Uma situação inusitada transformou a rotina de Punta Marina, uma pequena cidade litorânea da região de Ravenna, no norte da Itália. Desde o início de 2026, moradores convivem com uma população crescente de pavões que circulam livremente por ruas, jardins, estacionamentos e telhados, provocando uma mistura de encantamento, transtornos e debates sobre como lidar com os animais.
O caso ganhou repercussão internacional em maio de 2026 após reportagens da agência AFP e de veículos europeus mostrarem o impacto da presença das aves na cidade.
O que era atração virou problema
Os pavões fazem parte da paisagem de Punta Marina há décadas e eram vistos principalmente nas áreas de pinheiros próximas ao município. No entanto, segundo moradores e autoridades locais ouvidos pela AFP em maio de 2026, a população das aves cresceu significativamente nos últimos anos.
Embora ainda não exista um censo oficial concluído, estimativas citadas pela Prefeitura de Ravenna e por moradores apontam que a quantidade de pavões passou de cerca de 10 indivíduos em 2018 para aproximadamente 40 em 2023, chegando a cerca de 120 animais em 2026.
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Com o aumento da população, as aves passaram a ocupar cada vez mais áreas urbanas, tornando-se presença constante nas ruas da cidade.
Gritos durante a madrugada tiram o sono dos moradores
As reclamações se intensificaram durante a primavera europeia de 2026, período que corresponde à temporada de reprodução dos pavões.
Nessa época, os machos emitem vocalizações altas para atrair as fêmeas, especialmente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. Moradores relatam que os sons se tornaram frequentes e afetam diretamente o descanso de quem vive nas áreas mais próximas da concentração das aves.
Em entrevistas concedidas à AFP, moradores afirmaram que o barulho constante tem provocado noites mal dormidas e aumentado a insatisfação de parte da população.
Carros arranhados aumentam a revolta
Além do ruído, os animais também passaram a ser associados a danos materiais.
Segundo relatos de moradores divulgados pela AFP e pela imprensa italiana em maio de 2026, os pavões frequentemente sobem sobre veículos estacionados e podem arranhar a pintura ou os vidros enquanto atacam a própria imagem refletida.
O comportamento é conhecido por especialistas em fauna silvestre e ocorre porque algumas aves interpretam o reflexo como a presença de um rival, reagindo de forma territorial, especialmente durante a época de reprodução.
Por causa disso, alguns moradores passaram a evitar estacionar os carros em locais onde os pavões costumam circular com maior frequência.

Cidade se divide entre admiradores e críticos
A presença dos pavões gerou opiniões opostas entre os habitantes de Punta Marina.
Parte dos moradores considera os animais um símbolo local e uma atração capaz de atrair turistas para a cidade. Comerciantes da região afirmam que os pavões já fazem parte da identidade visual do município e despertam a curiosidade dos visitantes.
Por outro lado, moradores afetados pelo barulho, pela sujeira e pelos danos materiais defendem medidas para reduzir a população ou transferir parte das aves para áreas mais adequadas.

Por que os pavões invadiram a cidade?
De acordo com o ornitólogo Rosario Balestrieri, da Estação Zoológica Anton Dohrn, em Nápoles, os pavões encontraram na área urbana condições favoráveis para sobrevivência e reprodução.
Segundo o especialista, os pinhais próximos à cidade continuam servindo como habitat natural das aves, mas a oferta de alimento fornecido por moradores e turistas contribuiu para que elas passassem a frequentar cada vez mais as zonas urbanas.
Além disso, dentro da cidade os pavões encontram menos predadores naturais, como raposas, fator que favorece o crescimento da população.
Autoridades tentam encontrar uma solução
A Prefeitura de Ravenna tenta encontrar uma solução para o problema há alguns anos. Uma tentativa de transferência dos animais chegou a ser discutida em 2022, mas enfrentou resistência de grupos de proteção animal.
Em 2024, o município lançou campanhas educativas orientando moradores e turistas a não alimentarem os pavões. Agora, as autoridades trabalham na realização de um censo oficial para determinar o número exato de aves presentes na região e avaliar possíveis medidas de manejo.
Também surgiram propostas de adoção dos animais por moradores de outras regiões da Itália como forma de reduzir a concentração da espécie em Punta Marina.
Caso chama atenção do mundo
Embora tenha se tornado uma curiosidade para turistas e usuários das redes sociais, o caso de Punta Marina evidencia os desafios que podem surgir quando populações de animais silvestres crescem sem controle em áreas urbanas.
Enquanto autoridades buscam alternativas para administrar a situação, a cidade segue dividida entre aqueles que veem os pavões como um patrimônio local e os que consideram a convivência cada vez mais difícil.

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