Com investimento bilionário e tecnologia inovadora, a usina Ivanpah prometia revolucionar a energia solar no deserto de Mojave, mas enfrentou falhas técnicas, críticas ambientais e custos altos que levaram ao encerramento das operações em 2025
A Ivanpah Solar Power Facility surgiu em 2014 com a promessa de revolucionar a energia solar no deserto de Mojave. O megaprojeto de US$ 2,18 bilhões uniu gigantes como NRG Energy, BrightSource Energy e Google, com apoio do Departamento de Energia dos Estados Unidos.
O objetivo era ambicioso: criar um modelo de usina termosolar de torre capaz de gerar eletricidade em larga escala e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A instalação foi vista, na época, como símbolo de uma nova era energética.
Como funcionava a usina de torre solar
Ivanpah se estendia por 13 km² e abrigava mais de 173.500 heliostatos, espelhos controlados por computador que refletiam a luz solar para o topo de três torres de 140 metros.
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O calor concentrado gerava vapor, que movimentava turbinas e produzia eletricidade.
O sistema foi projetado para armazenar energia térmica em sais fundidos, o que permitiria continuar a geração mesmo após o pôr do sol.
Contudo, dificuldades técnicas impediram que essa etapa funcionasse plenamente, exigindo o uso de gás natural para manter a operação contínua.
Essa dependência reduziu o potencial ecológico do projeto, que originalmente pretendia funcionar 100% com energia solar.
O conceito por trás das usinas de torre
Nas usinas termosolares de torre, os heliostatos acompanham o movimento do Sol, refletindo sua luz para um receptor central.
O calor acumulado aquece a água e produz vapor, semelhante ao funcionamento de uma termelétrica, mas sem a queima direta de combustíveis fósseis.
Por esse motivo, o sistema é considerado mais limpo. Porém, sua complexidade de operação e a necessidade de alta precisão no alinhamento dos espelhos tornam a manutenção desafiadora e cara.
Ivanpah enfrentou justamente esse tipo de obstáculo técnico, o que acabou comprometendo seu desempenho ao longo dos anos.
Críticas ambientais e problemas de eficiência na usina
A usina recebeu críticas de ambientalistas por causar impacto na fauna local, especialmente em aves que sobrevoavam os campos de espelhos e eram atingidas pelos feixes de luz concentrada.
Além do impacto ambiental, houve falhas de engenharia, como o desalinhamento frequente dos heliostatos e perdas térmicas.
Essas limitações elevaram os custos de operação e diminuíram a eficiência energética esperada.
Entre os principais problemas estavam a necessidade de gás natural para manter a produção, manutenção complexa e o impacto negativo sobre espécies migratórias do deserto.
Encerramento e transição para novas tecnologias
Em janeiro de 2025, os contratos de compra de energia entre os operadores da Ivanpah e a Pacific Gas & Electric foram encerrados.
A decisão marcou o fim antecipado do projeto, que não atingiu as metas de geração e sustentabilidade previstas.
O avanço de tecnologias fotovoltaicas mais baratas e eficientes contribuiu para essa mudança. Painéis solares convencionais, com manutenção mais simples e custo menor, tornaram-se a principal escolha para novas instalações.
O futuro do espaço deixado pelo megaprojeto solar
O local do megaprojeto solar não ficará abandonado. A infraestrutura de conexão à rede elétrica deve ser reaproveitada para novos projetos fotovoltaicos.
Essa transição representa a evolução natural da indústria solar, que busca eficiência, economia e sustentabilidade.
Portanto, mesmo com o fim de Ivanpah, o deserto de Mojave continua sendo palco da inovação energética mundial.
Com informações de O Antagonista.
