plantas, a China havia reabilitado três frigoríficos brasileiros que estavam impedidos de vender ao país desde março de 2025. Ou seja, no intervalo de poucos dias, o país asiático liberou três unidades e bloqueou outras três, em movimentos que mostram como o controle sanitário chinês é dinâmico e rigoroso.

Esse vaivém aconteceu justamente durante a missão oficial do ministro André de Paula à China, que incluiu reuniões com o Ministério do Comércio chinês, o MOFCOM, e com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, o MARA, além da participação na feira de alimentos SIAL, em Xangai. A comunicação prévia às autoridades brasileiras, ainda durante a viagem, indica que houve diálogo entre os dois países antes da formalização da medida, ainda que ela já fosse aguardada pelo setor.

A reação do setor exportador brasileiro

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a ABIEC, afirmou em nota que acompanha o caso em conjunto com o Ministério da Agricultura e que confia na rápida normalização dos embarques das plantas afetadas. A entidade destacou que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal, o SIF.

Segundo a associação, as cargas apontadas pelas autoridades chinesas já estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países. A ABIEC classificou a medida como temporária e preventiva, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades. O Ministério da Agricultura, procurado, não respondeu ao pedido de comentário sobre o caso.

Por que o mercado chinês é tão estratégico

A relação comercial entre Brasil e China no setor de carnes é de enorme importância para o agronegócio nacional. O Brasil é o maior fornecedor de carne bovina da China, que por sua vez é o principal destino das exportações brasileiras da proteína. Qualquer interrupção, mesmo que pontual e envolvendo poucas plantas, acende um sinal de alerta no setor, dada a dependência do mercado asiático para o escoamento da produção.

Por isso, suspensões como essa costumam ser tratadas com prioridade pelas autoridades dos dois países. O histórico mostra que esses bloqueios, quando ligados a questões técnicas específicas e não a problemas sistêmicos, tendem a ser resolvidos por meio de negociação e adequação aos protocolos sanitários. A expectativa do setor é que o diálogo técnico entre Brasil e China, já em curso, leve à normalização dos embarques das três unidades em um prazo relativamente curto.

O que são os hormônios proibidos pela China

O ponto central do caso é o uso de hormônios sintéticos na pecuária. Substâncias como o acetato de medroxiprogesterona podem ser empregadas em alguns países como promotores de crescimento ou para outros fins veterinários no gado, mas são proibidas pela legislação sanitária da China, que mantém regras estritas sobre resíduos em alimentos importados. A detecção desses compostos nas cargas dispara automaticamente os mecanismos de suspensão.

Vale destacar que a medida da China é dirigida a plantas específicas e a lotes determinados, e não representa um embargo à carne bovina brasileira como um todo. O sistema de inspeção brasileiro, por meio do SIF, é responsável por monitorar a conformidade dos produtos, e casos como esse costumam levar à investigação da origem da matéria-prima e ao reforço dos controles, justamente para evitar que o problema se repita e comprometa a confiança no produto nacional.

A suspensão de três frigoríficos brasileiros pela China expõe a sensibilidade e o rigor da relação comercial entre os dois países no setor de carnes. Embora a medida seja considerada temporária e preventiva, e atinja apenas plantas e lotes específicos, ela reforça a importância do controle sanitário rigoroso em toda a cadeia produtiva, especialmente quando o destino é o exigente e estratégico mercado chinês. A expectativa do setor é de normalização rápida, mas o episódio serve de alerta para o cuidado com os padrões internacionais.

Você acha que casos como esse podem abalar a confiança da China na carne bovina brasileira, ou são apenas parte natural do rigor do comércio internacional? Acredita que o Brasil tem controle sanitário suficiente para evitar novos episódios? Deixe seu comentário, conte o que pensa sobre a relação comercial entre Brasil e China no agronegócio e compartilhe a matéria com quem acompanha pecuária, exportação e economia.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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