Jovem espanhol ganhou repercussão ao mostrar a rotina nas obras, comentar salários da construção civil e apontar a falta de renovação entre trabalhadores do setor, tema que ampliou discussões sobre valorização profissional, esforço físico e continuidade dos ofícios manuais.
O espanhol Santiago Carpintero, de 22 anos, ganhou repercussão nas redes sociais ao mostrar a rotina de pedreiro e defender, em entrevistas e publicações, a valorização da construção civil, área que, segundo ele, paga bem, mas enfrenta desinteresse crescente entre os jovens.
Conhecido como “o pedreiro do TikTok”, Santiago reúne mais de 180 mil seguidores na plataforma, onde publica vídeos sobre obras, reformas e pequenos reparos domésticos, além de comentar aspectos do trabalho diário em canteiros.
A exposição de sua rotina levou parte do público a discutir salários, esforço físico e futuro dos ofícios manuais, temas que aparecem com frequência nas falas do jovem sobre a profissão.
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Em entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, Santiago afirmou que a atividade ainda enfrenta preconceitos por exigir esforço físico, embora possa oferecer ganhos considerados atrativos por trabalhadores do setor.
Na avaliação do pedreiro, parte da rejeição à construção civil está relacionada à preferência de muitos jovens por ocupações associadas a ambientes fechados, maior conforto e menor desgaste no dia a dia.
“Na minha profissão, ganha-se bem, mas a maioria das pessoas prefere trabalhar em um escritório com comodidades”, disse Santiago, ao comentar a baixa procura de jovens por atividades que exigem presença diária em canteiros e contato direto com tarefas físicas.
Salário de pedreiro na Espanha chama atenção
Entre os pontos de maior repercussão nas falas de Santiago está a estimativa de rendimento mensal na construção civil espanhola, especialmente em funções que exigem experiência prática e qualificação profissional.
Segundo ele, um operário pode receber entre 1.500 e 1.600 euros por mês, enquanto profissionais mais qualificados chegam a ganhar de 1.800 a 2.000 euros mensais.
Os valores citados pelo pedreiro contrastam com a percepção, atribuída por ele a parte do público, de que a construção civil oferece poucas oportunidades financeiras em comparação com outras áreas.
Na entrevista, Santiago afirmou que muitas pessoas só percebem o custo do trabalho especializado quando recebem um orçamento para obras, reformas ou serviços técnicos realizados em casa.
Mesmo com essa remuneração, o jovem diz observar dificuldade para atrair novos trabalhadores em ritmo suficiente para renovar a mão de obra do setor.
De acordo com Santiago, muitos jovens buscam empregos ligados a ambientes fechados, expediente mais previsível e menor exposição física, ainda que a remuneração na construção possa ser competitiva em determinadas funções.
“Hoje em dia, todo mundo quer estudar e ter um emprego confortável. Ninguém quer sujar as mãos”, declarou o pedreiro, ao afirmar que o trabalho manual segue necessário, embora seja evitado por parte da nova geração.
Construção civil entrou cedo na vida de Santiago
A relação de Santiago com as obras começou dentro da família, já que ele é filho de pedreiro e acompanhava o pai em atividades da construção desde a infância.
Com essa convivência, o jovem cresceu observando canteiros, ferramentas e reformas, experiência que influenciou sua decisão de transformar a atividade em profissão anos depois.
Antes de seguir definitivamente na construção civil, Santiago chegou a estudar telecomunicações, mas afirmou ter percebido que a formação não correspondia ao caminho profissional que desejava seguir.
Depois dessa mudança, ele passou a se dedicar ao ofício que já fazia parte de sua rotina familiar e de sua experiência prática desde os primeiros anos de contato com obras.
“Quando eu era pequeno, acompanhava meu pai nas obras. Eu atrapalhava mais do que ajudava, mas adorava”, contou Santiago.
A declaração mostra como a convivência com o pai teve papel central na aproximação do jovem com a construção civil e no aprendizado inicial da profissão.
TikTok virou vitrine para a rotina nas obras
A presença de Santiago nas redes sociais começou sem planejamento profissional, segundo relato feito por ele ao comentar a origem dos vídeos publicados no TikTok.
O jovem contou que gravou um vídeo ao lado do pai durante a construção de um box de chuveiro feito de pedra e se surpreendeu com a repercussão no dia seguinte.
“No dia seguinte, o vídeo tinha duas mil visualizações, e eu fiquei surpreso. Foi assim que comecei”, relembrou Santiago.
Após esse primeiro alcance, ele passou a registrar outras etapas do trabalho e a mostrar detalhes de serviços que normalmente são vistos pelo público apenas depois de concluídos.
Atualmente, os vídeos reúnem bastidores de obras, explicações simples e demonstrações de reparos, com foco em atividades comuns da construção civil e da manutenção residencial.
Esse formato levou parte dos seguidores a acompanhar processos de execução que costumam ficar fora da percepção de quem vê apenas o resultado final de uma obra.
Falta de jovens na construção civil preocupa
Para Santiago, a principal preocupação está na falta de renovação da mão de obra, ponto que ele relaciona ao desinteresse de jovens por profissões técnicas e manuais.
O pedreiro afirma que a construção civil pode enfrentar dificuldades nos próximos anos caso menos pessoas decidam aprender ofícios ligados diretamente à execução de obras.
“Amanhã haverá uma grande necessidade de trabalhadores, e não teremos pessoas suficientes. Não sei quem continuará construindo casas”, afirmou.
Na mesma declaração, Santiago rejeitou a ideia de que máquinas, robôs ou inteligência artificial possam substituir integralmente o trabalho humano na construção de moradias e estruturas.
A fala ocorre em um cenário no qual carreiras ligadas à tecnologia, serviços digitais e ambientes corporativos ganharam maior presença nas escolhas profissionais de jovens.
Enquanto isso, atividades manuais seguem associadas à formação prática, à experiência acumulada e à transmissão de conhecimento entre trabalhadores mais antigos e novos profissionais.
Trabalho manual envolve esforço e entrega resultado visível
Embora defenda a profissão, Santiago reconhece desafios do cotidiano em obras, como exposição ao calor, ao frio e a jornadas realizadas ao ar livre.
A construção civil também exige preparo físico, atenção e constância, fatores citados com frequência por trabalhadores do setor ao descrever a rotina em canteiros.
Por outro lado, o jovem afirma que um dos aspectos mais valorizados por ele está em acompanhar a transformação de um projeto desde o início até a entrega ao cliente.
Para profissionais da área, cada obra concluída representa o resultado concreto de dias ou semanas de execução, planejamento e trabalho físico aplicado ao serviço.
A repercussão dos vídeos também levou usuários das redes sociais a comentar o valor social dos ofícios, especialmente em atividades ligadas à manutenção de casas, reformas e infraestrutura.
Pedreiros, eletricistas, encanadores e outros profissionais técnicos continuam presentes em serviços essenciais para moradias, obras e reparos, mesmo com menor visibilidade pública em comparação com carreiras de escritório.
Nas redes sociais, Santiago passou a ser identificado como um jovem representante de uma área que, segundo ele, precisa atrair novos trabalhadores para manter sua continuidade.
Suas declarações sobre salário, esforço físico e futuro da construção civil ampliaram o debate sobre a formação de profissionais para atividades ligadas diretamente ao funcionamento das cidades.


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